… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

4 de maio de 1873 • Damião toma uma decisão irrevogável

4 de maio de 1873Damião 


toma uma decisão irrevogável

O mundo da política e do jornalismo conta com poucos heróis comparáveis ao Padre Damião, de Molokai. Vale a pena procurar a que fonte ele foi buscar inspiração para tanto heroísmo.” Mahatma Gandhi, 1945

“Estou pronto para ser enterrado vivo com os pobres miseráveis.” O homem que assim falou foi o padre Damião. Os miseráveis de quem ele falava eram os párias da Ilha de Molokai. A maldição do arquipélago havaiano, tão abençoado por outras formas, era a lepra. Indivíduos com lepra eram enviados para a ilha de Molokai. A doença, que causava danos nos membros chegando à podridão e à queda destes do corpo, era tão temido que o governo havaiano havia tornado ilegal, para qualquer um que desembarcasse na ilha de Molokai, voltar para as outras ilhas. Damião sabia se ele fosse para a ilha de Molokai não poderia regressar. Neste dia, 4 de maio de 1873, Damião toma uma decisão irrevogável. Ele teria de enfrentar as portas do Inferno.



As condições de vida na ilha de Molokai eram bestiais. Meninas a quem acabara de ser descoberta lepra, ao serem abandonadas neste local, eram logo estupradas por homens com cara de demónio, em decadência final. Os leprosos mais fortes expulsavam das cabanas os mais fracos para que morressem. As cabanas ali existentes estavam imundas, cheias com doença e desespero. A maioria dos doentes cheirava a carne em decomposição.



Damião, perante este degradante espetáculo, ficou branco como a cal da parede. Todavia, ele orou para ser capaz de ver Cristo nas formas medonhas que tinha diante de si. Sendo-lhe dada uma última oportunidade para ele sair da ilha Molokai, recusou-se. Tinha-se oferecido para o Inferno e pretendia cristianizá-lo.



Filho de um fazendeiro flamengo, Damião entrou no sacerdócio com grande ardor. A sua presença no Havai foi o resultado de rogos incessantes. Uma vez lá, ele tinha de provado a si mesmo ser um evangelista determinado. Mas ele nada tinha feito antes que pudesse comparar-se com os esforços que ele fazia agora.



Embora a água fosse abundante nas montanhas, havia pouca no povoado. Damião ia buscar diariamente água da montanha em baldes. Mais tarde, construiu uma calha que levava um fluxo de água da montanha até às suas casas. Ele desenvolveu as fazendas. Os leprosos apáticos haviam negligenciado mesmo o mais rudimentar esforço. Queimou as piores cabanas e limpou o resto. De serra e machado na mão, construiu casas novas. Construiu um cemitério. De agora em diante, aqueles que morressem seriam devidamente enterrados. Preparou uma lixeira e limpou a aldeia e os seus arredores. Fechou os engenhos da produção de álcool.



E ele evangelizou-os! A sua conversa animada levou dezenas deles a Cristo. Os mesmos homens que haviam roubado as cabanas e expulso os companheiros mais fracos, agora vinham para que Damião os batizasse.



Invejosas, as autoridades do país, que pouco tinham feito para com os leprosos, espalharam histórias escandalosas sobre Damião. Mas ele continuou a trabalhar silenciosamente. Doze anos depois dele chegar à ilha, descobriu que os seus pés estavam leprosos. Quatro anos mais tarde estava morto. O seu heroísmo silencioso ganhou fama mundial. Trouxe novas doações para a ilha e uma equipa de enfermeiros e doutros auxiliares. Pela sua própria arrepiante morte em vida, ele assaltou as portas do Inferno.



Damião é o nome religioso de José de Veuster, nascido a 3 de janeiro de 1840, em Tremelo (Bélgica), sétimo dos oito filhos de uma família de camponeses. Entra na Congregação do Sagrado Coração em 1859; parte para o Havai, onde é ordenado sacerdote em 1864. Chega à leprosaria de Molokai em 10 de maio de 1873, e aí morre com apenas 49 anos de idade a 15 de abril de 1889.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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