… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 18 de abril de 2017

18 de abril de 1521 • As palavras mais nobres de Martinho Lutero



18 de abril de 1521 As palavras mais nobres de Martinho Lutero
Lutero na Dieta de Worms, gravura da pintura de Anton von Werner (1843-1915), atualmente na Staatsgalerie de Stuttgart. (Wikipédia)

Regressando ao salão onde se reunia a Dieta de Worms, neste dia, 18 de abril de 1521, às seis horas da manhã, Martinho Lutero proferiu esta, agora, famosa resposta:

“A menos que possa ser refutado e convencido pelo testemunho da Escritura e por claros argumentos (visto que não creio no Papa, nem nos concílios; é evidente que todos eles frequentemente erram e se contradisseram); estou conquistado pela Santa Escritura citada por mim, a minha consciência está cativa da Palavra de Deus: não posso e não me retratarei, pois é inseguro e perigoso fazer algo contra a consciência. Esta é a minha posição. Não posso agir de outra maneira. Que Deus me ajude. Ámen!”

Talvez as palavras mais notáveis proferidas durante a Reforma, isto de acordo com os relatórios impressos na ocasião, foram a resposta de Lutero, em Worms, quando instado a retratar-se. Ele proferiu estas memoráveis palavras em alemão, neste dia, 18 de abril de 1521 e, em seguida, a pedido, repetiu a sua essência em latim para aqueles que não entendiam a sua língua nativa. Ele estava suando, disseram testemunhas. Com um gesto de vitória, ele abandonou a sala.

Frederico, o Sábio, apoiante de Lutero estava receoso. As Escrituras condenam Lutero ou não? “Ele é demasiado ousado para mim”, admitiu o eleitor. No entanto, no dia seguinte, quando perguntado sobre a posição contra Lutero, em apoio da posição tomada pelo Imperador, Carlos V, ele não assinou a condenação, embora os outros quatro eleitores alemães o fizessem.

Quanto ao Imperador, ele argumentou que um único frade que era contrário a toda a Igreja (Católica) não poderia estar certo. Descendendo de uma longa linhagem de imperadores Cristãos (Católicos Romanos), ele sentiu que aceitar a visão de Lutero era trair a fé de seus pais. Ele iria tomar rapidamente medidas contra Lutero, prometeu. A Lutero tinha sido dado o salvo-conduto para Worms, o que lhe permitiu retirar-se dali em segurança.

Lutero não deixou Worms imediatamente. Durante vários dias, uma comissão argumentou com ele, pedindo-lhe para não rasgar a Igreja Católica em duas. Eles observaram que certamente haveria guerra contra a Alemanha. Melâncton, o seu amado sócio, poderia ser morto. Lutero não podia ser movido para ajudar, pois a sua decisão estava tomada. A Palavra de Deus deve ser seguida a qualquer custo. E tudo tinha começado pela sua oposição ao negócio das indulgências!

Há razões para duvidar de que Lutero tenha dito: “ Esta é a minha posição. Não posso agir de outra maneira.” Ainda que as primeiras versões impressas contenham estas palavras, as transcrições oficiais, não. Pronunciadas ou não, as palavras transmitem a corajosa atitude do monge. Quando Lutero deixou Worms, a Reforma era irrevogável.

Na Dieta de Worms o testemunho de Martinho Lutero atingiu o seu ponto mais alto. As suas corajosas palavras têm agitado a imaginação dos homens através dos séculos posteriores, pois elas têm o mesmo tom para eles, como o tão famoso desafio de Pedro ao Sinédrio. “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens”! (At 5:29, ARC, Pt)


****

Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: