… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 8 de abril de 2017

8 de abril de 1901 • Chalmers e companheiros servidos como prato principal de um banquete


8 de abril de 1901Chalmers 




e companheiros servidos como prato principal de um banquete


Em 1900, após a morte da sua segunda esposa, James Chalmers foi instado a que regressasse de Papua a Inglaterra, a fim de tivesse um tempo de descanso. “Eu não posso descansar, enquanto houver perto de nós tantos milhares de selvagens sem conhecimento de Cristo!”, respondeu ele. A 4 de abril de 1901, o veterano missionário embarcou para Goaribari Island numa lancha a vapor. Com ele ia Oliver Tompkins. Os dois homens britânicos e os evangelistas nativos que os acompanhavam nunca mais foram vistos vivos pelos seus colegas de trabalho missionário.

Chalmers prometeu tornar-se missionário em 1856, quando tinha quinze anos. Isto foi um impulso pueril depois de ouvir o seu pastor ler uma carta sobre o trabalho missionário das ilhas Fiji. Nessa época, apesar de ser um rapaz corajoso, Chalmers não tinha entregue ainda o seu coração a Deus. Para ele, salvar um amigo de afogamento, ou arriscar a sua vida num barco improvisado era um divertimento. Ele tornou-se o líder de um grupo de arruaceiros, e estava sempre no meio de cada zaragata com os habitantes das aldeias vizinhas. O bando de Chalmers estava determinado a acabar com uma reunião de pregação do Evangelho. Um amigo implorou-lhe que assistisse à reunião num espírito ordeiro, e Chalmers assim fez. Ele convenceu-se de que precisava de seguir a Cristo. Depois dele tomar essa decisão, aos dezoito anos de idade, começou imediatamente a pregar aos outros.

Lembrou-se da sua promessa de se tornar missionário e esforçou-se para obter a educação que precisava para isso. De qualquer forma, ele tinha dificuldades de aprendizagem e viu-se atrapalhado com os seus estudos, em algumas ocasiões. Porém, os seus colegas de estudo lembram-se mais dele pelas espantosas brincadeiras dele do que pelas boas notas que ele conseguia nos estudos. Uma vez, ele conseguiu assustar a todos, ao aparecer na sala de jantar vestido com uma pele de urso!

Finalmente Chalmers partiu para os Mares do Sul com a sua esposa Jane. Na sua viagem para Rarotonga, naufragaram e completaram a viagem a bordo de um navio pirata. Bully Hayes, o capitão pirata, ficou tão impressionado com Chalmers, que lhe permitiu realizar serviços religiosos e até disse aos seus homens para participarem neles! Os ilhéus não conseguiam pronunciar o seu nome e chamavam-lhe Tamate. Tamate provaria quão audaz era, onde quer que fosse, e teimoso também!

Após a sua transferência para Papua, foi-lhe necessário reunir toda a sua ousadia. As condições eram terríveis. A crueldade, a guerra contínua, e o canibalismo eram a norma. Foi com muita paciência cristã e com muita tenacidade e sem pressas que Chalmers consegui disseminar o Evangelho ao longo das costas húmidas da grande ilha. Ele, literalmente, arrancava as maças e as espadas das mãos do inimigo para salvar a sua vida e a dos seus. Numa região, ele influenciou de tal modo os nativos que a paz prevaleceu e o canibalismo foi deixado durante cinco anos, depois da sua chegada a essa região.

O escritor Robert Louis Stevenson, autor de “A Ilha do Tesouro”, numa ocasião, passou várias semanas a bordo de um navio com Chalmers. “Fui levado por uma tempestade a conhecer o mais atraente, simples, corajoso e interessante homem em todo o Pacífico”, escreveu ele, acerca de Tamate . Se ele tivesse conhecido o missionário mais cedo, teria redirecionado a sua própria vida, chegou a pensar algumas vezes o escritor. Mais tarde, Robert Louis Stevenson escreveu numa carta: «Espero encontrar-me uma vez mais com Tamate antes que ele desapareça no Fly River (Fly River é uma das 20 províncias da Papua-Nova Guiné), talvez ele seja um dos “bravos sem regresso”».

Chalmers foi um dos “bravos sem regresso”. Neste dia, 8 de abril de 1901, Tamate, Tompkins e vários outros evangelistas nativos foram cercados por selvagens armados. A estes tinha sido prometido um banquete. Os missionários (que sempre viajam desarmados) foram abatidos por detrás e mortos. Os seus corpos foram cozinhados com sangue e servidos como prato principal do banquete que lhes tinha sido prometido!

James Chalmers nasceu em Ardrishaig, Argyleshire, Escócia, em 4 de agosto de 1841 e morreu em Risk Point, ilha Goaribari, na Nova Guiné em 8 de abril de 1901. Convertido aos catorze anos idade logo se sentiu chamado para ser missionário. Depois de estudar em Cheshunt College e em Highgate, uma instituição dirigida pela London Missionary Society, foi enviado para Raratonga, uma das ilhas do arquipélago Cook, no Pacífico meridional, aonde chegou em 1867. A ilha tinha sido parcialmente cristianizada, tendo ele aí feito um bom trabalho nos campos da educação e evangelização. Em 1877 mudou o seu campo missionário para a Nova Guiné, onde encontrou canibais e fez um memorável trabalho à custa da própria vida. Numa das suas inúmeras viagens foi assassinado, neste dia, 8 de abril de 1901. Foi um dos heróis missionários dos mares do Sul, conjuntamente com John Williams (1717-1791) e Patterson.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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