… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

29 de setembro de 1883 • Batismo de Pandita Ramabai





29 de setembro de 1883 Batismo de 
Pandita Ramabai
Sarasvati Ramabai nasceu em 23 de abril de 1858 nos bosques da Índia meridional e morreu em 5 de abril de 1922. Era filha de um brâmane entendido, Ananta Shastri, que a educou na sabedoria hindu, de maneira que quando ela ainda era jovem alcançou o grau de pandita (douta), que normalmente estava reservado aos homens. Seu pai, que tinha sido rico, perdeu as suas propriedades e acabou ficando cego, e por isso a família vagueou pela Índia em necessidade premente, até ao ponto dos seus pais e da sua irmã mais velha morreram de fome. Ela e seu irmão deram classes acerca da importância da educação feminina, melhorando as suas fortunas. Entretanto o seu irmão morreu e Ramabai ficou sozinha. Nesse tempo tinha ela uma ótima reputação, sendo, por isso, recebida com honras na alta sociedade indiana. Em 13 de novembro de 1880 Pandita Ramabai casou-se em Calcutá com Babu Bipin Behari Medhavi, um dos seus colegas da universidade de Calcutá e que exercia a profissão de advogado. Mas ainda não tinham decorrido dois anos após o seu casamento e já Ramabai estava viúva com uma filhinha pequena nos braços. Então regressou Pandita Ramabai às suas classes sobre a educação das mulheres indianas, estabelecendo em Pune uma sociedade de senhoras, Areja Mahita Somaj, com o propósito de impedir os matrimónios consertados de meninas. Em 1883 foi a Inglaterra, onde se converteu ao cristianismo, ensinando durante três anos sânscrito em Cheltenham num colégio de senhoras. E neste dia, 29 de setembro de 1883 houve o batismo de Pandita Ramabai, que se tornaria uma das mulheres mais influentes de toda a Índia no século XIX.

Em 1886 visitou os Estados Unidos da América, onde arrecadou muito dinheiro dando conferências e através das associações que os seus amigos formaram, de maneira que no seu regresso à Índia em 1889 Pandita Ramabai pôde cumprir a sua aspiração de abrir em Bombay uma escola para meninas da alta casta hindu, especialmente jovens viúvas. Esta escola foi mudada para Pune em 1891.

Em 1898 foi convidada para a convenção de Keswick, na Inglaterra, onde falou em nome dos 140 milhões de mulheres da Índia. A Convenção de Keswick é o nome para um encontro, de uma semana de duração, que se celebra anualmente em Keswick, na Inglaterra, desde 1875, principalmente para a promoção da santidade prática por meio da oração, discussão e intercâmbio pessoal. Aí Pandita Ramabai testificou que por meio desta convenção tinha aprendido sobre a experiência com o Espírito Santo e que, além desta experiência, ela nunca tinha tido qualquer utilidade espiritual. A sua visão era que mil mulheres cristãs hindus fossem cheias do Espírito Santo para espalhar o Evangelho pela Índia. Pandita Ramabai envolver-se-ia com movimentos internacionais dedicados à santidade, renovação e missões, especialmente com a Aliança Cristã e Missionária. Outro movimento que jogou um papel importante na sua vida foi o avivamento do País de Gales, que teve lugar em 1904 e que aumentou a sua fome pela plenitude do Espírito Santo. No dia 29 de junho de 1905, enquanto estavam reunidas, o Espírito Santo caiu sobre um grande número de mulheres que começaram a chorar e a confessar os seus pecados. Durante esse período a escola em Pune converteu-se num notável foco de avivamento e centenas de raparigas testificaram do fogo santo que as abrasava, dedicando-se durante horas à oração. Pandita Ramabai era uma executiva nata, além de erudita, de evangelista e de reformadora. Em 1889 Pandita Ramabai estabeleceu a Mukti Missão em Pune, como um refúgio e um testemunho do Evangelho para jovens viúvas abandonadas e maltratadas pelas suas famílias. Ela também estabeleceu Krupa Sadan, uma casa para mulheres carentes. Nas línguas em sânscrito e na maioria das línguas indianas Mukti significa libertação. Ela também esteve envolvida na criação de uma Igreja em Mukti.

Numa ocasião quando mais de 700 meninos abandonados não tinham roupa nova para vestir, chegou um grande carregamento de roupa em resposta às suas orações. Ela congregou estes rapazes abandonados no centro da igreja e leu-lhes o Salmo 34:10: “Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas aqueles que buscam ao SENHOR de nada têm falta.” (Slm 34:10 ARC1995) Quando os seus antigos amigos brâmanes a ameaçaram com a destruição dos edifícios da sua obra, Pandita Ramabai recebeu a promessa de Deus: “Nenhuma arma forjada contra ti prosperará.” (Isaías 54:17). Quer fosse a fome, o fogo, as tormentas ou as ameaças que caíssem sobre ela, Deus respondeu às suas orações e a obra nunca minguou.

Nos últimos 15 anos da sua vida, Pandita Ramabai dedicou-se à imensa tarefa de traduzir a Bíblia para a língua marathi. Primeiro teve de aprender grego e hebreu, e depois teve de acomodar este trabalho com as suas outras ocupações. Embora estivesse ficando surda e por esse tempo lhe tenha morrido a sua filha, Pandita Ramabai não abandonou esta tarefa de tradução que se tinha proposto. Tinha quase completado a correção das provas traduzidas da Bíblia na língua marathi, quando caiu doente. Dez dias mais tarde, em 5 de abril de 1922 quando tinha lido a última prova, Pandita Ramabai dormiu para despertar na presença dAquele a quem ela tinha amado e servido.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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