… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

8 de maio de 1603 • Quem é eleito? Armínio divergiu de Calvino

8 de maio de 1603 Quem é eleito? Armínio divergiu de Calvino
 Jacob Armínio por David Bailly, 1620
Depois de uma longa troca de cartas, os curadores e burgomestres de Leiden nomearam oficialmente Jacob Armínio (10 de outubro de 1560 – 19 de outubro de 1609) Professor de Teologia na sua universidade, neste dia, 8 de maio de 1603. Quando foi proposto pela primeira vez para o lugar, Armínio duvidava que iria assumir o cargo. Ele havia estabelecido fortes laços de amor com o seu rebanho, em Amesterdão. Além disso, ele encontrou na investigação teológica um obstáculo ao seu crescimento na santidade pessoal. A sua relação de trabalho com as autoridades de Amesterdão era boa e ele raramente achou necessário opor-se-lhes por causa da sua consciência. Mais importante ainda, ele tinha um contrato vitalício com a cidade de Amesterdão, que ele não poderia simplesmente quebrar.

Armínio era um ministro muito querido na cidade de Amesterdão. Ele tinha estado ao serviço da Igreja em Amesterdão durante quinze anos. No entanto, a possibilidade da sua nomeação de Professor para a Universidade de Leiden levantou a questão da sua ortodoxia. Calvino (Noyon, 10 de julho de 1509 — Genebra, 27 de maio de 1564) e Beza [Teodoro de Beza (Théodore de Bèze ou de Besze) (24 de junho de 1519 – 13 de outubro de 1605)] ensinaram que Romanos 7 se refere a um homem regenerado. Armínio declarou que era a descrição de uma pessoa não regenerada. O seu principal adversário em Leiden, Franciscus Gomarus, confessou que nunca tinha lido os trabalhos de Armínio. Depois de Armínio explicar os seus pontos de vista, Gomarus concordou que eles eram defensáveis, se bem que não fossem a interpretação que ele preferia. Armínio mostrou que a sua posição tinha sido sustentada por um grande número de eminentes teólogos da história da igreja. Todos estavam apaziguados.

As autoridades de Amesterdão foram persuadidas a dispensar Armínio. A cidade prometeu fornecer à sua viúva uma pensão no caso dele vir a morrer antes dela e deram-lhe, também, um presente substancial de despedida. A sua a nomeação tinha levantado o seu último obstáculo.

No entanto, Armínio não tinha visto ainda o fim da controvérsia. Em Leiden, ele envolveu-se em argumentos teológicos que não eram da sua própria escolha. Ele foi obrigado pelo calendário das palestras a falar sobre a predestinação, um tema sobre o qual as suas opiniões eram já suspeitas aos calvinistas estritos. A palestra consistia quase inteiramente na leitura da Escritura com o mínimo de comentários de Armínio. Mesmo sendo muito cuidadoso nas citações bíblicas durante a sua palestra, que não seguiam muito de perto a linha calvinista, como desejavam os calvinistas, estes, então, desafiaram-no. Os calvinistas estritos criam que Cristo morreu apenas pelos eleitos. Armínio afirmava que Cristo morreu por todos (ainda que nem todos seriam salvos). “Aqueles que rejeitam o ensino [que Cristo pagou o preço pelos pecados de todos os homens] considerem como podem eles responder às seguintes escrituras, que declaram que Cristo morreu por todos os homens ...”. Ele também afirmou que as pessoas têm um genuíno livre-arbítrio e que a graça é resistível. Os pontos de vista calvinista parecia impedir o livre arbítrio, porque eles afirmam que a graça é irresistível.

Armínio esforçou-se muito por manter a paz, retendo mesmo deliberadamente alguns dos seus pontos de vista. Ele testou cada um deles para se certificar que nenhum deles anulasse a doutrina da salvação pela fé. Além disso, ele teve o cuidado de evitar qualquer coisa que cheirasse a pelagianismo. Ele nunca negou a predestinação. Tudo era feito por escolha de Deus. Deus predestinou aqueles que Ele sabia que iriam obedecer-Lhe na fé.

Após a sua morte, a teologia de Armínio foi condenada pela maioria calvinista no Sínodo de Dort (1618-1619). Mas em 1795 os holandeses reconheceram-na como uma legítima interpretação das Escrituras. Muitos protestantes notáveis defenderam posições teológicas arminianas, incluindo os wesleyanos (metodistas). Os protestantes estão frequentemente divididos em arminianos e calvinistas.

Jacob Armínio (James Arminius, Jacob Harmenszoon; 10 de outubro de 1560 – 19 de outubro de 1609) nascido em Oudewater, na Holanda, foi educado nas universidades de Marburg (1575) e Leiden (1576-81), na academia em Genebra (1582, 1584-86) e em Basileia (1582-83). Foi pastor de uma congregação em Amsterdão (1588-1603) e professor da Universidade de Leiden desde 1603 até à sua morte, em 1609.

Não escreveu uma teologia sistemática completa, como João Calvino o fizera, mas deixou uma quantidade considerável de escritos produzidos tanto durante o seu pastorado de quinze anos como quando era professor em Leiden. O seu tratado sobre Romanos 7 interpretava os vv. 7-25 como o retrato de uma pessoa despertada (vv. 12, 21) mas não regenerada (vv. 15, 18, 24). Escreveu um tratado sobre Romanos 9, no qual interpretou esta passagem, usada por muitos calvinistas para ensinar a predestinação incondicional, para ensinar somente a predestinação condicional. Um dos seus escritos mais significantes é o seu “Exame do Panfleto de Perkins”, uma resposta do tipo “predestinação condicional” à opinião de William Perkins (Bulkington, Warwickshire, 1558 — 1602), de Cambridge. A sua “Declaração de Sentimentos” (1608), que apresentou às autoridades do governo em Haia, demonstrava os seus argumentos contra o supralapsarianismo (a opinião de que o destino de cada pessoa foi determinado por Deus antes da queda de Adão). Além disso, procurou obter um “status” favorável na Holanda para o seu próprio tipo de ensino a favor da predestinação condicional. Também escreveu tratados tais como “Uma apologia contra trinta e uma apresentações incorretas das suas opiniões”, que já haviam circulado durante algum tempo; “Controvérsias Públicas”; e “Setenta e Nove Controvérsias Particulares” (uma publicação póstuma das suas anotações para as suas aulas de teologia em Leiden).

Arminius foi o expositor mais capacitado daquilo que vários outros já estavam ensinando: que a predestinação divina dos indivíduos baseia-se na Sua presciência do modo pelo qual eles, espontaneamente, aceitarão ou rejeitarão Cristo (no contexto da graça preveniente).

Os seus ensinamentos foram promovidos especialmente por João Wesley, pelos metodistas e, nos nossos dias, pelas denominações que compõem a Associação Cristã da Santidade.

Franciscus Gomarus (François Gomaer) (30 de janeiro de 1563, Bruges - 11 de janeiro de 1641, Groningen), foi um teólogo calvinista estrito, que, primeiramente, foi professor de Jacobus Arminius e depois foi adversário do ensino de Jacobus Arminius (e dos seus seguidores). Este ensino foi formalmente julgado no Sínodo de Dort (1618-1619).

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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