… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

19 de maio de 804 • Alcuíno, o académico mais sábio de Carlos Magno

19 de maio de 804Alcuíno, o académico mais sábio de Carlos Magno
O jovem Rabanus Maurus (Rabano Mauro), apoiado pelo abade Alcuíno, entrega um dos seus escritos ao arcebispo Otgar de Mainz (iluminura de um manuscrito de Fulda do período 830-840).

A Inglaterra perdeu o seu maior professor daquele tempo e a Europa Ocidental, ganhou um dos seus melhores estudiosos ao longo dos séculos, quando Alcuíno de York, na Inglaterra, se reuniu a Carlos Magno em Parma, em 781. O nobre inglês assumiu a liderança da escola de York, conquistando uma reputação internacional. Carlos convenceu-o a partilhar os seus talentos com o seu império e para isso deu-lhe as abadias de Ferrières e de St. Loup. Imerso na tradição pedagógica de Beda, Alcuíno motivou os francos a adquirirem um pouco da aprendizagem que deviam possuir na chamada "Idade das Trevas".



De 782 a 790 ele transplantou a aprendizagem anglo-saxã para o Continente Europeu. Além da elaboração de livros elementares, em forma de diálogo e de quebra-cabeças que apelavam para o uso judicioso da geometria e da álgebra, ele reformou as leis francas e aconselhou o imperador. Foi Alcuíno quem pediu a Carlos Magno que respondesse sem demora ao Papa Leão III, forçando o Prelado a encontrar-se com o Imperador. Infelizmente, o Imperador não o ouvi quando Alcuíno lhe pediu para não forçar a conversão dos saxões pagãos, os quais retaliaram com a guerra e a carnificina.



Alcuíno fundou a biblioteca do palácio carolíngio e desenvolveu uma caligrafia de carateres pequenos chamados Carolíngios Minúsculos (cursivo) que permitia escrever mais do que antes numa única página do caro pergaminho. De grande beleza, este tipo de letra foi posteriormente utilizada pelas primeiros impressoras. Os Manuscritos copiados sob a liderança de Alcuíno eram famosos pela sua caligrafia.



Em 790 Alcuíno regressou a Inglaterra, mas foi chamado para o Continente por Carlos Magno, ao fim de poucos anos. Ao professor-sacerdote foi dada a abadia adicional de St. Martin em Tours. Imediatamente, esta se tornou um radioso farol para os estudiosos da Europa, desejosos de aprender com o mestre. Um dos seus alunos mais notáveis foi o enciclopedista Rhabanus Maurus. Alcuíno resumiu a sua própria contribuição, dizendo: "Dispensado o mel da Escritura, os meus alunos embriagados com o vinho do conhecimento antigo, alimentando-os com as maçãs do requinte gramatical, e adornando-os com o conhecimento da astronomia."



Na verdade, a Alcuíno a astronomia importava apenas na medida em que ela era útil para calcular a data mais importante para os cristãos: a Páscoa. Nem a sua astronomia, nem os seus outros escritos eram muito original. As suas cartas, no entanto, abriram uma janela para o futuro. 312 delas sobreviveram, endereçadas aos seus destinatários por alguma característica pessoal ou pelos seus nomes latinizados. Todas foram escritas em latim, assim como os seus sermões, poemas, teologia, epístolas, e história.



Alcuíno era estritamente ortodoxo, um provedor do Evangelho e da virtude. Ele elevou o nível de conhecimento dos clérigos e estimulou o espírito de uma era sitiada pelas invasões bárbaras. Ao fazer isso, ele moldou o teor do ulterior pensamento europeu e deixou um legado de mentes treinadas para manter vivas as brasas da religião, da cultura e da ciência na Europa. Ele morreu neste dia, 19 de maio de 804.



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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