… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 14 de maio de 2017

14 de maio de 1946 • Arreia-se a Union Jack, levanta-se a Estrela de David!

14 de maio de 1948 Arreia-se a Union Jack, levanta-se a Estrela de David!
David Ben Gurion lê a Declaração de Indepência do Estado de Israel no Museu de Tel-Aviv (atual Museu da Independência) algumas horas antes do término do mandato britânico sobre a Palestina.
Depois de uma espera de 1878 anos, os judeus ganham um país. Mas a independência de Israel não encerra a longa marcha: a diplomacia tem fracassado e a guerra com os árabes continua.



Na viragem do século XX, alguns livros sobre a profecia bíblica, afirmaram que isso iria acontecer. A maioria espiritualizou as previsões ou aplicou-as à Igreja.



Até ao último momento, os Estados Unidos pediram cautela. Aceitar uma trégua e não declarar a independência, aconselhava o general norte-americano Marshall. Ele ressaltava que a guerra com os vizinhos árabes seria inevitável se os judeus fossem adiante com os seus planos. Os Estados Unidos, afirmou ele, não podiam ajudar Israel. Se bem que os sionistas tivessem ganho o controlo das linhas internas na Palestina, as forças dos seus vizinhos árabes ao redor deles eram enormes e incluindo até soldados britânicos bem treinados. Os árabes eram em maior número do que os judeus e a qualidade do armamento dos árabes era melhor. Além disso, eles dominavam metade de Jerusalém. A liderança judaica discutiu o problema durante toda a noite de 12 de maio de 1940 e, finalmente, foi votado o prosseguimento da declaração da nacionalidade.



Às 08:00 horas, neste dia, 14 de maio de 1948, os britânicos, que controlavam a Palestina, arrearam o seu Union Jack (nome dado à sua bandeira) de Jerusalém. Para os árabes este era o sinal para a guerra. A meio da tarde, desse dia, o conflito estava no auge em toda a Terra Santa. Às 16 horas, Ben-Gurion leu a Declaração de Independência de Israel. Os sofrimentos dos judeus e as suas raízes históricas na Palestina, dava-lhes o direito moral de possuir a terra, referiu ele na declaração. Após 1878 anos Israel tinha uma nação novamente - se é que conseguiria mantê-la. Os israelitas ofereciam a paz.



As cadeiras para a cerimónia da Declaração de Independência do no Estado de Israel vieram emprestadas de cafés vizinhos. Os microfones, de um empório musical. Dois carpinteiros chamados à pressa ergueram o palco de madeira num tempo recorde. Um retrato do pioneiro sionista Theodor Herzl foi colocado em posição de destaque no salão principal, ladeado por duas bandeiras gigantes com a estrela de David (símbolo ancestral do povo judeu), lavadas e passadas a ferro de forma expedita para a ocasião. Num piscar de olhos, o Museu Nacional de Tel-Aviv transformou-se para sediar uma cerimónia aguardada pelos hebreus há exactos 1878 anos – desde que a destruição do Segundo Templo pelos romanos, em 70 d. C., acabou com a soberania dos judeus em Jerusalém e deu início à segunda diáspora dos seguidores de Isaac. No compromisso deste 14 de maio de 1948, porém, a história seria finalmente reescrita: a Terra Prometida estava voltando para as mãos dos judeus.



Os convites para a Cerimónia, marcada para as 16 horas, foram impressos na véspera e distribuídos apenas na manhã do dia do evento, com um pedido de segredo aos cerca de 250 convidados para evitar qualquer interferência externa. Entre os locais, porém, foi impossível conter a alvissareira notícia, que rapidamente se espalhou por Tel-Aviv e levou, já por volta do meio-dia, uma multidão a cercar o local da Cerimónia. De qualquer forma, poucas horas depois do mandato britânico na Palestina ter acabado, sem maiores sobressaltos, numa cerimónia célere, demarcada pelas firmes pancadas do martelo de nogueira de David Ben-Gurion, presidente do Conselho Provisório de Estado sionista, a criação da nação judaica na Palestina – o Estado de Israel – foi solenemente anunciado aos quatro ventos.



Lida por Ben-Gurion e assinada pelos 24 dos 37 membros da Assembleia presentes no histórico evento, a declaração de independência do então mais novo país do globo buscou no passado histórico e no presente político as bases morais e legais para a sua fundação. O documento notificava que a Terra de Israel era o local de nascimento do povo judeu e que o movimento sionista era testemunho do papel representado pela Palestina em sua história e religião. Dizia também que a declaração de Balfour e a partilha das Nações Unidas, além do sacrifício dos pioneiros sionistas e da tormenta sofrida com o Holocausto, davam aos judeus o direito inalienável de estabelecer o seu estado no Médio Oriente. A cerimónia, transmitida pela Kol Yisrael, "a Voz de Israel", tornada rádio oficial do novo estado sionista, provocou uma explosão incontida de alegria na população hebraica em todos os rincões da Palestina. Enquanto dentro do Museu Nacional de Tel-Aviv o público, emocionado, entoava a plenos pulmões a Hatikvah (tradicional canção judaica que celebra a esperança), do lado de fora do recinto, assim como em diversas cidades da nova nação – à excepção de Jerusalém, que se encontrava sem electricidade –, os populares invadiam as ruas para congratular-se uns aos outros.



No meio dos festejos, contudo, era possível notar no semblante de David Ben-Gurion que o calejado líder não comungava do regozijo de seus pares. Antes de sair do local, acompanhado da mulher, Paula, confidenciou, diligente, a um de seus colaboradores: "Não sinto alegria dentro de mim. Apenas uma ansiedade profunda, como no último 29 de novembro [data do anúncio da partilha da ONU, aceite pelos judeus mas rejeitada pelos países árabes], em que eu mais parecia uma carpideira num banquete." Se, para muitos, o dia 14 de maio marcava o fim de um périplo de dois mil anos na busca de um lar nacional, para Ben-Gurion era apenas o começo. E a história não demorou a provar o quanto ele estava correcto.



O dia estava abafado. As tropas árabes cavalgaram para a batalha com gritos de vitória e flores nos seus veículos militares. Os árabes tinham forças aéreas, Israel nenhuma. Dos 85 mil habitantes judeus na Palestina, 30 000 tornaram-se soldados. As armas que eles possuíam eram muitas vezes antiquadas. Moshe Dayan tinha apenas duas antigas peças de artilharia para usar contra os tanques sírios, mas usou-as com tanto efeito que os tanques sírios foram derrotados. As vantagens de Israel foram a habilidade militar, profundo conhecimento do terreno, uma ideia excelente de tácticas militares, a unidade de comando e controle das linhas internas. Os judeus, todavia, pensavam que a sua perspectiva era justa, e por isso emigravam donde se encontravam disseminados e chegavam em massa ao novo Estado Israel, para ajudar o seu país. Ainda assim, os seus opositores procuravam muitas vezes desmoralizá-los e impedi-los.



A luta mais feroz foi no Sul do país contra os jordanos e os egípcios. Os judeus de Jerusalém levaram a melhor e detiveram os árabes nos pontos mais elevados. Os combates foram intensos no centro histórico da cidade e muitos morreram de ambos os lados. As tropas do General inglês Glubb aliaram-se de todo o coração com os árabes e comandaram os soldados deles contra os judeus. Mas os soldados judeus eram qualificados lutadores de rua. Com morteiros caseiros causaram muitas mortes, mais de cinquenta por cento, em algumas das companhias do General Glubb.



Quando as hostilidades cessaram, os árabes tinham apenas a posse do bairro antigo de Jerusalém. Mas a pequena força de Israel tinha mais terra do que alguém jamais teria suposto. Muitos estudantes da Escritura viram estes acontecimentos como o cumprimento das profecias bíblicas de que Israel seria restaurado como nação.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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