… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

28 de fevereiro de 1865 • Sir Wilfred T. Grenfell, um ilustre no Labrador

28 de fevereiro de 1865Sir Wilfred T. Grenfell, 

um ilustre no Labrador
Wilfred Thomason Grenfell, foi um médico e missionário e autor inglês, que nasceu neste dia, 28 de fevereiro de 1865 e que faleceu em 9 de outubro de 1940. Também é conhecido como “Grenfell do Labrador” porque dedicou a sua vida a providenciar assistência médica, social e económica e sobretudo a espriritual, às comunidades remotas da Terra Nova e do Labrador.



Grenfell converteu-se à fé cristã num dos cultos evangelísticos de D. L. Moody, em 1885. Este facto iria redirecionar a sua vida. Isto é evidente no seu lema de vida: “Somente aqueles que aprenderam a morrer para o mundo sabem como viver no mundo.”



Médico, missionário e autor inglês nascido em Parkgate, hoje Neston, próximo a Chester, Cheshire, que criou a “International Grenfell Association” (1912), organizou o “Seaman's Institute at Saint John's, Newfoundland” e organizou o primeiro navio-hospital para servir os pescadores do Atlântico Norte, aqueles que se dedicavam à pesca dos bacalhaus e de outros peixes das águas frias na Terra Nova.



Em 1888, Grenfell juntou-se à “Real Missão dos Pescadores do Mar Alto”, tornado-se diretor da organização um ano depois. Visitou pela primeira vez a Terra Nova e o Labrador em 1892 por um período de 3 meses para prestar cuidados médicos e espirituais à frota de pesca sazonal na região, a qual consistia em cerca de 30 000 pescadores (de bacalhau), caçadores de focas e de baleias e de 1 700 inuítes. Cedo ficou impressionado com o isolamento e a pobreza dos colonos ao longo da costa do Labrador. Os colonos sobreviviam pescando no verão e caçando com armadilhas e cortando madeira no inverno. Missionários providenciavam educação básica às crianças, no entanto durante a maior parte do ano não havia qualquer médico ou enfermeira na costa, recebendo estes somente uma vez por ano a visita médica. Comerciantes com o monopólio nas necessidades importadas como farinha ou munições, mantinham os seus clientes num ciclo constante de dívida e de pobreza.



Em 1893, Grenfell decidiu ajudar os colonos do Labrador. Começou por providenciar cuidados médicos, mas rapidamente expandiu o seu trabalho incluindo qualquer coisa que melhorasse a vida da gente que servia, desde apoio espiritual ao desenvolvimento económico. Durante os anos seguintes, operando a partir da sua base em St. Anthony, na Terra Nova, Grenfell usou os seus talentos como orador e escritor para reunir fundos para a construção, ao logo da costa, de hospitais e estações de enfermagem, de escolas, orfanatos e cooperativas, que competissem com os comerciantes locais.



Em 1899, Sir Donald Smith doou a Grenfell o navio-hospital “Strathcona”, equipado com raio-X, dispensário e camas de emergência o que lhe permitiu enorme mobilidade naquela costa rochosa, onde operava.



Hoje, Grenfell, é também conhecido pelas indústrias de artesanato que apadrinhou, particularmente os finos tapetes que comprava às mulheres do Labrador e vendia para ganhar dinheiro destinado aos seus projetos. Noutro exemplo dos seus esforços, em 1907 arranjou que fossem enviadas da Noruega 300 renas que serviriam tanto para subsistência como para animais de trabalho, o que ajudaria a diversificar a economia da região. Juntamente com as renas, conseguiu que os seus pastores as acompanhassem. Um grupo de Lapões, sabedores nas artes destes animais, viajaram para a Terra Nova com os seus cães de modo a treinarem as gentes locais. Apesar do esforço, mais tarde as renas acabariam por ser caçadas por nativos ou absorvidas pelas manadas de caribús da região.



Em 1909, casou-se com Anne MacClanahan de Chicago, e pouco depois deixaria os rigores da Terra Nova e do Labrador e a Missão que empreendera. No entanto o seu trabalho continuou, sob a Associação Internacional Grenfell. Recebendo inúmeras honras, Grenfell retirou-se para Vermont em 1927. Antes da sua morte em 1940, pode refletir com satisfação numa vida passada a aliviar o sofrimento humano. Em 1940, as organizações que ajudara a criar operavam em 5 hospitais, 7 estações de enfermagem e 3 orfanatos.



Por regra, o Canadá nunca emite mais de um selo comemorativo para uma figura ilustre. No entanto, devido ao que Grenfell construíra, especialmente para a Terra Nova e para o seu povo, muita gente concorda que Grenfell tinha ganho o direito a ter dois selos em sua honra.



O 1º selo, emitido em 1941 pela Terra Nova (note-se que em 1941, a Terra Nova ainda era uma colónia da Grã-Bretanha e não pertencia ao Canadá) mostra o seu navio-hospital “Strathcona II” a navegar. O 2º selo, emitido em 1965 já pelo Canadá, comemorou o centenário do nascimento de Grenfell, mostrando-o ao leme do “Strathcona II” com icebergs em fundo. Foram impressos 26,6 milhões destes selos. O vapor “Strathcona II” substituiu em 1925 o primeiro “Strathcona” doado em 1899, o qual havia naufragado em outubro de 1922.



Wilfred T. Grenfell ficaria assim para sempre ligado à história desta hoje província canadiana e das comunidades piscatórias por ela dispersas porque “somente aqueles que aprenderam a morrer para o mundo sabem como viver no mundo.”




Nota:

Os inuítes (também chamados de inuit) são os membros da nação indígena esquimó que habitam as regiões árticas do Canadá, do Alasca e da Groenlândia.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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