… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 21 de abril de 2017

21 de abril de 1109 • O «argumento ontológico» de Anselmo de Cantuária prova a existência de Deus

21 de abril de 1109 O «argumento ontológico» de Anselmo de Cantuária
 prova a existência de Deus
Quando Anselmo morreu neste dia, 21 de abril de 1109, a Igreja perdeu uma grande mente e a Inglaterra um reformador zeloso. Anselmo esforçou-se por reformar a Igreja, porque ele tentou acabar com abusos, como o comércio de escravos. Ele pediu a realização de sínodos regulares, e, quando ele foi arcebispo, realizou-os. Por causa de seu intelecto poderoso, alguns estudiosos consideram-no um dos criadores da escolástica. Mas o seu dom mais notável foi a história que se tornou conhecida como a prova ontológica da existência de Deus.

Anselmo de Cantuária (1033/1034, Aosta - 21 de abril 1109, Canterbury), nascido Anselmo de Aosta (por ser natural de Aosta, hoje na Itália), e, também, conhecido como Santo Anselmo, foi um influente teólogo e filósofo medieval italiano de origem normanda.

Foi Arcebispo de Cantuária entre 1093 e 1109 (sucedendo a Lanfranco, também um italiano), por nomeação de Henrique I, de Inglaterra, de quem foi amigo e confessor, mas depois divergiu com ele na Questão das Investiduras. É considerado o fundador do escolasticismo e é famoso como o criador do argumento ontológico a favor da existência de Deus.

Anselmo buscava um argumento para provar a existência de Deus e a Sua bondade suprema. Pode a existência de Deus ser provada? Anselmo pensava que sim. Os filósofos e teólogos modernos discordam. No entanto, é o argumento de Anselmo, a prova ontológica, que continua a ser a mais problemática para aqueles que a refutam.

O argumento de Anselmo diz qualquer coisa como isto: «Quando discutimos a existência de Deus, nós definimo-Lo como um ser perfeito, maior do que qualquer outra coisa que possa ser concebida. Se Deus não existe, então o nome de “Deus” refere-se a um ser imaginário. Isso faz com que a definição de “Deus” seja contraditório, para ser real, para ser viva, para ter um poder maior do que possa ser imaginado. É claro que não posso sequer discutir a palavra “Deus”, conforme o conceito de “Deus” se Ele não existir, porque eu tenho de concebê-Lo como Ele realmente existe, a fim de que Ele seja maior do que qualquer outra coisa, porque um Deus que não existe não é maior do que qualquer outra coisa.»

Em resumo, nenhum filósofo pode legitimamente argumentar que Deus não existe, se ele define Deus como um ser perfeito superior a qualquer um que se possa imaginar, por ser perfeito, Deus deve ter existência real. Aqueles que reconhecem que Ele existe, não têm um problema com a auto contradição quando afirmam a Sua existência. Desde que nós podemos realmente levantar a questão da existência de Deus e discutir o assunto, então Deus deve existir. Bertrand Russell, um dos maiores lógicos e matemáticos do século XX, que não foi simpatizante do Cristianismo, deparou-se com a prova de Anselmo e por uma vez ele disse ter pensado que a prova funcionou.

Como arcebispo de Canterbury, o zeloso Anselmo lutou com o rei Guilherme pelos direitos da Igreja. Ele foi exilado. Recebeu doações de terras para a Igreja, mas brigou com Guilherme, o Ruivo, rei da Inglaterra, pois não queria fazer comércio com os bens da Igreja. Isso foi considerado um desrespeito ao poder real, e Guilherme impediu Anselmo de viajar para Roma, desafiando o poder da Igreja. Como teólogo, o piedoso Anselmo é lembrado pelo seu livro “Por que Deus Se fez homem?” Nele, ele argumentou que cada um de nós tem acumulado uma tal dívida de pecado que não há nenhuma maneira pela qual nós possamos pagar a Deus. Cristo, como Deus infinito, tem o mérito suficiente para pagar as nossas dívidas. Como erudito, o sábio Anselmo argumentou que nós devemos crer para compreender. Poderíamos refazer a sua visão em termos modernos como este: a verdade só começa a ficar clara quando se está comprometida com ela. Não se pode ver uma curva numa pista a menos que andes em direção a ela.

Anselmo morreu cercado por amigos que colocaram o seu corpo em cinzas, no chão. Ele, provavelmente, foi canonizado em 1494 pela Igreja Católica Romana, embora haja um debate sobre se isso ocorreu de facto, e foi declarado Doutor da Igreja Católica em 1720, pelo Papa Clemente XI. Deixando o seu estado beatífico de lado, Anselmo será lembrado como o autor da prova ontológica.



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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