… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

2 de fevereiro de 1516 . Girolamo Zanchi (Hieronymus Zanchius), um Reformador italiano

2 de fevereiro de 1516 Girolamo Zanchi (Hieronymus Zanchius),
 um Reformador italiano

Girolamo Zanchi (Hieronymus Zanchius) nasceu em Alsano, na Itália, neste dia, 2 de fevereiro de 1516 e morreu em Heidelberg em 15 de novembro de 1590. Era filho do historiador Zanchi e ingressou na ordem agustina dos cónegos regulares, completando aí os seus estudos linguísticos, filosóficos e escolásticos. Pouco depois foi feito cónego da congregação laterana em Lucca, onde conheceu Pedro Mártir Vermigli e onde tebe a possibilidade de ler os Pais da Igreja e onde depois leu também os escritos dos Reformadores, incluindo Lutero, Bucer, Melanchthon, Musculus, Bullinger e Calvino, sendo convencido pelos mesmos da verdade das doutrinas da Reforma. Por este motivo teve de fugir de Itália, e atendendo a uma chamada de Estrasburgo foi para lá ser professor do Antigo Testamento, a fim de explicar a exegese com grande particularidade.

Zanchi quis deixar em claro a sua liberdade para associar-se com qualquer uma das facções da Reforma. As sementes da dissensão existiam por causa das predileções calvinistas de Zanchi e das luteranas do seu colega Johann Marbach, mas por algum tempo a luta foi evitada pela paciência mútua. Mais tarde Vermigli abandonou Estrasburgo em 1556, mas Zanchi resolver ficar lá. Entretanto, na cidade de Estrasbourgo a posição luterana era cada vez mais forte, especialmente contra a congregação francesa. Em 1561 Zanchi caiu sob suspeita ao afirmar que as diferenças em torno da Santa Ceia eram de pouca importância e que a disputa era mera lábia. Marbach tomou a opção oposta e a batalha inflamou-se; buscou-se a mediação, esboçou-se uma fórmula que tratava da Santa Ceia e da predestinação, acabando Zanchi por assinar o documento com reservas. Mas por causa disto Zanchi foi acusado por Calvino e por outros teólogos reformados de se ter submetido, o que provocou que em 1563 Zanchi deixasse a sua posição de professor de exegese e fosse como pregador a Chiavenna, onde foi perturbado por agitadores italianos. Como a peste rebentasse aí naqueles dias, Zanchi foi até às montanhas perto de Piuri, onde escreveu um relato da sua disputa com Marbach sob o título Miscellanea (1566). A segunda parte desta sua obra Miscellanea foi editada depois da sua morte.

Em 1568 Zanchi foi para Heidelberg como professor, onde logo adquiriu fama como teólogo, sendo consultado sobre questões polémicas. Em 1572 escreveu De tribos Elohim sive de um vero Deo æterno, Patre, Ficho, et Spiritu Sancto, um argumento a favor da unidade de Deus. A obra baseia as suas conclusões sobre o Antigo e Novo Testamento e sobre analogias na natureza, sendo a sua exegese arbitrária. Em relação com esta obra escreveu uma segunda, De natura Dei sive de divinis attributis, uma espécie de filosofia religiosa, e uma terceira, De operibus Dei entra spatium sex dierum creatis, tratando de Deus como criador e com a cosmologia. Começou uma outra obra mas não a acabou, De primi haminis lapsu, de peccato et de legue Dei. Quando Luís VI sucedeu a Federico III em 1576 no Palatinado, a reforma luterana foi posta sob pressão, tendo a maioria dos professores reformados de deixar os seus postos. Zanchi encontrou um lugar como professor na recém fundada escola em Neustadt, sobre o Hardt, rejeitando chamadas de Leiden e de Amberes, continuando ali até à sua morte. Em 1577 foi-lhe encomendado o objetivo de ajudar Ursino na criação de uma confissão de fé, que foi usada na Harmonia confessionum fidei de 1581. Depois da morte de Luís VI e da volta do calvinismo ao Palatinado, Zanchi teve a oportunidade de regressar a Heidelberg, mas decidiu continuar em Neustadt. Foi enterrado na igreja da universidade de Heidelberg, onde morreu em 15 de novembro de 1590 enquanto lá fazia uma visita.

Zanchi possuiu um intelecto agudo, sentimento cálido, coerência no pensamento e na discussão, tenacidade em sustentar as suas convicções mas tudo isto combinado com amizade e entendimento dos outros. Sempre esperou uma igreja reunificada. As suas opiniões eram muito valiosas e o seu conselho era muito apreciado. Estava bem equipado em teologia e filosofia, sendo o seu horizonte mais amplo do que o dos seus contemporâneos. Apesar de não ter sido original nem criativo, foi um dos homens mais instruídos entre os teólogos do século XVI.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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