… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 20 de maio de 2017

20 de maio de 1940 • Partida de Bessie Fricker de navio para a ex-Guiné Portuguesa sozinha


20 de maio de 1940 Partida de Bessie Fricker de navio para a ex-Guiné Portuguesa sozinha
O círculo assinala a Guiné Portuguesa (atual Guiné Bissau) em África
“20 de maio, partida de navio para a Guiné Portuguesa sozinha.” Esta era a inscrição no diário de Bessie Fricker referente ao dia de hoje, 20 de maio de 1940. Como é que uma rapariga solteira viajou sozinha para pregar a Palavra de Deus na Guiné Portuguesa, hoje Guiné-Bissau?

Em 1932 Norman Grubb, o diretor da WEC (World Evangelization for Christ), recebeu uma visão do Senhor para as áreas não-evangelizadas da África Ocidental. Na parede da sala de oração, ele mantinha um grande mapa que tinha um enfoco especial sobre nove países da África Ocidental, incluindo a Guiné Portuguesa ou Guiné-Bissau, como é chamada actualmente. Em cada dia, o grupo da sede da missão, em Londres, na Inglaterra, pedia a Deus que chamasse pioneiros para levar a Palavra de Deus àqueles países. Os membros da missão compartilharam o desafio da África Ocidental com várias Igrejas. Foi assim que o Senhor falou com Bessie Fricker sobre o povo da então Guiné Portuguesa.

Em 1884, uma missão protestante solicitou ao governo português que autorizasse o trabalho na Guiné, mas este rejeitou. “Já temos sacerdotes suficientes para as necessidades espirituais do povo,” foi a resposta. Do ponto de vista do governo, nada havia mudado, porém os cristãos evangélicos haviam começado a orar e Deus estava chamando missionários cristãos evangélicos.

Bessie nasceu numa família pobre em Londres. Saiu da escola depois de uma educação mínima e foi trabalhar como empregada doméstica (vulgo criada) para ajudar na renda familiar. Os seus pais não eram cristãos, porém Bessie costumava ir à missão que havia próxima da sua casa. Ela ia aos cultos porque frequentemente recebia alguma comida ou roupas. Após quatro anos de iniciar visitas àquela missão recebeu Jesus como seu Salvador. Tinha então 19 anos de idade.

Desde sempre, Bessie desejava ela própria ser missionária. Deus desafiou-a com a ideia de ir até a África, porém, como é que ela poderia realizar isso?

A sua família dependia do ordenado de Bessie. O seu noivo apesar de ser cristão, não tinha interesse no campo missionário. Como poderia ela entrar na Escola Bíblica com tão pouca escolaridade? Como poderia ela aprender uma língua estrangeira? O Senhor solucionou cada um dos seus problemas. Ela acabou o seu noivado, a Escola Bíblica aceitou-a e os seus professores ajudaram-na de tal modo que ela teve a máxima nota no exame de hebraico. A sua mãe apesar de não ter interesse no Evangelho, não se opôs.

Bessie queria ir para algum lugar onde o Evangelho ainda não tivesse sido pregado. Na Semana Santa de 1936 o Senhor chamou-a para a Guiné Portuguesa, e os líderes da Missão concordaram. Portanto, Bessie era parte da resposta de Deus às orações feitas, pedindo obreiros para os nove países da África Ocidental. Em julho de 1936 ela chegou a Angola para aprender português e para se preparar para a vida em África.

Era uma equipa de três missionários, dois homens e Bessie. Os três mudaram-se para as ilhas de Cabo Verde em junho de 1939, donde os dois homens: Cliff Gaye e Bill Griffiths, partiram à frente de Bessie para a Guiné Portuguesa. Esta por ser uma senhora solteira teve de aguardar na Praia (Capital de Cabo Verde, tanto antes como agora depois da independência) e ficou muito desanimada.

Leslie Brierley, que estava trabalhando no Senegal conheceu os outros dois missionários na Guiné Portuguesa e fizeram um levantamento das condições do lugar. Havia muitos problemas: a lei dizia que eles precisavam de construir uma casa de culto exatamente de acordo com os padrões europeus, porém eles não tinham dinheiro suficiente nem sequer para uma construção simples. Além do que a Segunda Guerra Mundial tinha começado e eles sentiam a obrigação de regressar a Inglaterra e alistar-se.

Passado um tempo os dois missionários: Cliff Gaye e Bill Griffiths deixaram a Guiné Portuguesa e voltaram para as ilhas de Cabo Verde. Leslie Brierley, um dos missionários que ficara na Guiné Portuguesa, percebeu que as Ilhas de Cabo Verde eram um lugar que estava completamente aberto à Palavra de Deus, até porque já havia vários trabalhos evangélicos. No entanto, os outros dois homens foram trabalhar para lá. Ele teve de regressar para o seu antigo campo missionário, no Senegal.

“Aguardar! Aguardar! Sempre aguardar!” Bessie sentia-se muito frustrada. Não foi fácil, mas o Senhor tinha muito para lhe ensinar. A vida na Praia (Cabo Verde) não se parecia em nada com a vida na estação missionária, na mata em Cabinda, Angola. Ela teve de aprender como vestir-se e como comportar-se perante os oficiais do governo colonial português. Lições estas que se vieram a mostrar muito importantes para uma futura diretora da missão!

Dona Libânia tinha-se convertido através de Bessie na Praia. Ela já havia trabalhado em Bissau como costureira e estava disposta a ir para a Guiné com Bessie, mas não poderia ir antes do fim de junho. Era aconselhável que a viagem para a Guiné Portuguesa fosse realizada antes da época das chuvas, e por essa razão Bessie Fricker estava abordo de um navio, sozinha, neste dia, 20 de maio de 1940.

Bessie Fricker aportou em Bolama, a capital da Província da Guiné Portuguesa, sozinha, mas, verdadeiramente, o SENHOR foi à sua frente. Em cada lugar onde ela ia, ela encontrava pessoas que a ajudavam. Até mesmo no barco em que ela viajara para Bolama, ela encontrou-se com um juiz que ela havia conhecido em Angola. Assim que ela chegou a Bolama, reconheceu um homem e a irmã dele, que ela tinha conhecido na sua anterior viagem para Angola. Também o diretor da Companhia Telegráfica, que tinha ajudado os seus colegas em 1939, e que ainda lá premência em serviço, ajudou-a a desembarcar, e também a obter o visto necessário para ele poder ir ao banco e a fazer os necessários trâmites oficiais. Mas, quando ela procurou um hotel, não havia vagas. Estava totalmente lotado! Mas Deus não a tinha esquecido. Um cristão evangélico da cidade da Praia que estava de viagem para Bissau, cedeu-lhe o seu quarto. Na manhã seguinte ela tinha de ir ao comissário distrital. Ele permitiu que ela ficasse na Guiné, e até, inclusivamente, deu-lhe permissão para ela viajar pelo interior da Colónia.

Bessie Fricker mudou-se pouco depois de Bolama para a Bissau, a capital comercial da Colónia, para aguardar a chegada de Dona Libânia, que vinha de Cabo Verde. Depois disto, Bessie Fricker alugou uma casa com dois quartos, próximo da Catedral. Lá, elas realizaram a sua primeira reunião. Dez mulheres jovens, muito bem vestidas, estiveram presentes; ficaram conversando entre si o tempo todo, e jamais voltaram para outra reunião. Porém, o Senhor gradativamente começou a trabalhar. Guilhermina Barbosa (Mimi) foi a primeira convertida. Através da sua vida transformada, os seus dois filhos também se converteram, assim como um amigo deles, Armando Santos, que trabalhava na Casa Gouveia. Dezasseis pessoas converteram-se e era frequente a presença de trinta pessoas na pequena sala, onde se realizavam os cultos.

Em outubro de 1941, Bessie Fricker recebeu alguns visitantes. Os seus colegas que trabalhavam no Senegal, tiveram de sair de lá devido à Segunda Guerra Mundial. Bessie Fricker ficou muito contente por receber David e Margaret Barron e Leslie Brierley, mas eles não puderam ficar na Guiné uma vez que o governo não lhes outorgou vistos. Desapontada, Bessie teve de vê-los partir de navio. Também Dona Libânia teve de regressar a Cabo Verde, pois tivera um ataque do coração. Um outro casal que se estava preparando para vir trabalhar para a Guiné atrasou-se uma vez mais. Todos estes problemas somados ao facto de ter contraído malária foram demais para Bessie Fricker. Ela sabia que deveria partir e deixar a Guiné temporariamente, mas ela estava determinada a regressar. Falou com o Governador da Colónia Portuguesa e pediu um visto de saída que lhe permitisse voltar. Ele estava tão feliz em vê-la partir, que concordou com todos os seus pedidos, porém, de facto, ele fazia votos para que ela jamais regressasse para lá.~

Então, depois de dezoito meses de intenso trabalho missionário, Bessie Fricker teve de entregar aquele pequeno grupo de dezasseis novos crentes nas mãos de Deus.

Leslie Brierley era natural do norte da Inglaterra. Ele terminou a escola cedo e fez cursos de mecânica e de engenharia elétrica Converteu-se aos catorze anos de idade num encontro missionário. Aos dezoito anos ele soube que Deus o estava chamando para trabalhar na África, mas as escolas bíblicas não aceitavam pessoas com menos de vinte e um anos. Enquanto trabalhava, fez um curso bíblico por correspondência. Então em 1931, ele soube de um novo instituto bíblico que o aceitaria, apesar da sua pouca idade. Quando completou o curso, preparou-se para ir para a Gâmbia, conjuntamente com outros missionários. Antes que eles chegassem à Gâmbia, a WEC decidiu enviá-los para Casamance, no Senegal. Lá, trabalharam durante cinco anos. Assim que soube que dois colegas haviam chegado à Guiné Portuguesa, resolveu ir visitá-los. A sua análise da situação missionária feita na Giné, guiou as suas orações e os seus planos para o futuro. Quando, na Segunda Guerra Mundial, os exércitos nazis entraram em Paris, o novo governo francês expulsou todos os britânicos das suas colónias. De modo que os missionários tiveram quinze dias para arrumar as suas coisas e partir. Chegaram a Bissau, mas as suas esperanças de trabalhar lá também foram frustradas. O governo português só permitia que permanecessem lá por vinte e quarto horas. David e Margaret Barron navegaram para Inglaterra, mas Leslie foi para a Serra Leoa, e uma vez lá foi trabalhar ao serviço do governo. A guerra impedia-o, pela segunda vez, de ser missionário.

Quando Bessie Fricker saiu de Bissau, ela não foi para Inglaterra, mas navegou para Freetown, na Serra Leoa. Cinco meses mais tarde, ela e Leslie casaram-se. Em dezembro de 1942 regressam a Inglaterra. Bessie ainda estava muito debilitada e estava grávida. Mas possuía uma meta: voltar para a Guiné Portuguesa.

Bessie Fricker, agora Bessie Fricker Brierley, jamais pôde esquecer a Guiné Portuguesa. O Senhor também deu a Leslie a mesma visão. Em reuniões por toda a Inglaterra, o casal Brierley falou do pequeno grupo de crentes que a Bessie tinha deixado em Bissau. O casal Brierley pedia aos crentes que orassem por aquele grupo de crentes gineenses, e também para que o Senhor possibilitasse o seu regresso. Eles solicitaram vistos em quatro embaixadas diferentes, sem sucesso. Parecia impossível conseguir um visto para a Guiné Portuguesa. David e Margaret Barron haviam regressado a Kounkane, no Senegal, então Leslie e Bessie decidiram ir para lá e solicitaram vistos para esta viagem. Em novembro de 1944, chegaram ao Senegal. Aí pediram novo visto de entrada para a Guiné Portuguesa, mas o seu pedido de visto foi negado novamente. Parecia não haver nenhuma maneira de conseguir o visto para a Guiné Portuguesa!

Leslie sentia-se muito frustrado por não saber a língua portuguesa. Se ele soubesse falar a língua, teria tentado atravessar a fronteira e solicitar vistos em Bissau. Em maio, Bessie disse que estava preparada para deixar o seu filho, Norman, com Margaret Barron e ir sozinha para tentar o visto em Bissau. Ela já tinha a documentação oficial da sua anterior estada na Guiné. O oficial do governo francês outorgou os documentos necessários para passar a fronteira, e até mesmo lhe deu boleia até Pirada. Lá Bessie ficou aguardando durante cinco dias sem conseguir transporte para Bafatá. E por fim, estava quase a regressar a Kounkane. O que aconteceria se ela fosse apanhada sem documentos em Pirada? Se eles a expulsassem ela jamais conseguiria entrar na Guiné novamente. Ela estava tão cansada, mas apesar disso, ainda pensou em arranjar um cavalo emprestado e cavalgar até Bafatá, mas, finalmente, um caminhão chegou a Pirada.

Bessie explicou ao comissário distrital que ela já tinha morado seis anos em território português e que tinha deixado alguns pertences seus em Bissau. Ele autorizou-a a viajar até Bissau. Bessie chegou lá numa sexta-feira, à tarde. Os cristãos de lá ficaram extremamente felizes ao vê-la. Ela só poderia fazer o pedido de visto de residência ao Governador Português na segunda-feira, de manhã. No domingo, eles oraram e jejuaram. Naquele mesmo domingo, o bispo católico que tinha sido sempre muito hostil aos cristãos evangélicos, partiu para Lisboa.

Na segunda-feira de manhã, Bessie tinha uma entrevista marcada com o novo Governador, Sarmento Rodrigues (sendo Governador da Guiné Portuguesa entre 1946 e 1949), que foi muito recetivo e concordou em enviar o seu pedido de três vistos para Lisboa. O ex-governador, aquele que tinha feito votos para que Bessie não voltasse, tinha sido transferido. Ela então pediu para aguardar a resposta em Bissau. Sarmento Rodrigues ficou surpreso, mas concordou. Agora, portanto, Bessie tinha várias semanas nas quais poderia visitar encorajar e ensinar os cristãos. Finalmente, um telegrama chegou de Lisboa: “Vistos outorgados para três cidadãos britânicos.”

No entanto no Senegal, Leslie não estava ocioso. As orações do seu filhinho Norman, o desafiavam a cada noite. “Papai, por favor, traz a mamãe com sapatos, bolos e os vistos num grande caminhão.” Leslie começou a preparar a bagagem de modo que estivessem prontos quando Bessie chegasse. O Senhor tinha-lhe prometido os vistos a ele, uma casa para a sede da missão e tinha-lhe dado um plano de ação para o trabalho.

Quarenta e um dias mais tarde, quando Bessie atravessou a fronteira num grande caminhão com os vistos, ela encontrou Leslie e Norman com tudo encaixotado e prontos para partir para a Guiné Portuguesa, no dia seguinte, seis de julho de 1945.

Sendo que a capital na Guiné Portuguesa estava em processo de mudança de Bolama para Bissau, era praticamente impossível encontrar em Bissau hospedagem. No entanto, após dois dias eles receberam a promessa de uma casa com três quartos e um ambiente adequado para as Reuniões de culto. Puderam finalmente, começar o plano de ação que Deus tinha dado a Leslie, que era: Começar o trabalho em Bissau, depois Bolama, depois a seguir as Ilhas de Bijagós e a região de Balantas.

O que acontecera com aquele pequeno grupo que a Bessie havia deixado em 1941? Eles tinham continuado a reunir-se na casa que Bessie havia alugado até 1943, quando as autoridades portuguesas os proibiram de manter reuniões porque o senhor Armando Santos não era oficialmente conhecido como o líder. Mesmo assim, o grupo continuou a encontrar-se aos domingos. Às vezes, na casa de Mimi, e às vezes na casa de João Vaz, no Bairro.

No primeiro domingo após a chegada dos Brierley a Bissau, reuniram-se vinte pessoas. Cada crente testemunhou a forma como o Senhor o tinha guardado durante aqueles anos. Outros tinham-se convertido. Mimi trouxe com ela quatro ou cinco mulheres para aquela primeira reunião. Duas converteram-se poucos dias depois. Elas aguardaram durante três anos o regresso de Bessie para aceitar a Jesus. Dona Juliana e Dona Jota, tornaram-se grandes trabalhadoras para o Senhor. Pouco tempo depois, havia treze novos convertidos. Leslie formou uma comissão para organizar as coisas.

Bessie e Leslie estavam sozinhos e muito ocupados com a tarefa de encorajar e ensinar esse pequeno grupo de crentes na Guné Portuguesa. Muitos crentes ingleses e também muitos missionários cristãos evangélicos estavam prontos e dispostos a ajudá-los, porém era impossível conseguir vistos até que Edith Moules (31 de julho de 1900 – 1948), “Ma Moli,” veio visita-los. Através do seu trabalho e da sua influência, as portas finalmente abriram-se para que novos obreiros viessem para a Guiné Portuguesa.

Nas Sagradas Escrituras, no Livro dos Atos dos Apóstolos capítulo um, versículo oito diz-se: “... Serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins da terra.” Leslie Brierley, sempre teve os seus olhos fixos nos lugares afastados das grandes cidades, onde as pessoas ainda precisavam de escutar sobre Jesus. Ninguém sabia com certeza, por quanto tempo a Guiné estaria aberta para a pregação da palavra de Deus. Leslie Brierley tinha duas metas: Despertar na Igreja uma visão para o evangelismo e ensinar aos cristãos de tal modo que a igreja crescesse mesmo que os missionários tivessem de deixar essa ex-colónia portuguesa.

Leslie preparou os cristãos para assumir responsabilidade dentro da igreja. Nas segundas-feiras à noite eles tinham aula na “missão dos pescadores”. Os crentes eram ensinados a dar aulas ao ar livre ou na Escola Dominical. Aos sábados à noite a aula era repetida para praticar e no domingo pregavam sobre a mesma lição. Cinco histórias com auxílios visuais eram ensinadas nas igrejas.

A casa no centro de Bissau que tinha servido como sede da missão estava tornando-se muito pequena. O casal Brierley começou a procurar uma casa com um espaço maior. Em 1950 foi comprada uma casa nova e espaçosa em Bissau Novo. O trabalho expandiu-se para um novo distrito de Bissau, que era então uma região rural. A mudança não ocorreu sem problemas, já que alguns dos crentes viviam muito longe da missão, mas ao mesmo tempo, a igreja ganhou espaço para expandir-se. Mais tarde houve também reuniões em Gambiafada, Bandim e Chão de Papel.

É claro que houve problemas e dificuldades, mas estes só fizeram com que Leslie Brierley trabalhasse com mais intensidade ensinando e preparando evangelistas e presbíteros autóctones. Uma igreja que vai enfrentar perseguição precisa de líderes bem discipulados.

Lesley Brierley sempre esteve muito atento identificando e ensinando líderes potenciais. A primeira escola bíblica foi aberta em 1950 em Bissau Novo e contava com seis estudantes, mas logo em seguida o edifício foi destruído por um incêndio. Sendo que não havia outro lugar onde estudassem, a escola teve de ser fechada.

Em sintonia com a visão do trabalho missionários de Lesley, que era começar o trabalho em Bissau, passar para Bolama, logo depois para as Ilhas de Bijagós e para a região de Balanta. Lesley jamais esquecera as Ilhas de Bijagós. Um dia, Mimi foi a Bubaque para se submeter a tratamento médico. Ela conseguiu aí alugar uma casa, e então começou a haver algumas reuniões evangelística. Leslei foi a Bubaque a uma dessesas reuniões com um oficial distrital, em 1946. Vinte pessoas foram à Reunião, e o comissário distrital e um professor ficaram muito interessados. Mas somente quando os reforços de pessoal missionário começaram a chegar em 1949, é que os missionários puderam instalar-se nas Ilhas.

Leslie Brierley e Bessie jamais esqueceram o sul do país. Em 1946, usaram o seu carro novo para visitar Catio. Em 1950 Leslei chegou à Ilha de Nalus. Um chefe de lá, foi muito receptivo ao Evangelho e demonstrou real interesse na Palavra de Deus. Em 1956, Michael Tarrant passou lá três dias. Naquele momento já não mais havia ídolos ou os altares a destes, cada vila tinha o seu próprio missionário muçulmano e mesquitas estavam sendo construídas em todo o lugar. Todos os Nalus tinham-se tornado muçulmanos. Será que os Brierley tinham chegado tarde demais para abrir os corações?

Em 1969, Bessie morreu num acidente de carro na Inglaterra. Em sua memória, Leslei pediu ao Senhor por um novo avanço do Evangelho entre as pessoas muçulmanas da Guiné Bissau. Em 1971, este desejo/objectivo tornou-se uma meta oficial da Missão, e em 1976, David Smith e a sua família mudaram-se para Bafatá. Desde então, tem havido uma dura batalha para manter o testemunho entre o povo muçulmano na Guiné Bissau.

Bessie Fricker Brierley e Leslie Brierley estiveram ativos no campo missionário de 1936 a 1970.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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