… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 24 de março de 2017

24 de março de 1820 • A visão perfeita nos hinos e poemas de Fanny Crosby

24 de março de 1820A visão perfeita nos hinos e poemas de Fanny Crosby
Fanny Crosby (foto de 1872)
Nestes tempos modernos quando as pessoas se lamentam por não poderem ter isto ou aquilo, este facto torna-se algo irrisório, quando comparado com as imensas dificuldades enfrentadas e levadas por diante por pessoas com deficiências severas, que nasceram nos tempos em que as novas tecnologias ainda eram um sonho. Fanny Crosby foi um exemplo vitorioso.


Fanny Crosby (Frances Jane Crosby) nasceu neste dia, 24 de março de 1820 em Southeast, Putnam County, New York, nos Estados Unidos. Seus pais: John e Mercy Crosby, fazendeiros pobres, eram puritanos dedicados, descendentes dos fundadores da Colónia da Baía de Massachusetts e membros da igreja presbiteriana. Por causa de um tratamento errado a uma inflamação dos seus olhos, Fanny ficou praticamente cega às seis semanas de idade, podendo a partir dessa altura vislumbrar apenas uma luz brilhante. Naquela época, quando a medicina não estava ainda muito avançada, a bebé foi submetida a um tratamento médico, que foi considerado um erro médico. Perante a revolta dos parentes e vizinhos de Fanny o médico que a tratou, teve de fugir da cidade, pela sua vida.



Em novembro daquele ano de 1820, seu pai, John Crosby, morreu. Por necessidade, sua mãe, Mercy Crosby, passou a ir trabalhar numa fazenda vizinha, deixando a bebé aos bons cuidados da sua avó Eunice. Esta decidiu ser os olhos da sua netinha cega, dedicando-se de corpo e alma ao bem estar de Fanny. Assim, passou a ensinar-lhe muitas coisas que fariam de Fanny uma menina independente e alegre. Da sua avô, Fanny aprendeu a arte da descrição porque ela falava-lhe dos passarinhos, do pôr do sol, cujas cores ela podia, às vezes, vislumbrar vagamente, e das flores, etc. Ainda com a sua avozinha Eunice, Fanny aprendeu a amar e decorar a Palavra de Deus, a orar, a reunir-se com os crentes na Igreja e a cantar.



Aos 15 anos, Fanny Crosby ingressou no Instituto para Cegos de Nova Iorque, e ali permaneceu durante 35 anos, primeiro, como aluna e depois como professora de Inglês e História e de gramática inglesa e retórica, além de história grega, romana e americana, entre os anos de 1847 e de 1858. E foi ainda ali que conheceu o seu futuro marido, Alexander Van Alstyne, também ele cego, e músico, com quem casaria aos 38 anos de idade.



Em 20 de novembro de 1850, Fanny Crosby passou por uma experiência de conversão dramática numa reunião de revivificação metodista encontrando a paz para a sua alma. Depois de passar alguns meses considerando se ela era realmente salva, num “camp meeting” ao som do hino “Por meus pecados padeceu” de Isaac Watts (17 de julho de 1674 – 25 de novembro de 1748), Fanny recebeu a certeza da sua salvação. ”Minha alma inundou-se com a luz celestial”, testificaria ela depois. Levantou-se e exclamou: “Aleluia! Aleluia!” Entregando a sua vida totalmente a Cristo, ela disse: ”Pela primeira vez entendi que eu estava procurando segurar o mundo numa mão e o Senhor segurando-o na outra”.



Ela publicou o seu primeiro livro de poesia aos 24 anos e foi por esse tempo que ela foi convidada para declamar um dos seus poemas num culto de Dwight Lyman Moody (5 de fevereiro de 1837 - 22 de dezembro de 1899), grande pregador do Evangelho em Massachusetts, porém, envergonhada, relutou, mas acabou depois por fazê-lo. Fanny Crosby nessa ocasião apesar da sua timidez acabou por impressionar todos os presentes nesse culto, mas, impressionou principalmente o pregador, o senhor Moody, que lhe pediu para ela dar o testemunho público da sua fé pessoal em Cristo



Aos 38 anos, Fanny casou-se com Alexander Van Alstyne, músico cego, conhecido como um dos melhores organistas em Nova Iorque. Ele era um homem bonito, jovial e muito apreciado. Empregou-se em várias igrejas como organista e ensinava órgão para sustentar a família. Tiveram um filhinho, que morreu na infância e nem mesmo a perda do seu único filho a desanimou na sua fé.



Poucas pessoas souberam que Alexander Van Alstyne compôs melodias para alguns dos poemas de Fanny, mas que não perduraram. Um hinário que os dois prepararam não foi aceito pela editora, porque, disseram-lhes, não queriam um hinário composto por duas pessoas.



Nos anos que se seguiram, Fanny continuaria a escrever letras para hinos dos mais conhecidos hinistas. Chegou a usar 204 pseudónimos! Nunca fez questão de receber uma remuneração adequada aos seus préstimos. Morava em casas muito simples, vivia modestamente e dava muito do que recebia aos outros. Nunca se gabava da sua fama. Conheceu pessoalmente mais do que um Presidente do seu País. Fanny conheceu cinco Presidentes dos Estados Unidos! E foi a primeira mulher a falar no Senado dos Estados Unidos! Pregava nos púlpitos de grandes igrejas e fazia conferências em muitos lugares. À sua própria maneira, tornou-se num dos evangelistas mais proficientes da sua época. Amava o trabalho das missões, assim como o trabalho realizado pelo Exército de Salvação, pela Associação de Moços Cristãos, e pela famosa Bowery, que trabalhava com os alcoólicos e necessitados. Cooperava nestes trabalhos, dando muito de si.



Embora fosse uma mulher muito pequenina, parecia ter uma energia ilimitada. Mulher de oração, nunca escrevia um poema/hino sem ter orado, pedindo a direção de Deus. Gostava das horas da noite para ter comunhão com o seu Senhor. Possuindo uma memória extraordinária, conhecia muitos livros da Bíblia de cor. Nunca gostou de usar o sistema Braile de escrita, pelo que decorava os seus poemas, chegando a ditar até quarenta deles, de uma só vez, à pessoa que consentisse em escrevê-los. Publicou cinco volumes de poesias e também o libreto de um oratório. Fanny Crosby escreveu mais de oito mil hinos, entre os mais conhecidos estão “Safe in the arms of Jesus”, “Jesus, keep me near the Cross”, “Pass me not, o gentle Savior”, “Rescue the perishing” e “Sweet hour of prayer”. Também publicou os livros “The Blind Girl and other Poems” (Nova Iorque, 1844), “Monterey and other Poems” (1849), “A Wreath of Columbia's Flowers” (1859,) “Bells at Evening and other Poems”, com biografia por Robert Lowry, 1898 e “Memories of Eighty Years” (1907).



Uma vez, questionada como podia escrever tantos hinos, Fanny repondeu a esse propósito: “Que alguns dos meus hinos foram ditados pelo Espírito Santo, não tenho nenhuma dúvida; e que outros foram o resultado de profunda meditação, sei que é verdade; mas que a poetisa tenha o direito de reclamar um mérito especial para si mesma, é certamente, presunção. Sinto que há um poço de inspiração do qual podemos tirar os tragos efervescentes que são tão essenciais à boa poesia. (…) Às vezes, o hino vem a mim por estrofes, e precisa somente de ser escrito, mas nunca peço que uma porção de um poema seja escrita até que o todo poema esteja completo. Então, geralmente preciso de podar e revisar muito. Algumas poesias, é verdade, vêm completas, mas a maioria, não vem. (…) Nunca começo um hino sem primeiro pedir ao meu bom Senhor para ser a minha inspiração no trabalho que estou a começar.”



Fanny Crosby, que ministrou e continua a ministrar a todo mundo, ainda hoje através das suas poesias e hinos que “tocam o coração”, poucos dias antes da sua morte, recebendo uma visita de obreiros cristãos, disse-lhes estas palavras muito significativas: “Creio que a maior bênção que o Criador me proporcionou foi quando permitiu que a minha visão externa fosse fechada. Consagrou-me para a obra para a qual me fez. Nunca conheci o que é ver, e por isso não posso compreender a minha perda. Mas tive sonhos maravilhosos. Tenho visto os mais lindos olhos, os mais belos rostos e as paisagens mais singulares. A perda da minha visão não foi perda nenhuma para mim.”



Fanny Crosby ou Frances Jane Crosby faleceu em Bridgeport, Estado de Connecticut em 12 de fevereiro de 1915, aos 94 anos de idade. A pedra da sua sepultura é simples. Como ela pedira, tinha simplesmente as palavras “Aunt Fanny – She Did What She Could”. (Tia Fanny – Ela fez o que pôde). Após a sua morte foi homenageada, sendo introduzida no Hall da Fama, da Música Gospel Americana. Em 1955, um grande monumento foi erigido sobre o seu túmulo homenageando esta serva de Deus que incluía a primeira estrofe do hino “Que segurança! Sou de Jesus!”


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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