… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

24 de fevereiro de 303 • Diocleciano publica o “Édito contra os Cristãos”


24 de fevereiro de 303 Diocleciano publica o “Édito contra os Cristãos”


Busto de Caio Aurélio Valério Diocleciano Augusto, o iniciador de uma perseguição que ocorreu entre 303 e 311 e que foi a maior e mais sangrenta perseguição oficial do Império Romano contra os Cristãos, mas não atingiu o objectivo de destruir a comunidade cristã, já que a partir de 324 o Cristianismo se converteria na religião dominante do Império Romano.

A perseguição de Diocleciano ou «Grande Perseguição» foi a última e talvez a mais sangrenta perseguição aos cristãos no Império Romano. Em 303, o imperador Diocleciano e seus colegas de tetrarquia: Maximiano, Galério e Constâncio promulgaram uma série de éditos em que revogavam os direitos legais dos Cristãos e exigiam que estes cumprissem as práticas religiosas tradicionais. Alguns decretos promulgados posteriormente e dirigidos ao clero cristão exigiam o sacrifício universal, ordenando a realização de sacrifícios às divindades romanas. A perseguição variou em intensidade nas várias regiões do império: as repressões menos violentas ocorreram na Gália e na Britânia, onde se aplicou apenas o primeiro édito; enquanto que as mais violentas se deram nas províncias orientais. Embora as leis persecutórias tenham indo sendo anuladas por diversos imperadores nas épocas subsequentes, tradicionalmente o fim das perseguições aos cristãos foi marcado pelo Édito de Milão de Valério Licínio e Constantino, o Grande.



Os cristãos eram alvo de discriminação a nível local no Império, embora os primeiros imperadores se mostrassem renitentes a formular leis gerais contra eles. Não foi senão na década de 250, durante os reinados de Décio e Valeriano, que este tipo de leis começou a ser aprovado. Com esta legislação, os Cristãos viram-se obrigados a sacrificar aos deuses pagãos ou a enfrentar a prisão e pena de morte. Depois da chegada ao trono de Galieno em 260, estas leis foram abolidas. A ascensão ao sólio imperial de Diocleciano - um camponês da Dalmácia - em 284, após o assassinato de Numeriano, não marcou um regresso imediato ao desprezo pelo Cristianismo, mas prenunciou uma mudança gradual nas atitudes oficiais para com as minorias religiosas.



Nos primeiros quinze anos do seu reinado, Diocleciano purgou o exército de cristãos, condenou os maniqueístas à morte e fez-se rodear de opositores públicos ao Cristianismo. A preferência de Diocleciano por um governo de cariz pró-activo, combinada com a sua auto-imagem de restaurador do glorioso passado de Roma, despoletaram a mais terrível perseguição na história de Roma. No inverno de 302, Galério pressionou Diocleciano para iniciar uma perseguição geral dos cristãos. Diocleciano, que não estava de todo convencido da sua utilidade e oportunidade, consultou o oráculo de Apolo. A profecia do oráculo foi interpretada como um apoio à posição de Galério e a perseguição generalizada iniciou-se neste mesmo dia, 24 de fevereiro de 303.



As discrepâncias no zelo com que os decretos foram cumpridos nas várias províncias do império deveram-se às posições pessoais dos diferentes Tetrarcas. Enquanto Galério e Diocleciano foram ávidos perseguidores, Constâncio não se revelou muito entusiasta: éditos persecutórios posteriores, incluindo a chamada ao sacrifício universal, não foram aplicados nos seus domínios. O seu filho, Constantino, após a sua entronização em 306, restaurou a legalidade dos seguidores do Cristianismo e devolveu-lhes as propriedades que lhes tinham sido confiscadas durante a perseguição. Nesse mesmo ano, na península italiana, o usurpador Magêncio substituiu o sucessor de Maximiano, Severo, prometendo ao povo total tolerância religiosa. Galério deu por finalizada a perseguição no Oriente em 311. Contudo, esta foi retomada no Egipto, Palestina e Ásia Menor pelo seu sucessor, Maximino Daia. Constantino e Licínio, o sucessor de Severo, assinaram o Édito de Milão em 313, que oferecia uma aceitação mais abrangente da Religião Cristã do que a proposta pelo Édito de Tolerância de Galério. Licínio expulsou Maximino em 313, finalizando assim a perseguição no Oriente.



A Grande Perseguição não logrou controlar o crescimento da Igreja. Em 324, Constantino era o único governante do Império e o Cristianismo era agora a religião por ele mais favorecia. Embora a perseguição tenha resultado nas mortes de 3000 cristãos — de acordo com estimativas recentes —, assim como na tortura, encarceramento ou deslocação de muitos outros, a maioria dos Cristãos escaparam às punições imperiais. Todavia, a perseguição conduziu à divisão interna entre aqueles que tinham colaborado com as autoridades (os "traditores") e aqueles que se tinham mantido "puros". Alguns cismas, como o dos Donatistas no norte de África e o dos Melecianos no Egipto, persistiram mesmo após o fim das perseguições. Os Donatistas, por exemplo, não se reconciliarão com a Igreja senão depois de 411. Nos séculos posteriores, alguns cristãos criaram um "culto dos mártires" e exageraram as barbaridades praticadas na era das perseguições. Estes testemunhos foram criticadas durante o Renascimento e depois, de forma notável, por Edward Gibbon no século XVIII. Historiadores modernos, como o marxista Geoffrey de Sainte Croix, continuaram esta tendência, procurando definir até que ponto vai o exagero que, porventura, permeia a perspectiva transmitida pelas fontes cristãs contemporâneas da perseguição de Diocleciano.



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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