… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 13 de abril de 2017

13 de abril de 1648 • Nasce Jeanne-Marie Bouvier de la Motte-Guyon (vulgarmente conhecida como Madame Guyon)



13 de abril de 1648 Nasce


Jeanne-Marie Bouvier de la Motte-Guyon (vulgarmente conhecida como Madame Guyon)

Jeanne-Marie Bouvier de la Motte-Guyon, vulgarmente conhecida como Madame Guyon) foi uma mística católica francesa e um dos principais defensores do quietismo. O Quietismo foi considerado herético pela Igreja Católica Romana, e por isso, Madame Guyon foi presa entre 1695-1703, após a publicação do seu livro “Moyen court et très facile pour l”oraison que tous peuvent pratiquer très aisément…” (Um método curto e fácil de oração que todos podem praticar muito agradavelmente....).

Jeanne-Marie Bouvier de la Motte-Guyon nasceu em Montargis, na França, neste dia, 13 de abril de 1648, e foi educada em conventos e desde pequena demonstrou desejo de ser fiel ao Senhor. Mas, por ser muito bonita e por ser atraída pelo mundo, muitas vezes se esqueceu das suas promessas de fidelidade a Jesus.

Casou-se com um homem inválido, 22 anos mais velho do que ela, em 1664. Isso levou-a a buscar comunhão íntima com Deus. Em 1668, teve a plena experiência do amor de Cristo. Depois disso perdeu o interesse pelas coisas mundanas e gastava o seu tempo em oração. Em 1970, foi vítima da forma mais virulenta de varíola, que destruiu a sua beleza. “Mas a devastação exterior foi contrabalançada pela paz interior”, testemunhou ela.

Até 1676, sofreu a perda dos filhos, do marido, do pai e de uma grande amiga. Porém, tudo isso serviu apenas para que ela aprofundasse a sua relação pessoal e íntima com Deus. De 1674 a 1680 Madame Guyon perdeu a presença de Deus, aprendendo, então, a andar pela fé, e não pelos sentimentos. Por outras palavras: aprendeu a Palavra de Romanos 1:17 “O justo viverá da fé!” À semelhança de Martinho Lutero que foi iluminado por este versículo e acendeu a Luz da Reforma, também Madame Guyon foi iluminada e teve a sua “reforma”, ou dito com propriedade: converte-se, isto é, rende-se ao Senhor! Após isso, levou muitos à regeneração e à experiência da “morte do ego.” O grande número de pessoas que, após terem contactado com Madame Guyon, deixaram o mundanismo, o pecado e se consagraram a Deus, despertou o ciúme dos líderes Católicos e dos mestres mundanos, que passaram a perseguir Madame Guyon. François Fénelon, pseudónimo de François de Salignac de La Mothe-Fénelon (6 de agosto de 1651 - 7 de janeiro de 1715) e François la Combe, entre outros membros do clero Católico Romano, receberam a sua ajuda espiritual.

Embora muito popular e admirada por muitos membros influentes da corte francesa de Luís XIV, os seus pontos de vista logo foram suspeitos de heresia, e por isso foi perseguida e aprisionada várias vezes. Manteve uma enorme correspondência e os seus trabalhos preencheram quarenta volumes. Os seus escritos mais famosos foram “Um Método Muito Curto e Fácil de Orar” e a sua “Autobiografia.”

Foi denunciada como perigosa e como seguidora de Miguel de Molinos (30 de junho de 1628 — 26 de dezembro de 16969. Este foi um místico espanhol, criador de uma corrente religiosa denominada Quietismo, aprisionado na mesma época, por escritos similares aos de Madame Guyon. Assim, Madame Guyon foi presa e permaneceu na prisão alguns meses. O rei Luís XIV pediu pessoalmente ao Bispo Bossuet, o maior e o mais famoso eclesiástico da França desse tempo, que a examinasse. Este “exame” transformou-se numa inquisição mental. Bossuet, a mente mais poderosa da França daquele tempo, achava que estava lidando com uma mulher tola. Bossuet encontrou uma pessoa à sua altura, ou ainda muito melhor do que ele. As conclusões de Bossuet a respeito desta mulher “perigosa” levaram Luís XIV a prender Jeanne Guyon, sem ao menos a inquirir ou a notificar a esse respeito. Mesmo com os seus escritos condenados pelo alto clero Católico, Madame Guyon continuou os seus ensinamentos e por isso, foi detida, depois disso quatro vezes, a última das quais durante quatro anos (1694-1702).

Escreveu cerca de sessenta obras e compôs poemas e hinos como: “Eu amo o Senhor, mas não com o meu amor” e “Longo mergulho na aflição.” Escreveu cartas para Católicos e Protestantes na França, na Holanda, na Alemanha e na Inglaterra.

Os seus escritos como “Torrentes Espirituais”, “Experimentando as Profundezas de Jesus Cristo” e “Experimentando Deus através da Oração”, cheios de vida espiritual, influenciaram grandemente homens como o Arcebispo Fénelon, John Wesley e Watchman Nee e até o nosso escritor Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, (São Martinho de Anta, 12 de agosto de 1907 — Coimbra, 17 de janeiro de 1995), um dos mais importantes poetas e escritores portugueses do século XX.)

Deus usou-a de forma especial para abrir caminho para a restauração da vida interior, da comunhão profunda com Ele, através da oração, da consagração plena, da santificação e do operar da cruz. Nos nossos dias, estamos apenas começando a tocar no fluir das águas da verdadeira espiritualidade que Deus fez jorrar através dela.

A sua “Autobiografia”, escrita especialmente para atender à insistência do seu mentor, o padre La Combe, é notoriamente reconhecida como um dos maiores clássicos cristãos.

Em 1702 foi banida para Blois, onde passou o resto da sua vida ao serviço do Senhor, e aí, em 9 de junho de 1717, aos 69 anos, faleceu, Madame Guyon, em perfeita paz.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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