… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 19 de março de 2017

19 de março de 1928 • Nasce Hans Küng

19 de março de 1928Nasce Hans Küng
Hans Küng (foto de 2009)
Hans Küng é teólogo católico-romano contemporâneo. Nascido na Suíça, neste dia, 19 de março de 1928, recebeu uma educação variada na Faculdade Alemã em Roma, na Universidade Gregoriana e na Sorbonne, com estudos adicionais em Berlim, Londres, Amsterdão e Madrid. Ordenado sacerdote em 1955, serviu primeiramente como pároco, e tendo conseguido preeminência com os seus escritos teológicos, foi nomeado professor de Teologia na faculdade católico-romana de Tubingen, em 1960.



Hans Küng foi um pensador progressista com o dom da popularização, que ajudou a promover muitas reformas no Concílio Vaticano II, e estando disposto a ir muito mais longe, conforme testemunha a sua obra “Concílio, Reforma e Reunião” de 1961. Em “Justificação” obra publicada em 1964, Hans Küng chegou a propor a tese surpreendente de que os conceitos calvinista e católico da justificação são essencialmente iguais, sendo que o ensino do Concílio de Trento é um extremo que pode ser defendido somente como uma resposta necessária ao extrema oposto de Lutero. Este facto, pensava ele, não comprometia a "irreformabilidade" de Trento, vista que a sua apresentação permanecia verdadeira no seu contexto, ainda que precisasse de ser suplementada a fim de se chegar ao quadro total. A preocupação de Küng a favor da reunião levou-o a aplicar a mesma técnica de suplementação a outra questão debatida, a “Sucessão Apostólica” (1968), num simpósio no qual argumentava a favor de uma sucessão não somente dos apóstolos como também de profetas e mestres e de todas as funções carismáticas. As reservas do papado, a este respeito, como um pastorado verdadeiro, juntamente com a publicação de “Humanae Vitae”, obra que tratava sobre o controle da natalidade, levaram-no a uma investigação mais pormenorizada da autoridade na obra publicada em 1972, “Infalível?”, onde alegou que a relatividade histórica exclui a infalibilidade e que a reivindicação papal é mais uma ferramenta política do que uma realidade doutrinária genuína. A ameaça assim levantada contra um princípio católico-romano básico não poderia passar despercebida. Iniciou-se um inquérito por parte da Cúria Romana que levou à admoestação de Küng em 1975, e, finalmente, quando ele se recusou a retratar-se, à sua deposição, não do corpo docente de Tubingen, mas da sua condição oficial de ensinador católico-romano. Se, contudo, parecia que Küng estava avançando na direcção de uma posição reformada quanto à justificação e ao ofício petrino, ele também estava indo além, chegando ao protestantismo liberal ao negar também a infalibilidade das Sagradas Escrituras, sendo que elas, na sua opinião, oferecem-nos apenas a linguagem normativa da fé. As implicações desta negação surgiram com clareza na sua obra apologética: “O que é ser Cristão” (1971), onde, embora ele tenha ressaltado a centralidade de Cristo, chamou a muitas das histórias do N. T. de incertas, contraditórias e lendárias, rejeitou a cristologia de Calcedónia, enfraqueceu a transcendência de Deus em favor da humanização e parece apresentar Cristo mais como um exemplo a ser seguido do que como um Salvador divino em quem se pode confiar. A obra “Deus Existe?” (1980), embora contenha muita matéria interessante e valiosa, continuou na mesma linha da apologética mediante concessões. Não é de admirar, portanto, que o Vaticano mais conservador se tenha recusado, a aceitar, em 1982, um pedido de audiência feito por Küng, se ele não retirasse as opiniões extremadas que, segundo a obra “O Diálogo com Küng” (1980), constituíram o motivo da perda da sua autorização como professor oficial da doutrina católica romana.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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