… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 de abril de 799 • Leão III é atacado em plena luz do dia durante uma procissão

25 de abril de 799Leão III é atacado em plena luz do dia durante uma procissão
Coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III (ano 800)(Pintura de Friedrich Kaulbach, em 1861)

Pascal, o Primicerius, um sobrinho do Papa Adriano I foi um mau perdedor. Ele queria ser papa, mas em 795, Leão foi instalado em seu lugar. Com os seus amigos íntimos, Pascal traçou uma vingança cruel. Neste dia, 25 de abril de 799, enquanto o Papa Leão III ia na procissão das Ladainhas Grandes (uma forma de oração cantada com responsórios para a festa canónica do Dia de São Marcos, celebrado a 25 de abril na Igreja Católica Romana), homens armados atacaram-no.



Eles afugentaram a procissão e apanharam Leão, furam-lhe os olhos e tentaram cortar-lhe a língua. O Papa Leão III caiu sangrando na rua. Os bandidos, em seguida, arrastaram-no para a capela de S. Silvestre e furaram-lhe os olhos novamente. Por fim, deixaram-no no mosteiro de Erasmo.



Mais tarde, milagrosamente, o Papa Leão III recuperou a visão e o uso da sua língua. Alguns dos seus amigos ajudaram-no a fugir do mosteiro, e, eventualmente, ele trabalhou à sua maneira, através dos Alpes para chegar à corte de Carlos Magno. O Rei dos Francos recebeu o Papa Leão III com simpatia e restabeleceu-o em Roma sob a proteção do seu próprio exército. Os habitantes de Roma aplaudiram.



Os homens de Pascal fizeram acusações à toa contra o Papa Leão III. Este pediu aos bispos para que julgassem Pascal. Eles recusaram-se, e assim ele jurou na Catedral de S. Pedro que estava inocente das acusações. Carlos Magno ordenou que os conspiradores fossem executados, mas o Papa Leão III, lembrando-se do mandamento de Cristo para perdoarmos aos nossos inimigos, implorou-lhe pela vida deles. Por fim, eles foram apenas exilados.



Enquanto Carlos Magno viveu, ele e o Papa Leão III mantiveram uma estreita relação de trabalho, provavelmente a melhor de sempre, entre os francos e os papas. Dois dias depois do dia de Natal de 800, Carlos Magno ajoelhou-se na Catedral de S. Pedro, e Leão colocou uma coroa de jóias na sua cabeça. A multidão gritou: “Para Carlos, o mais pio Augusto, coroado por Deus, o nosso maior e mais pacífico imperador, vida e vitória!”



Coroando Carlos Magno Imperador do Império Romano do Ocidente, o Papa Leão III estava, na verdade, alegando que os imperadores recebem a sua autoridade da Igreja, uma proposição que seria intensamente testada nos séculos vindouros. De qualquer maneira, Carlos Magno protegeu o Papa Leão III, e os dois em conjunto trabalharam para manter a paz na Itália, e, na verdade, em certa medida, em todo o mundo mediterrâneo. Carlos Magno ofereceu, também, ricos tesouros ao Papa Leão III fruto das suas conquistas, com o qual o papa embelezou a cidade de Roma e assistiu os pobres.



Depois de Carlos Magno morrer em 814, os inimigos do Papa Leão III ressurgiram. Desta vez, o Papa Leão III descobriu a tempo a conspiração, prendendo os conspiradores antes que eles o pudessem atacar.



Tinham os anos endurecido o Papa Leão III? Desta vez não houve clemência: eles foram mesmo executados.



Leão III (Roma, ca. 750 - 816) foi Papa e santo da Igreja Católica. Romano, de origem modesta, exerceu quando jovem, o ofício de “vestararius” (responsável pelas roupas e pelos objetos preciosos) na basílica de Latrão, em Roma. No mesmo dia da morte do Papa Adriano I (26 de dezembro de 795), o clero, contrariando abertamente a nobreza romana, nomeou-o Papa. A sua eleição provocou graves desordens em Roma, sobretudo entre os partidários do papa que morrera, que viam os seus interesses ameaçados.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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