… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

30 de setembro de 1770 • George Whitefield, o ‘príncipe dos pregadores ao ar livre’


30 de setembro de 1770 George Whitefield, 
o ‘príncipe dos pregadores ao ar livre’

George Whitefield nasceu em 16 de dezembro de 1714 em Bell Inn, Southgate Street, Gloucester na Inglaterra. Seu pai, um estalajadeiro, morreu quando ele tinha dois anos de idade. Até os doze anos ajudou a sua mãe no trabalho da hospedaria ou estalagem. Desde então começou a frequentar a escola, onde se fez famoso pelos seus dons de orador e de ator e pelos seus pontos de vista nada religiosos. Aos 18 anos de idade ingressou na Universidade de Oxford, onde a leitura do livro de William Law (1686-1761): “Um chamado sério para uma vida Santa”, o fez refletir sobre sua vida espiritual. Entabulou amizade com Carlos e João Wesley, os quais, juntamente com mais outros 12, formaram o Clube Santo (Holy Clube).

A busca errónea da santidade mediante o esforço humano levou Whitefield ao esgotamento e ele teve de regressar a sua casa doente, circunstância que aproveitou para ler a Bíblia com mais intensidade, até que chegou a compreender a obra de reconciliação com Deus por meio dos méritos de Cristo, não pelos próprios meios humanos. Assim define ele a sua transformação espiritual: “O espírito de lamentação foi arrancado de mim, e soube deveras o que era regozijar-me em Deus, meu Salvador, e, por algum tempo, não pude evitar de cantar salmos em qualquer lugar onde estivesse”. Contudo a sua conversão só aconteceu sete semanas depois, na Semana Santa de 1735, uns três anos antes da dos irmãos Wesley.

George Whitefield foi ordenado para o ministério da Igreja da Inglaterra em junho de 1736, aos 21 anos de idade. O seu primeiro sermão causou um impacto imediato, centrado como estava na necessidade do novo nascimento. Pouco a pouco foram-se-lhe fechando os púlpitos das igrejas de Inglaterra. Os Wesley convidaram-no a unir-se a eles na colónia da Georgia, o que ele fez em 1737, até ao ano seguinte. Ali, além do seu trabalho de evangelização, começou uma casa para cuidar de órfãos.

No Pais de Gales conheceu um pastor laico chamado Howell Harris (1714-38), que tinha começado a pregar ar livre. Naquele tempo esperava-se dos pastores que se mantivessem dentro da estreita esfera das suas atividades, limitados ao interior dos seus templos. Whitefield, “em espírito da santa agressão”, lançou-se à pregação ao ar livre, onde havia milhares de pessoas que nunca pisavam uma igreja.

A sua primeira pregação ar livre teve lugar no campo mineiro de Kingswood, perto de Bristol, onde milhares de ouvintes foram escutar as suas fervorosas pregações. Não demorou muito para que João Wesley o imitasse no seu modo de pregar ao ar livre

George Whitefield foi o evangelista mais conhecido do século XVIII e um dos maiores pregadores itinerantes da história do cristianismo. Ele passou por situações muito semelhantes às que experimentam os missionários de todos os tempos. Repetidas vezes, ele teve de pregar fora dos portões do templo pelo simples facto da sua pregação apaixonada ser muito diferente da usual pregação formal dos pastores daquele tempo. Ele chegou a ser agredido em algumas ocasiões. Na cidade de Basingstoke, por exemplo, foi espancado à paulada. Em Moorfield, destruíram a mesa que lhe servia de púlpito. Em Exeter, durante uma pregação para dez mil pessoas, Whitefield foi apedrejado.

Deu-se também este episódio curioso. Em maio de 1750, George Whitefield, pregava a Mensagem da Salvação. Exactamente o que ele pregava, não se sabe, nem se sabe o lugar. Mas, estas suas palavras, bem podiam ser a sua mensagem nesse dia: “No Dia do julgamento, as tuas orações e as tuas lágrimas não terão valor. Elas não te servirão de nada, o Juiz não será comovido: porque tu não O ouviste quando Ele te chamou; mas desprezaste-o a Ele e aos seus ministros, e não deixaste as tuas iniquidades… Tu podes dizer que isto é entusiasmo e loucura; mas, naquele grande dia, se tu não te arrependeres dos teus pecados aqui, encontrarás que os teus próprios caminhos eram loucura!” Após ouvir o grande evangelista pregar, John Thorpe e três amigos foram para uma taberna e começaram a imitar Whitefield. Quando chegou a vez de Thorpe, pegou numa Bíblia, saltou para cima da mesa e gritou: “Eu vou a fazer ainda mais galhofa de George Whitefield do que todos vocês!” Mas, naquele momento, os seus olhos caíram sobre o versículo de Lucas 13:3 da Bíblia aberta que segurava numa das mãos “se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” (ACF) Repentinamente, Thorpe tomou consciência da sua condição de pecador, arrependido parou com a zombaria e começou a pregar a sério. Dois anos mais tarde, ele tornou-se um dos pregadores itinerantes em ligação com João Wesley.

Calcula-se que George Whitefield pregou pelo menos a dez milhões de pessoas nos seus trinta e quatro anos de ministério. Não houve cidade, medianamente importante, na Inglaterra, na Escócia ou no País de Gales, em que ele não tivesse pregado ao ar livre. Visitou a Escócia catorze vezes, e sete vezes cruzou o Atlântico rumo às colónias inglesas na América do Norte. Duas vezes visitou a Irlanda, e numa ocasião esteve a ponto de ser linchado por uma turba de ignorantes católicos-romanos. Também esteve na Holanda e passou quatro meses em Portugal e nas Bermudas, onde almas foram ganhas para Cristo. A sua influência fez-se sentir em todas as denominações protestantes da Inglaterra e das colónias do Novo Mundo, graças aos convertidos que se uniram a quase todas as denominações então existentes.

Pregou o seu último sermão em 29 de setembro de 1770 em Exeter, em New Hampshire. Durante a noite teve um ataque de asma e morreu desfalecido no dia seguinte, um domingo pela manhã, neste 30 de setembro de 1770 na casa do Rev. Jonathan Parsons, em Old South, pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Newburyport, Massachusetts.

João Wesley disse dele: “Temos lido ou sabido de alguém que tenha sido um instrumento maior de bênção em Suas mãos para conduzir a tantos pecadores das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus?”

“Foi um dos primeiros Cristãos que no século XVIII chamaram a atenção para as velhas verdades que produziram a Reforma Protestante. A sua constante defesa das doutrinas ensinadas pelos Reformadores, as suas incansáveis referências aos Artigos e as homilias dos melhores teólogos da Inglaterra, obrigaram muitos a pensar e a examinar os seus próprios princípios. Se se pudesse saber toda a verdade, creio que se veria que o despertar e progresso da ala evangélica da Igreja da Inglaterra recebeu o seu impulso mais poderoso de George Whitefield” (J.C. Ryle).

Whitefield era calvinista em doutrina, e quando Wesley pregou contra este sistema de teologia, aquele viu-se obrigado a separar-se, não sem dor, em 1740, do qual surgiu o Metodismo Calvinista, principalmente no País de Gales, graças à conversão e ao impulso de Daniel Rowland (1711-90).

George Whitefield continuou sendo, no seu próprio parecer, um mero arauto do Evangelho. Dedicou toda a sua vida adulta à obra da pregação pública. George Whitefield acabaria por partir para as Mansões Celestiais no Novo Mundo, neste dia, 30 de setembro de 1770, da forma que como sempre desejara, no meio de uma série de pregações, depois de ter pregado o seu último sermão na noite anterior! Não há qualquer dúvida de que George Whitefield, este homem de Deus, durante o seu ministério de trinta e quatro anos, em pregou mais quinze mil vezes, chorando enquanto entregava a mensagem de salvação, deixou uma marca perene no coração aquecido dos que amam a Deus!


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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