… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

22 de fevereiro de 1805 • Sarah Flower Adams, quero-me "Mais perto, meu Deus, de Ti"




22 de fevereiro de 1805 Sarah Flower Adams, quero-me “Mais perto, meu Deus, de Ti”

 Sarah Fuller Flower Adams, 1834 por Margaret Gillies

Testemunhas afirmam que quando o Titanic se estava afundando, a banda do paquete estava tocando o hino "Nearer, My God, To Thee" (Mais perto, meu Deus, de Ti). Outros discordaram, mas as estrofes deste hino maravilhoso eram populares no final do século XIX e no início do século XX, e, pela graça de Deus, ainda hoje o são:

Nearer, my God, to Thee, Nearer to Thee! (Mais perto, meu Deus, de Ti, Mais perto de Ti!)
E'en though it be a cross, that raiseth me; (E embora seja uma cruz, que faz levantar-me;)
Still all my song shall be, Nearer, my God, to Thee. (Ainda toda a minha canção deve ser, mais perto, meu Deus, de Ti.)

Muitas pessoas consideram que o hino "Nearer, My God, To Thee" (Mais perto, meu Deus, de Ti) tão cheio de confiança e de aspiração, é um dos mais belos hinos cristãos. Mas poucos sabem que foi escrito por uma senhora. A talentosa e romântica autora deste hino era filha de um valente e talentoso jornalista.

Este jornalista quando era jovem escreveu vários artigos de opinião política demasiadamente radicais para a sua época, pelo que foi sentenciado a seis meses de prisão que ele cumpriu numa das cadeias de Londres. Contudo, os seus amigos e simpatizantes políticos não o abandonaram e iam ao cárcere visitá-lo constantemente. Entre estas visitas estava uma jovem inglesa de quem ele se enamorou, e com quem se casou, logo após sair da prisão.

A autora deste maravilhoso, Sarah Fuller Flower Adams, nasceu neste dia, 22 de fevereiro de 1805 em Harlow, Essex, na Inglaterra. Ela era a segunda filha de Benjamim e Eliza Flower. O seu pai era o tal editor radical (e proprietário) do jornal “The Cambridge Intelligence” e posteriormente de um outro o “The Political Review”. O pai de Sarah foi preso uma vez por criticar a política do bispo de Llandaff, como referi acima, tendo, também, trabalhado com os grandes autores da literatura do seu tempo. Por exemplo, ele publicou “The Fall of Robespierre: An Historic Drama de Taylor Coleridge”, embora seja melhor conhecido por nós como o poeta que escreveu "The Rime of the Ancient Mariner" and "Kubla Khan."

Os Flower também recebiam pessoas famosas em sua casa. Uma deles era o poeta Robert Browning.

Sarah casou-se em 1834 com William Bridges Adams (1797-1872) e eles mudaram-se para Londres. Foi uma das primeiras feministas no Reino Unido. Ela fez um acordo com o seu futuro marido antes do casamento em que se combinou que ela “não faria qualquer serviço de limpeza" no seu lar.

Em Londres, ela passou a frequentar a Igreja Independente (Unitária) de William Fox Johnson (1797-1872). Compôs "Nearer, My God, To Thee" em 1922, um de treze hinos publicados pelo pastor da sua igreja, William Johnson Fox, no seu “Hymns and Anthems” (1841), que eram cantados originalmente em serviços religiosos na South Place Chapel. Este hino tornou-se o favorito de cerimónias fúnebres no século XIX.

Se "Mais perto, meu Deus, de Ti" foi tocado quando o Titanic se afundou foi por isso. O maestro Wallace Hartley da orquestra do Titanic sempre disse que queria ele fosse tocado no seu funeral.

Wallace Henry Hartley (2 de junho de 1878 - 15 de abril 1912) foi um violinista e maestro inglês do RMS Titanic na sua viagem inaugural. Ele ficou famoso por liderar a banda de oito músicos que tocavam este hino enquanto o navio se afundava em 15 de abril de 1912. Ele morreu no naufrágio.

Sarah atuou na peça “Lady Macbeth” de Shakespeare em 1837 como atriz. Sarah aspirava a criar grandes obras literárias. Convivendo com amigos próximos como o poeta Percy Bysshe Shelley, ela encantava-se com a escrita no estilo do Romantismo. Publicou vários poemas dramáticos, e escreveu o famoso poema sobre os mártires cristãos “Vivia Perpetua” em 1841. Os seus cinco atos tratam dos mártires no início do confronto entre o cristianismo e o paganismo. Também escreveu “The Flock at the Fountain” em 1845.

Sarah tinha uma irmã mais velha, Eliza, uma música talentosa, a quem ela muito amava. Ambas estavam com a saúde debilitada. Eliza morreu em 1846 e Sarah enfraquecida pelos cuidados de enfermagem prestados à sua irmã durante a sua longa doença, morreria 20 meses depois em St. Martin-in-the-Field, Middlesex, na Inglaterra.

Parece que o hino "Nearer, My God, To Thee" (Mais perto, meu Deus, de Ti) nasceu assim. No ano de 1841 Sarah que estudava muito a Bíblia, ficou tão impressionada com a história relatada no livro de Génesis (capítulo 28) sobre a visão de Jacob, em Betel, a escada que alcançava o Céu, e os anjos que subiam e desciam por ela, e que, inspirada naquela passagem bíblica, resolveu escrever este hino que mais tarde se tornou universalmente conhecido.

Quando os visitantes cristãos visitam a Palestina, em chegando a Betel (hoje Bira, um território na Jordânia), param e cantam este hino, evocando os acontecimentos impressionantes experimentados por Jacob.

As palavras deste hino têm sido um grande auxílio e um grande conforto para muitos crentes em tempos de dificuldades.

As últimas palavras do Presidente William Mckinley [William McKinley Jr. (Niles, 29 de janeiro de 1843 — Buffalo, 14 de setembro de 1901) que foi um advogado e político norte-americano,sendo mais tarde o vigésimo quinto presidente dos Estados Unidos da América, de 1897 até 1901, quando foi assassinado pelo jovem anarquista Leon Czolgosz], relatadas pelo seu médico, o Dr. M. D. Mann, foram: - «‘Mais perto, meu Deus de Ti, ainda que seja a cruz' tem sido minha constante oração».

Este hino era também o preferido da Rainha Vitória de Inglaterra, de Theodore Roosevelt, do Rei Edward VII e de muitos outros cristãos. Quem não se emociona ao ouvi-lo?!!

Um facto interessante é relatado com referência a este hino: "Durante a Guerra Civil dos Estados Unidos da América, o Bispo Martin, da 'M. E. Church', do Sul, foi despejado do seu lar pelos soldados da União, e ele foi saindo, andando sozinho em direção à mata, ouviu alguém cantando “Mais perto, meu Deus, de Ti, Mais perto de Ti!” e dirigiu-se para lá. Encontrou uma casa de madeira, onde uma velha mulher e solitária, pobre e na miséria, cantava alegremente este hino. Esta cena despertou-lhe o sentimento de ilimitada confiança em Deus, e livrou-o dos seus temores."


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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