… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

24 de abril de 1514 • Reuchlin é julgado pelo Tribunal Eclesiástico e declarado inocente

24 de abril de 1514 Reuchlin 


é julgado pelo Tribunal Eclesiástico e declarado inocente
 A Johann Reuchlin, deve Lutero a gramática hebraica para a sua tradução da Bíblia. Homem de nascimento humilde, o talento de Reuchlin para cantar levou-o ao conhecimento do Margrave de Baden, que fez dele companheiro de estudos do seu filho. No seu amor pela aprendizagem, o jovem cantor Reuchlin aproveitou todas as oportunidades oferecidas pela sua nova posição para se educar a si mesmo. As línguas eram o seu forte. Ele escreveu o primeiro dicionário de Latim para ser publicado na Alemanha e uma gramática grega. O Hebraico era o seu amor querido. Ele esmiuçou as regras da antiga linguagem de Israel através do estudo de textos hebraicos e em conversas com cada rabino que aparecesse ao do seu alcance. A sua autoridade tornou-se amplamente reconhecida.

A sua reputação quase foi a causa de sua ruína. Um judeu convertido ao cristianismo e um inquisidor dominicano conseguiram uma ordem do imperador Maximiliano com o fim de queimar todas as obras hebraicas, com excepção do Antigo Testamento, afirmando que eles estavam cheios de erros e blasfémias. Antes do edital poder ser publicado, o Imperador teve dúvidas e consultou o maior estudioso do hebraico da época: Reuchlin.

Reuchlin recomendou com urgência a preservação dos livros judaicos como auxiliares de estudo, e, como exemplos de erros contra os quais os campeões da fé poderiam lutar. Destruir os livros daria munições aos inimigos da Igreja, disse ele. O imperador revogou a sua ordem.

Os dominicanos estavam furiosos. Selecionaram passagens de trechos de escritos de Reuchlin, tentando provar que ele era um herege. Possivelmente ele era-o. Ele parecia esperar a salvação por meio de práticas cabalísticas em vez de confiar completamente no sangue expiatório de Cristo. A Inquisição chamou-o a contas e ordenou que os seus escritos fossem queimados. Estudiosos complacentes apelaram para o Papa Leão X. O Papa remeteu a questão para o bispo de Spires, cujo tribunal julgou a questão. Neste dia, 24 de abril de 1514, o tribunal declarou Reuchlin não culpado. Foi uma grande vitória para a liberdade de ensino.

Os dominicanos não ficaram tão facilmente vencidos. Eles instigaram as faculdades de Colónia, Erfurt, Louvain, Mainz e Paris a condenar os escritos de Reuchlin. Assim, munidos dos pareceres destas faculdades, levam de novo a questão ao Papa Leão X. Leão hesita. Deve ganhar o aplauso dos estudiosos, protegendo os livros judaicos, ou aplacar os clérigos? Ele nomeou uma comissão. Reuchlin é apoiado. O Papa ainda hesitou. Por fim decidiu, suspender o julgamento. Isto em si foi uma vitória para Reuchlin. A causa do estudioso em apuros tornou-se a causa dos inovadores. Melanchthon, sobrinho de Reuchlin, alegrou-se. Erasmo elogiou.

Em 1517, Lutero afixou as suas 95 teses “Graças a Deus”, disse o exausto Reuchlin. “Finalmente encontraram um homem que lhes dará muito que fazer pelo que eles serão obrigados a deixar o meu final da minha velhice em paz.” Graças a Reuchlin, o Talmude e Cabala foram preservadas. Apesar de ter morrido como um homem inutilizado, a liberdade da produção académica foi reforçada por causa de seu calvário. Logo os seus estudos serviram de base para melhores traduções do Antigo Testamento. Além disso, a sua influência garantiu a Melanchthon uma posição entre os eruditos e um lugar na Reforma.

Johann Reuchlin foi um humanista alemão, e, também professor de grego e hebraico, sendo uma das maiores referências do ensino desses idiomas na sua época. Foi lido e estudado, posteriormente, por historiadores como Ludwig Geiger.

Johann Reuchlin (29 de janeiro 1455 - 30 de junho, 1522) nasceu em Pforzheim, onde seu pai foi oficial de um mosteiro Dominicano. Tornou-se professor em Heidelberg, e, por fim, foi tido como o pai dos estudos hebraicos modernos. Já no ano de 1506, publica a sua primeira gramática da língua hebraica e em 1523 já era professor da primeira cadeira de grego estabelecida em Viena.

Os serviços indiretos de Reuchlin à Reforma foram consideráveis. Em 1518 recomendou o seu sobrinho-neto Melâncton como professor de grego para a Universidade de Wittenberg, ainda que a sua atitude para com Lutero e a Reforma, em geral, não foi de simpatia.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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