… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

26 de abril de 860 • Pascásio Radberto escreveu sobre o Corpo e Sangue de Cristo

26 de abril de 860 Pascásio Radberto 
escreveu sobre o Corpo e Sangue de Cristo

Tão longe quanto a História pode afirmar, a primeira pessoa a escrever um livro exclusivamente sobre a Eucaristia (Santa Ceia) foi Pascásio Radberto, em 831. O livro foi “De Corpore et Sanguine Domini” “Do Corpo e Sangue do Senhor.” (831–833) Ainda que ele não tenha usado o termo, nele ensinou a transubstanciação, a crença de que a substância do pão e do vinho se torna realmente no Corpo e no Sangue de Cristo, pela fé.

Pascásio adotou uma visão literal em oposição a uma visão metafórica das palavras de Cristo: “Isto é o Meu corpo partido que é partido por vós.” Muito apressadamente, ele fez desta passagem o seu principal ponto e insistiu nela através de muitos argumentos. “Mas estes [o pão e o vinho] devem ser considerados como sendo de pleno direito, após a consagração, nada senão a Carne e o Sangue de Cristo” afirmava Pascásio Radberto na sua obra citada.

No ponto de vista de Pascásio, Deus milagrosamente cria o histórico corpo físico de Cristo na Eucaristia, sempre que o pão é consagrado. “Na verdade, o Corpo e o Sangue são criados pela consagração, ninguém duvida dos que crêem nas palavras divinas quando a Verdade diz: “Porque a Minha carne é verdadeiramente comida e o Meu sangue é verdadeiramente bebida.” Se isto é assim, o que come o incrédulo, que aceita o pão sem fé? Desde que ele não discirna o corpo de Cristo, diz Pascásio (citando o Apóstolo Paulo), o que ele come traz juízo sobre si.

Pascásio enfatizou a união mística com Cristo. Cristo ensinou que: “Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele.” A Eucaristia tomada com um espírito digno une o crente com Cristo.

Os contemporâneos de Pascásio Radberto criticaram o seu ponto de vista como muito imperfeito e materialista. A maioria deles defende uma interpretação mais simbólica do Corpo e do Sangue de Cristo. Pascásio defendeu os seus pontos de vista numa famosa carta. Sendo um erudito muito lido, ele era capaz de construir uma defesa resistente. Ele tentou mostrar que estava de acordo com os escritos dos Padres da Igreja.

Berengário de Tours (ca. 1000 - 1088) desenvolveu conceitos semelhantes aos de Pascásio Radberto no século XI. A palavra “transubstanciação” estava pelo seu uso difundindo no Ocidente pelo final dos anos do século XII. A crença na transubstanciação foi definida no Concílio de Latrão de 1215. Posteriormente no século XII, Tomás de Aquino (Roccasecca, 1225 — Fossanova, 7 de março 1274) com a sua escolástica, formulou a doutrina da Transubstanciação. O Concílio de Trento (1545-1563), reafirmou a doutrina. Era (e é) uma das principais questões que separam os cristãos Protestantes e cristãos Evangélicos dos cristãos Católicos.

A obra de Pascásio não poderia ter alcançado a influência que teve, já que foi divulgada como sendo uma obra de Agostinho de Hipona. Isto deu-lhe credibilidade porque Agostinho era muito conhecido e Pascásio era um obscuro monge beneditino. Pascásio deve ter tido uma considerável capacidade intelectual porque, não obstante, sendo ele apenas um simples diácono, foi escolhido para abade de Corbie. Ele buscou a reforma da sua abadia, mas demitiu-se em 851, quando as suas alterações foram rejeitadas. Ativo em sínodos da igreja e como escritor, viveu alguns anos em São Riquier, após a sua resignação.

Pascásio morreu neste dia, 26 de abril de 865, no convento de Corbie, para onde tinha regressado.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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