… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

10 de abril de 428 • “Mãe de Deus”? Ou, “Mãe de um homem”?


10 de abril de 428“Mãe de Deus”? Ou, “Mãe de um homem”?
Seguidores de Nestório numa procissão de “Domingo de Ramos.” Fresco do século VII ou VIII duma Igreja nestoriana na China
Nestório foi consagrado bispo de Constantinopla, neste dia, 10 de abril de 428. A sua elevação a esta posição influente teve profundas repercussões para a Igreja Cristã. Sendo ele um firme oponente da heresia ariana, Nestório foi acusado de cair num erro contrário.



Ário foi o fundador da doutrina cristã do arianismo. Ário, um presbítero da igreja de Alexandria ensinva que Cristo era um ser criado. Para refutar este e outros pontos, Nestório defendeu que a Divindade Se juntara ao ser humano, ou mais exactamente, assim como se um homem entrasse numa tenda ou vestisse a roupa. Em vez de retratar Cristo como uma pessoa unificada, Nestório via-O, como um conjunto de duas naturezas tão distintas, como a pessoas diferentes, que se tivessem fundido.



Num dos pontos da sua reputação a Ário, Nestório recusou-se a chamar a Maria “Mãe de Deus.” O “seu” bebé era muito humano, disse ele. Os actos e os sofrimentos humanos de Jesus eram da Sua natureza humana, não da Sua Divindade. Dizer que Maria era Mãe de Deus era dizer que Deus tinha tido outrora poucas horas de vida. “Deus não é um bebé de dois ou três meses de idade”, argumentou Nestório.



Ele nunca negou que Cristo fosse divino. Pelo contrário, foi para proteger a divindade de Cristo que ele alegou o que alegou, sob pena de se perder no culto das crianças humanas. A natureza divina não poderia ter nascido de uma mulher. Nestório ao recusar-se a usar o termo” theotokus”, “Mãe de Deus”, levou sem quer a que houvesse uma grande discussão em toda a Igreja Cristã. Ele ressaltou que os Apóstolos e os primeiros Padres da Igreja nunca empregaram esse termo. Mas ele não podia resolver o problema de modo a pôr Jesus nesse foco, porquanto nós sabemos pelas Sagradas Escrituras, que Ele é completamente e verdadeiramente Deus e homem.



Cirilo, o patriarca de Alexandria (c. 375- 444), condenou as obras de Nestório através da emissão de doze anátemas contra ele. Nestório respondeu-lhe na mesma moeda. Estes dois homens eram indivíduos duros e ferozes antagonistas. Não havia nenhuma possibilidade de reconciliação entre eles. O Imperador Teodósio II (10 de abril de 401 – 28 de julho de 450) convocou um concílio em Éfeso de 22 de fevereiro de 431 a 31 de julho do mesmo ano, para resolver esta questão. Trabalhando rapidamente, Cirilo e os seus aliados depuseram Nestório, antes que os seus apoiantes sírios pudessem ter chegado ao Concílio. Roma apoiou a posição de Cirilo e Nestório foi destituído do seu cargo e exilado. Os teólogos que estudam hoje os escritos de Nestório dizem que as suas opiniões foram deturpados e provavelmente não seriam heréticas.



Os seguidores de Nestório não desistiram sem luta. Nas regiões da Pérsia controladas por eles,  formaram a sua própria igreja. No início, era um corpo forte, que evangelizou até regiões longínquas como o Extremo Oriente e a China. Igrejas nestorianas apareceram na Arábia, Índia, Tibete, Malabar, Turquestão e Chipre. Muitas continuam a existir até hoje, especialmente no Iraque, embora o seu nível de espiritualidade seja geralmente baixa. Algumas destas comunidades uniram-se à Igreja Católica Romana por volta do século XVI.



Em parte devido à controvérsia nestoriana, a Igreja Cristã criou uma fórmula para descrever a Pessoa de Cristo, no Concílio de Caledónia (foi um concílio ecuménico que se realizou entre 8 de outubro e 1 de novembro de 451 em Chalkedon, uma cidade da Bitínia, na Ásia Menor), em 451. Os bispos reunidos declararam Cristo com duas naturezas numa Pessoa. “Todos nós, com voz uníssona, ensinamos a fé num só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo o mesmo perfeito na divindade e o mesmo perfeito na humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, com alma racional e com corpo, da mesma substância do Pai quanto à divindade e quanto à humanidade da mesma substância que nós, em tudo semelhante a nós menos no pecado...”



Nestório (380-451) foi um monge, oriundo de Alexandria, que se tornou patriarca de Constantinopla em 10 de abril de 428. Acreditava que em Cristo há duas pessoas (ou naturezas) distintas, uma humana e outra divina, completas de tal forma que constituem dois entes independentes. A sua crença tornou-se a base do nestorianismo.



Nestório foi ainda um escritor fecundo, mas quase todos os seus sermões foram queimados por ordem do imperador Teodósio II.




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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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