… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 22 de março de 2017

22 de março de 1663 • Francke, um cristão pietista, de fé viva na “certeza da salvação” em Cristo


22 de março de 1663 • Francke, 
um cristão pietista, de fé viva na “certeza da salvação” em Cristo

August Hermann Francke nasceu neste dia, 22 de março de 1663. Era filho de um juiz de Lübeck. Lübeck é uma cidade do norte da Alemanha que fica localizada no estado de Schleswig-Holstein, Desde criança que ele queria levar uma vida agradável a Deus. Aos 11 anos, pediu que lhe preparassem um quartinho, onde pudesse ficar sozinho para ler a Bíblia e orar. Quando ia nos 16 anos, começou a estudar Teologia, e, depois, aos 22 anos, já havia obtido o grau académico necessário para lecionar na Universidade. Por este tempo Francke, não tinha ainda a fé simples de uma criança no seu Salvador e Senhor. Ele queria agradar aos homens.



Francke, um dos líderes mais destacados do pietismo, estudou em Erfurt, Kiel e Leipzig, e também ensinou neste último local (de 1685 a 1687 e de 1689 a 1690).



Como professor universitário, às vezes, pregava numa das igrejas da região. Quando teve de fazer uma prédica sobre o Evangelho de S. João, capítulo 20 e versículo 31 “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”, numa cidade mais distante, Francke deu-se conta que queria pregar sobre algo que ele não tinha. Durante vários dias ele lutou, orou e entrou em profunda depressão. Quase cancelou o culto. Pouco antes do dia marcado, Deus escutou a sua oração. De repente, todas as dúvidas desapareceram. Ele sentiu uma imensa alegria e começou a louvar a Deus de todo o coração. Havia encontrado o caminho para a paz com Deus. Com muita alegria, acabou por realizou o culto no dia aprazado.



Por esse tempo, numa cidade dessa região da Alemanha, em Dresden, Philip Spener (13 de janeiro de 1635 – 5 de fevereiro de 1705) pastoreava o “rebanho do Senhor”.



Este pastor incentivava os evangélicos a formar grupos caseiros para estudarem a Bíblia e ficou conhecido com o nome de “Pai do Pietismo”. Muitos procuravam o seu aconselhamento. Francke, depois da sua conversão a Deus, ficou em casa de Spener durante 2 meses. Depois voltou para Leipzig, e aconteceu que após voltar de Dresden da casa de Spener, o número dos estudantes que participavam nas suas aulas, tornava-se cada vez maior, o que resultou na inveja e inimizade dos colegas e por causa disso Francke foi proibido de lecionar naquela universidade.



Então, assumiu um pastorado em Erfurt, onde o crescimento do número de pessoas que queriam ouvir as suas prédicas também fez com que não fosse aceito pelos colegas.



Pouco depois, em 1690, ele recebeu um convite para duas tarefas: lecionar na Universidade de Halle e assumir a pequena paróquia de Glaucha, uma Comunidade próximo a Halle.



Em Glaucha, Francke deu atenção às crianças da rua e às suas famílias. Iniciou uma pequenina escola. Na casa paroquial, colocou uma caixinha para doações a fim de suprir as despesas desta pequena escola. Um dia, achando 7 moedas de prata na caixa de coleta, disse: “Isto é um dinheiro que merece ser bem aplicado!” e contratou um estudante como professor das crianças.



Foi nesta época que Francke, como professor da Universidade de Halle, recebeu pedidos continuados para indicar estudantes da Universidade para ensinar os filhos das famílias com mais recursos económicos. Ele, então, convidou as famílias a mandarem os seus filhos para Glaucha, para receberem aulas conjuntamente com as crianças pobres. Isso aconteceu e todas as famílias gostavam de ver os seus filhos numa escola que funcionava na base da fé em Cristo.



Como havia muitos órfãos que, depois das aulas, não tinham onde ficar, foi alugada uma casa e iniciou-se um orfanato. Em 1692, havia 12 crianças neste orfanato. Os estudantes mais carentes da Universidade, em número de 24, recebiam ali também uma refeição grátis. Foi neste orfanato que Francke iniciou o costume de, antes do almoço, fazer uma leitura da Bíblia e uma oração. O trabalho cresceu e, aos poucos, Francke organizou um seminário, onde podia formar não só professores, mas também missionários. Este seminário que tinha o nome de “Pädagogium” tem uma grande importância na história da educação por ser a primeira escola de formação de professores dos tempos modernos.



Quando Francke morreu em de 8 de junho de 1727, tinha organizado um seminário, uma escola secundária com 400 alunos, o orfanato com 140 crianças, uma horta para cultivo de verduras e de frutos e um espaço para criação de animais, uma editora, uma livraria, uma farmácia, um lar para viúvas, um refeitório que servia refeições diárias para 250 estudantes carentes da Universidade e também para mais 250 crianças pobres, várias escolas em outras cidades (segundo o modelo da Escola em Halle) e uma grande obra missionária na Índia.



A Editora de Halle produziu, pela primeira vez, Bíblias em grande número por um preço acessível. Assim, podemos dizer que Francke fundou a primeira “Sociedade Bíblica” no seu tempo.



Para a leitura da Viva Palavra de Deus, Francke aconselhava que a lessem sem pressas, para aprender como chegar à vida eterna e a dialogarem com Deus, sabendo que Deus também nos vai examinar, às vezes com provas difíceis, para verificar se aplicamos o que aprendemos.



Como já referi, os seus ensinos foram bem recebidos por alguns, mas também despertaram oposição e o ódio de muitos outros.



Através da influência de P. J. Spener, Francke tornou-se professor na recém fundada Universidade de Halle, em 1692, e ali ensinou até à sua morte. Halle tornou-se um centro do pietismo. Os alunos de Francke levaram a sua influência a várias partes da Alemanha, Escandinávia e Europa Oriental. Francke pastoreou também uma congregação naquelas redondezas, Glaucha. Em 1695, fundou um orfanato, a primeira de várias instituições educacionais e de caridade custeadas inteiramente por contribuições dadivosas. Foi ativo no sustento da obra missionária estrangeira na Índia. Os seus escritos incluem obras exegéticas, práticas e polémicas, uma correspondência copiosa e alguns hinos.



Francke foi criado como luterano, mas seguiu a linha de pensamento pietista e, assim, afastou-se do luteranismo ortodoxo. A essência do pietismo era a ênfase na experiência religiosa para a certeza da salvação. Francke tivera uma experiência repentina de conversão. Como muitos dos pietistas, generalizou a sua experiência pessoal como se ela devesse ser a mesma para todos os Cristãos. Por isso, atribuía muita importância aos sentimentos de tristeza e de terror da parte de Deus diante do pecado e do perdão. Semelhante experiência era necessariamente decisiva para a vida do indivíduo, a qual se tornava aparente em muitas boas obras. Ele entendia que a experiência da conversão era especialmente necessária para a liderança entre os Cristãos.



Os luteranos ortodoxos opuseram-se a esta ênfase dada à experiência ou ao sentimento a que Francke chamava como a “certeza da salvação”. Para os luteranos, a “certeza da salvação” achava-se nos meios da graça (o Evangelho, a absolvição, o batismo, a Ceia do Senhor). Do ponto de vista luterano, Francke estava substituindo o Evangelho pela Lei, ao procurar a certeza da “salvação no homem”, em lugar de na Palavra de Deus. Ressaltando a experiência em vez da Palavra, Francke também diminuía a importância da pureza da doutrina e, portanto, tendia a desconsiderar as diferenças doutrinárias entre luteranos e reformados. O pietismo, de modo geral, atravessou as linhas divisórias denominacionais.



August Hermann Francke propôs “uma vida mudada, uma igreja reavivada, uma nação reformada, um mundo evangelizado.”

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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