… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 1 de abril de 2017

1 de abril de 1803 • Robert Cleaver Chapman, o "Apóstolo do Amor"

1 de abril de 1803Robert Cleaver Chapman, 


o “Apóstolo do Amor”


Ainda que seja muito pouco conhecido pelos Cristãos do nosso tempo, na sua época, Robert Cleaver Chapman foi muito bem conhecido como um grande guia espiritual. Winston Churchill (Oxfordshire, 30 de novembro de 1874 — Londres, 24 de janeiro de 1965) famoso principalmente pela sua atuação como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, visitou-o na adolescência. C .H. Spurgeon (Kelvedon, Essex, 19 de junho de 1834 — Menton, 31 de janeiro de 1892), o «Príncipe dos Pregadores» chamou-lhe: "O homem mais santo que jamais conheci." Mesmo muito depois da triste divisão ocorrida entre os "Irmãos de Plymouth" nos anos de 1840, John Nelson Darby (18 de novembro de 1800 - 29 de abril de 1882), que normalmente manifestava pouco apreço pelos "Irmãos Abertos", ao ouvir dois Cristãos «dos Irmãos» criticarem Chapman repreendeu-os, dizendo-lhes: "Deixai aquele homem em paz, ele vive o que eu prego", e, numa outra ocasião, referindo-se a Robert Chapman, John Nelson Darby disse: "Nós falamos dos lugares celestiais, mas Robert Chapman habita neles."


Qual era o segredo espiritual de Chapman? Robert Peterson, um dos seus biógrafos actuais, responde: "Simplesmente a sua devoção total a Cristo e a sua determinação de viver Cristo."



Robert Cleaver Chapman nasceu neste dia, 1 de abril de 1803. Era o sexto dos dez filhos de Thomas e Ann Chapman. Nasceu em Helsingor, na Dinamarca, onde o seu pai tinha uma próspera firma de importação e exportação. A sua família tinha apenas uma ligação formal com a religião cristã. Quando menino e adolescente, Robert mostrou muito entusiasmo com o estudo das línguas. No seu lar aprendeu inglês, dinamarquês e francês, tornando-se ainda muito hábil no alemão e no italiano. Depois da sua conversão, aprendeu hebraico e grego, a fim de estudar as Escrituras nas línguas originais, e, como resultado do seu grande interesse pelo trabalho missionário, aprendeu espanhol e a nossa doce língua, o português!



Devido ao Bloqueio Continental decretado por Napoleão Bonaparte, o que levaria à guerra entre a França e os seus aliados contra a França e os seus aliados, (Portugal tomou o lado Inglês, o que levaria à fuga do Rei D. João VI (Lisboa, 13 de maio de 1767 — Lisboa, 10 de março de 1826) com a sua corte de Lisboa para o então Reino do Brasil, aonde aportou em 22 de janeiro de 1808, com todas as consequências que daí advieram… ) os negócios da família Chapman, na Dinamarca, diminuíram e a família teve de regressar para Inglaterra, onde Robert completaria a sua instrução formal.



Em 1818 Chapman foi para Londres estudar direito, provavelmente hospedando-se em casa de familiares. Aí, passou cinco anos estudando e realizando intenso trabalho prático, com muitas horas passadas num escritório, que eram seguidas por horas de perseverante leitura no seu quarto. A sua aplicação persistente, um hábito que nunca o deixaria durante a sua longa vida, marcou os seus estudos. Após os cinco anos de estudos, concluiu com êxito a sua licenciatura. E, finalmente, em 1823, concluída a sua licenciatura, Robert Chapman foi admitido como Procurador da Corte para as Causas Civis e Procurador da Corte no Tribunal Superior de Justiça. Tinha então 23 anos, acabara a licencitura, recebera uma herança e foi-lhe possível fundar a sua própria firma, que começou a prosperar. Todos lhe auguravam um futuro brilhante.



Nessa época, já Robert Chapman tinha ideias definidas sobre religião. Tinha lido a Bíblia cuidadosamente e convencera-se de que ela era a Palavra inspirada de Deus. Contudo, a real natureza do Evangelho ainda não tinha resplandecido sobre a sua alma. O seu desejo era guardar a lei e achar a salvação através das boas obras.



Porém, chegou o dia em que o invadiu a desesperança de obter a aprovação de Deus por esse meio. Naqueles anos Robert Chapman não foi feliz, apesar da popularidade de que desfrutava. Não tinha qualquer paz, nem tampouco qualquer satisfação no caminho da justiça própria. Contudo, Robert Chapman não estava disposto a considerar cuidadosamente o Evangelho. “Eu abracei as minhas cadeias”, dizia ele. “Não ouvia, nem podia ouvir a voz de Jesus.”



Porém, um dia  veio-lhe a convicção de pecado. Robert Chapman viu que apesar da sua respeitabilidade exterior, havia dentro dele um coração corrupto. “A minha taça”, dizia ele, “era amarga com a minha culpa e com o fruto dos meus atos; eu estava enfastiado do mundo, odiando-o com aborrecimento de espírito, ainda que eu fosse incapaz de deitá-lo fora.”



Achando-se nessa condição espiritual, certa vez foi convidado pelos seu amigo de profissão, John Whitmore, para ouvir o pregador James Harrington Evans (15 de abril de 1785-1849). Evans havia sido pastor Anglicano que saíra daquela denominação por discordar do sectarismo. Evans pregou naquela noite a respeito da justificação baseada na redenção de Jesus Cristo. Robert Chapman aceitou Cristo como Salvador e Senhor. Chapman viu, nesse dia desmoronar-se até ao pó o seu belo edifício de boas obras. Então viu e abraçou a provisão de Deus. Anos depois, escrevendo sobre a sua conversão, e com palavras quase poéticas, diz: “No tempo mais propício, Tu me falaste, dizendo: ‘Este é o repouso; dai repouso ao cansado; e este é o refrigério’ (Isaías 28:12). E quão doces eram as Tuas palavras: ‘Tem bom ânimo, filho; os teus pecados te são perdoados’ (Mateus 9:2). Que preciosa é a visão do Cordeiro de Deus! E que glorioso é o manto de justiça, ocultando dos olhos santos do meu Juiz todo o meu pecado e toda a minha corrupção”.


 


Regressou a casa com uma nova alegria e com uma profunda segurança no seu coração. Dali em adiante, abandonou todo o intento de agradar a Deus pelos esforços da carne, entendendo que “pela lei ninguém se justifica para com Deus” (Gálatas 3:11). No seu escritório, não se envergonhava de falar do seu Salvador e decidiu que, logo que fosse possível, testemunharia publicamente do poder salvador de Cristo. E assim, pouco tempo depois, subiu ao púlpito para junto de Evans e confessou a Cristo, abertamente.

 


Robert Chapman começou a estudar a Bíblia com interesse e com o desejo de obedecer a tudo o que lia. Queria ser batizado imediatamente. Evans sugeriu-lhe que espera-se um pouco, mas Robert Chapman vivendo o seu novo amor por Cristo, não estava disposto a esperar. Evans cedeu e, como resultado, Robert foi batizado poucos dias depois. Então, Evans passou muito tempo com o recém convertido, ensinando-o e encorajando-o nas coisas do Senhor.



No início, Robert sofreu muita oposição por parte dos membros da sua própria família e dos seus velhos amigos. Não obstante, continuou firme. Nem todos os seus familiares rejeitaram o seu testemunho. Manteve um bom relacionamento com a sua Mãe, e, até alguns dos seus irmãos se converteram mais tarde. A sua prima Susan tinha-se casado com um advogado rico, chamado Thomas Pugsley, de Devon, no sudeste de Inglaterra. Querendo ouvir mais das coisas do Senhor, o jovem casal viajou para Londres, onde Robert teve o privilégio de os levar a Cristo. Chapman havia começado um trabalho evangélico entre os pobres em Londres, com bom resultado, pelo que os Pugleys seguiram o seu exemplo quando regressam a Devon.



Depois dos primeiros esforços de Robert para pregar, alguns amigos comentaram que ele nunca se tornaria um bom pregador. A resposta de Robert a esta observação foi: "Existem muitos que pregam Cristo, porém o meu alvo é viver Cristo." Um outro biógrafo de Chapman também referiu acerca do nosso biografado de hoje: "Se é verdade que Romanos 1:17, 'O justo viverá pela fé', é o versículo de Martinho Lutero, então este versículo, Filipenses 1:21, 'Para mim o viver é Cristo', é o versículo de Robert Chapman."



No verão de 1831 os Pugsleys convidaram Robert a passar umas férias em Devon. Ele pregou em várias casas e foi muito animado neste trabalho. Como resultado desta visita a Devon, Robert recebeu a chamada para se tornar pastor da congregação dos "Batistas Particulares" que se reunia na Capela Ebenezer, em Barnstable. Sentindo que esta era a vontade de Deus para a sua vida, Chapman aceitou, desde que lhe fosse concedido o direito de pregar tudo o que se encontra na Bíblia. Em abril de 1832, Robert deixou para trás a sua firma de advocacia em Londres, distribuiu a sua fortuna pessoal, guardando para si apenas o suficiente para comprar uma casa, e mudou-se para Barnstable, cidade portuária de alguns milhares de habitantes. Barnstaple é uma cidade localizada no distrito de North Devon, condado de Devon, no Sudoeste da Inglaterra. Encontra-se situada a 109 km a sudoeste de Bristol, 80 km ao norte de Plymouth e 55 km a noroeste de Exeter, tudo na Inglaterra. Barnstaple é a principal cidade do distrito e é declarada como o mais velho borough (é uma divisão administrativa) do Reino Unido.



Robert Chapman foi fiel à pregação da Palavra e isso inevitavelmente levou ao ensino de verdades que não estavam de acordo com os princípios denominacionais dos "Batistas Particulares". O livro batista local "Livro de Lembrança" relata que a chegada de Chapman "levou, por fim, a vida daquela assembleia a uma nova ordem de coisas que separou a igreja da Associação [Batista] e da Denominação em geral." Logo, a congregação de Barnstable se associou com um número crescente de Assembleias Locais autónomas, onde se realizavam reuniões de crentes que rejeitavam todo o nome denominacional, para se reuniram simplesmente no Nome do Senhor. O Senhor, pela Sua infinita graça agregou, em Bristol uma assembleia local semelhante, que se começou a reunir com os mesmos propósitos, naquele mesmo ano de 1832, relativamente perto de Barnstable, que era liderada por George Müller (Kroppenstedt, distrito de Halberstadt, Prussia, 27 de setembro de 1805 - Bristol, 10 de março de 1898) e Henry Craik (8 de agosto de 1805 – 22 de janeiro de 1866). Dos sete irmãos que ali se reuniam originalmente o trabalho cresceu e multiplicou-se. Refiro que Robert Chapman é conhecido como Robert Chapman “de Barnstable” e George Müller com George Müller “de Bristol”, assim estes dois Cristãos honram estas duas localidades com os seus testemunhos cristãos e elas retribuíram dando-lhes os seus nomes!



Estas duas Assembleias Locais, a de Bristol e a de Barnstable, celebravam a Ceia do Senhor a cada primeiro dia da semana (isto é, em todos os domingos) e rejeitavam a falsa distinção entre "clero" e "leigos", crendo no sacerdócio ‘universal’ de todos os crentes.



Robert Chapman desejava proporcionar uma casa onde pudesse oferecer hospitalidade a todo o povo do Senhor. Um pormenor interessante é que Chapman insistia em limpar e engraxar os sapatos dos seus hóspedes todas as noites. Ele referia a este propósito que o Senhor Jesus lavou os pés aos Seus discípulos. E, como nos seus dias, isso era feito pessoalmente por cada um, então ele dava-se àquele humilde trabalho de engraxar o calçado numa perfeita obediência ao seu Senhor!



Quando chegava um convidado, Chapman mostrava-lhe qual seria seu quarto, informava-o a respeito dos hábitos da casa, e pedia-lhe que os sapatos fossem deixados do lado de fora da porta, para que o próprio Chapman os limpasse. Neste assunto, ele encontrava muita resistência, pois os seus hóspedes viam que, apesar da simplicidade da sua casa, ele era um homem fino e de boas maneiras. Quando o ouviam ministrando a Palavra, com uma autoridade cheia de graça, sentiam-se extremamente constrangidos de não o deixar fazer tarefa tão servil. Mas ele não cedia aos seus desejos.



Numa certa ocasião, um cavalheiro cristão negou-se, ao principio, a deixá-lo engraxar as suas botas. “Insisto”, foi a resposta firme, “nos primeiros tempos, era prática lavar os pés dos santos. Agora, que já não é esse o costume, eu faço o que é mais parecido com isso, limpo-lhes as suas botas”.



Até o meio-dia, dentro ou fora da casa, a maior parte do seu tempo dedicava-o à oração, à leitura da Bíblia e à meditação. Uma estimativa exata daria sete horas verdadeiras de comunhão com Deus, antes do meio-dia. Chapman tinha sempre uma grande quantidade de trabalho para fazer, porém, sem qualquer excesso de agitação ou de alvoroço. A sua vida foi como o curso firme de um poderoso rio.



Às vezes, no fim do dia, terminavam-se as provisões, e não havia dinheiro para as compras. Chapman não considerava isto como uma emergência: era simplesmente o modo como Deus estava operando aquele dia. “Precisamos de orar sobre isto”, dizia ele. E assim, o pequeno almoço da manhã seguinte era provido unicamente através da oração. A vida de fé era vivida de maneira tão natural e sem ostentação, que os hóspedes da “casa número 6” não se apercebiam de nada fora do normal. Chapman não queria dar a impressão de que uma tal dependência do Senhor fosse uma coisa extraordinária, e muito menos queria chamar a atenção para si mesmo, nem mesmo na hipótese de que fazendo assim, Deus seria glorificado.



Nos sábados, ele dava à sua mente um completo descanso antes das tarefas do dia do Senhor. As caminhadas e a carpintaria eram as suas principais recreações, e o sábado era o dia para trabalhar a madeira. No fundo da sua pequena casa, ele preparou uma pequenita oficina onde havia uma pequena bancada e as ferramentas, onde sobressaía um torno para trabalhar a madeira. Esse era o seu encanto. Nele eram torneados inumeráveis rolos de cozinha. Ele oferecia-os de presente aos seus convidados ou vendia-os para acrescentar recursos ao seu trabalho missionário.



Essa recreação era acompanhada por exercícios espirituais. Ele jejuava sempre aos sábados e enquanto trabalhava derramava a sua alma em comunhão com o Senhor. Esse hábito de combinar o espiritual e o prático era característico nele. Orava enquanto caminhava ou enquanto realizava os quefazeres domésticos. Na realidade, recusava fazer distinção entre os deveres espirituais e os materiais; estava sempre consciente da ordem divina: “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens.” (Colossenses 3:23).



Chapman mostrava grande liberalidade para com os necessitados. Certa vez, um amigo deu-lhe de presente um sobretudo novo, pois viu que a sua velha jaqueta estava muito gasta para que ele a pudesse usar. Passaram-se umas semanas, e ele jamais aparecia com o sobretudo novo vestido. O doador, naturalmente, investigou, e descobriu que Chapman tinha-o dado a um homem que não tinha nenhum. O que intrigava realmente Chapman, contudo, era o facto dos crentes acharem algo de extraordinário nisso, já que o próprio João Batista tinha ensinado: “Quem tem duas túnicas, reparta com o que não tem” (Lucas 3:11).



À medida que os anos passavam, ele chegou a ser uma figura muito conhecida em muitas partes das Ilhas Britânicas; todavia, isso devia-se simplesmente a que inúmeras pessoas julgavam poderoso o seu ministério. Depois da sua morte, A. T. Pierson escreveu: “Havia gigantes na terra naqueles dias. Chapman foi um gigante espiritual. Nem um centímetro dessa estatura se deveu aos métodos carnais dos peritos em publicidade.”



Assim Robert Chapman acabou por comprar uma casa em New Buildings, o n.º 6, a qual veio a ser a sua residência durante os próximos 70 anos! Robert Chapman nunca se casou. Dedicou toda a sua vida ao evangelismo e ao trabalho pastoral naquela cidade de Barnstable e naquela região. Com o tempo, Robert Chapman devido à necessidade de ter mais espaço para hospedar os servos do Senhor que o visitavam, alguns anos depois comprou a casa que ficava em frente àquela em que morava, no outro lado da rua, o nº 9.



Em 1838 o grupo de “Batistas Particulares” que havia saído da Capela Ebenezer, exigiu que a Assembleia Local que continuava a reunir-se no antigo local, lhes devolvesse o prédio. Chapman como bom advogado examinou os documentos relacionados com o corpo jurídico do arrendamento do prédio. Não encontrou nenhuma exigência quanto à pregação das doutrinas relacionadas com a denominação dos “Batistas Particulares”. Chapman sentiu, porém, que um melhor testemunho cristão seria devolver a “Capela” e isto foi feito. A Assembleia Local reuniu-se numas instalações temporárias durante quatro anos, até que o Senhor providenciou em 1842 um outro edifício, a que foi chamado originalmente “Capela Bear Street” e que presentemente se chama “Capela Grosvenor Street.”



O Senhor continuou a abençoar os Seus servos. Chapman trabalhou com vários irmãos e irmãs tais como Thomas Pugsley, Robert Gribble, a menina Bessie Paget, Henry Heath, e mais tarde, com William Hake. Dois jovens que se converteram nos primeiros anos na “Capela Ebenezer” foram William Bowden e George Beer, que vieram a ser mais tarde missionários durante muitos anos na Índia.



A Assembleia Local pela graça de Deus continuou a crescer. Assim já no ano de 1851, 150 crentes participavam da “Ceia do Senhor”, 100 crianças frequentavam a Escola Dominical e 300 pessoas assistiam à ‘reunião de ensino’ em cada domingo. No ano de 1870 mais de 700 pessoas assistiam ao culto no domingo. Como resultado dos trabalhos de muitos servos de Deus, mais de 80 Assembleias Locais semelhantes foram fundadas naquela região inglesa.



Além de se envolver totalmente na evangelização daqueles locais, Chapman tinha grande desejo de ver países católicos romanos, tais como a Irlanda e Espanha, alcançados pelo Evangelho. Visitou a Espanha e Portugal em 1838, 1863 e 1871. Uma visita prolongada à Irlanda foi feita em 1848. Na maior parte do tempo andou a pé e pregava, gastando até seis meses, em cada uma dessas visitas. Uma coisa que Chapman não fazia nestas visitas era levar e trazer boatos e informações pessoais. É conhecido o fatco de que não aceitava nem praticava este tipo de comportamento, antibíblico e antiético, tristemente tão comum entre o povo de Deus.



Chapman tentou ser um pacificador nos conflitos que dividiram os "Irmãos" nos anos 1845 em diante, mas tristemente com pouco resultado.



As pessoas deviam muito a Chapman pelo exemplo de vida que deixou. Muito também pode ser dito do seu amor para com os Irmãos e mesmo para com àqueles que o perseguiram e o desprezaram. Até ao fim da sua vida, foi estudante dedicado (e um praticante honesto!) das Sagradas Escrituras. Tinha uma paixão pelo evangelismo dos perdidos. Pregava ao ar livre, ainda mesmo na sua extrema velhice. Foi amigo, conselheiro e confidente de pessoas tais como George Müller e Hudson Taylor.



A sua última participação nas reuniões especiais anuais que se efectuavam em Barnstable foi a mensagem que entregou em junho de 1902, aos 99 anos de idade. Ficou em pé, exactamente, durante uma hora. Pediu hinos, orou, leu as Escrituras e ministrou "com muito vigor".



Quando se fala de amor cristão, logo nos vem à mente Robert Cleaver Chapman, porque ele viveu e levou à letra o seu amor por Jesus. Diz-se que alguém, certa vez, lhe endereçou uma carta, da seguinte maneira: "Robert C. Chapman, Universidade do Amor, Inglaterra." A carta foi-lhe entregue pelos correios na remota cidade de Barnstable onde residia!



Robert Cleaver Chapman escreveu pelo menos cento e sessenta e cinco hinos e outros poemas, incluindo alguns sonetos. As suas “Meditações” são também muito belas, e pertencem ao início da sua vida cristã. Mais tarde, negou-se categoricamente a publicá-las, e apesar de que respeitamos a humildade que o levou a tomar tal decisão, parece que a Igreja Cristã fica mais pobre por causa disso.



Em 1902, no mês de junho, faltando poucos meses para completar cem anos, adoeceu, e no dia 6 de dezembro, antes das nove da noite, ele estava com o seu Senhor. Durante os seus dias de enfermidade, ele estava cheio de paz. Quando lhe perguntaram, uma manhã, como estava, respondeu: “Deus tratou comigo muito meigamente, muito amorosamente.” Noutra ocasião, disse: “Agora posso repousar sossegadamente, pela fé.” O versículo que ele mais frequentemente citava, era: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.” (1Jo 3:2 ACF)



As suas últimas palavras foram: “A paz de Deus que ultrapassa todo entendimento...” Sim, a paz marcara toda a sua experiência cristã, sim a paz paciente, serena. Desde o dia em que encontrou pela primeira vez a paz com Deus, através de nosso Senhor Jesus Cristo, que Robert Cleaver Chapman viveu no gozo da paz divina.



O Senhor chamou-o para o Lar Celestial no dia 6 de dezembro de 1902, após um curto período de enfermidade, quase aos 100 anos de idade. Sem dúvida ouviu as palavras de louvor: "Bem feito, servo bom e fiel... entra no gozo do teu Senhor. (Mateus 25:21)"



Robert Cleaver Chapman (1 de abril de 1803 - 6 de dezembro de 1902), conhecido como o "Apóstolo do Amor", foi pastor, professor e evangelista, entre os chamados “Irmãos de Plymouth”.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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