… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

1 de fevereiro de 1879 • George Wigram, o seu alvo era servir somente a Cristo

 1 de fevereiro de 1879   George Wigram, 

o seu alvo era servir somente a Cristo

George Vicesimus Wigram era o vigésimo filho de Sir Robert Wigram, um rico comerciante de Londres. É por causa disso que resulta o seu segundo nome em latim, que em português quer dizer “vigésimo”.



Ele nasceu 29 de março de 1805. Quando era jovem, ingressou no exército britânico. Foi provavelmente por volta do ano de 1824 que ele se converteu e em 1826 deixou o serviço militar, para estudar teologia no colégio “Queen’s College” em Oxford. Como filho de um pai rico, ele teve mostrou algumas características especiais que chamaram a atenção dos seus colegas de estudos.

Assim, ele era o único estudante que tinha uma charrete fechada; e, por outro lado, ele tinha o costume de esfregar um manto novo na parede até que ele tivesse a aparência de usado. Também era conhecido pelo facto de possuir um coração aberto e elevadas forças intelectuais.

Durante a sua vida de estudante, George Vicesimus Wigram teve contacto com James Lampden Harris e Benjamin Wills Newton em Oxford, e mais tarde, no ano de 1830, também com John Nelson Darby. Mais ou menos um ano depois de 1830, George Vicesimus Wigram separou-se da Igreja Anglicana e mudou-se, juntamente com B. W. Newton, para Plymouth. Da sua considerável fortuna, sem mais nem menos, G. V. Wigram comprou ali uma capela, a Providence Chapel, na rua Raleigh, onde então cada noite houve preleções sobre assuntos bíblicos.



Durante uma visita ali realizada por John Nelson Darby, os irmãos que ali se reuniam começaram a partir o pão. Assim se formou ali a primeira “Assembleia” na Inglaterra. Um traço bastante notável e conhecido dos crentes ali reunidos conforme os pensamentos de Deus era que eles se separaram de tudo que consideraram ser mundano, quer fosse livros, vestimentas ou móveis. Assim, essas ofertas voluntárias dos Irmãos foram em tal quantia que foi necessário vendê-los em leilão público. O que faz esse caso de Plymouth tão impressionante é que a ‘Assembleia’ agia em unanimidade e também a maneira sincera e convicta como aconteceu esse abandono das coisas do mundo.



Embora George Vicesimus Wigram passasse a maioria do tempo em Plymouth, pouco tempo depois surgiu também uma ‘Assembleia’ em Londres por meio dele. Durante aqueles anos, G. V. Wigram dedicou-se principalmente a uma tarefa especial, ou seja à compilação de concordâncias bíblicas, que haviam de servir como ajuda àqueles que possuíam pouco ou nenhum conhecimento das línguas hebraica ou grega. Ele financiou esses empreendimentos através da sua considerável fortuna, embora ele mesmo dissesse com grande modéstia, que “ela apenas passou por minhas mãos”.



No ano de 1839 foi publicada “The Englishman’s Greek Concordance of the New Testament” (“A Concordância Grega do Leitor Inglês referente ao Novo Testamento”) e em 1843 “The Englishman’s Hebrew and Chaldee Concordance of the Old Testament” (“A Concordância Hebraica e Aramaica do Leitor Inglês referente ao Antigo Testamento”). Os dois volumes, desde então, têm sido reeditados e têm sido úteis e uma bênção para inúmeros estudantes das Escrituras Sagradas.



Assim estas duas obras de G. V. Wigram constituiramm um serviço relevante para toda a Igreja de Deus até em nossos dias.

George Vicesimus Wigram foi um fiel amigo de John Nelson Darby e seu companheiro durante muitas viagens. Na questão de Bethesda nos anos de 1845 a 1850 esteve firme ao lado dele. A sua sinceridade e lealdade nunca foram questionadas.



George Vicesimus Wigram foi o editor da revista “The Present Testimony” (“O Testemunho Atual”) durante os anos 1849 a 1873 (uma revista sucessora da primeira revista dos Irmãos de Plymouth intitulada “The Christian Witness” — “O Testemunho Cristão”). Nela publicou diversos dosseus escritos que, mais tarde, foram publicados em cinco volumes (a última edição em inglês foi preparada, coordenada e publicada por H. L. Heijkoop, em Winschoten).



Quando por volta de 1873 o testemunho florescente das Assembleias dos Irmãos de Plymouth diminuiu por causa de diversas influências, ele desistiu da edição daquela revista. Sentiu que os irmãos já não estavam correspondendo mais à chamada de Deus. Certa vez George Vicesimus Wigram referiu: “Nós tínhamos de reconhecer a Verdade de joelhos em oração perpétua, mas hoje ela pode ser comprada por um preço barato”.



Ainda ano de 1838 ele compilou um hinário intitulado “Hymns for the Poor of the Flock” (“Hinos para os Pobres do Rebanho”; comparar Zacarias 11:7). Pelo fato de circular também outros hinários, George Vicesimus Wigram recebeu em 1856 o convite de se ocupar detalhadamente com esse assunto. Disso surgiu um novo hinário intitulado “A Few Hymns and Some Spiritual Songs Selected 1856” (“Alguns Hinos e Cânticos Espirituais Selecionados 1856”). Esse, então, foi usado de forma geral até que, em 1881, sob liderança de John Nelson Darby , foi revisado e ampliado mais uma vez. De forma modificada esse hinário ainda hoje está sendo usado pelas Assembleias dos Irmãos de Plymouth nos países de fala inglesa. Alguns hinos bonitos contidos neste novo hinário intitulado “A Few Hymns and Some Spiritual Songs Selected 1856” (“Alguns Hinos e Cânticos Espirituais Selecionados 1856”) são de autoria de G. V. Wigram.



Por volta de 1850, George Vicesimus Wigram visitava os grupos de crentes das Assembleias dos Irmãos de Plymouth que haviam surgido em decorrência do trabalho de William Darby e Julius Anton von Poseck na Renânia (região na Alemanha)e em outras diversas localidades como Benrath, Hilden, Haan, Ohligs, Rheydt e Kettwig.



Nos últimos anos da sua vida, George Vicesimus Wigram fazia também visitas muito prolongadas aos grupos de crentes das Assembleias dos Irmãos de Plymout na Nova Zelândia, nas ilhas do Caribe, e noutros locais. Por todos os lados o seu ministério foi bastante apreciado. Sempre o seu alvo era servir somente a Cristo. Neste dia, 1 de fevereiro de 1879, o Senhor o tomou para Si.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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