… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

10 de outubro de 1560 • Jacobus Arminius sistematiza a predestinação restrita


10 de outubro de 1560 Jacobus Arminius sistematiza a predestinação restrita

Jacob Armínio por David Bailly, 1620
Nascido neste dia, em 10 de outubro de 1560, em Oudewater, nos Países Baixos, Jacob Armínio (Jacobus Arminius, Jacob Harmenszoon) foi educado nas universidades de Marburg (1575) e Leiden (1576-81), na academia em Genebra (1582, 1584-86) e em Basileia (1582-83). Foi pastor de uma congregação em Amsterdão (1588-1603) e professor da Universidade de Leiden desde 1603 até à sua morte ocorrida em 19 de outubro de 1609.

Jacob Armínio depois da morte prematura do seu pai, foi viveu para casa de Rudolphus Snellius (5 de outubro de 1546-2 de março de 1613), que era professor na Universidade de Marburg. Em 1576 Jacob Armínio regressou a sua casa, em Oudewater, a fim de estudar teologia na Universidade de Leiden com Lambertus Danæus.

Após ter estudado seis anos na Universidade de Leiden foi-lhe permitido pelo burgomestre de Amsterdão que ele continuasse os seus estudos em Genebra e Basileia com Théodore de Bèze (24 de junho de 1519-13 de outubro de 1605) e Simon Grynæus (1493 -1 de agosto de 1541). Nos seus estudos fez dissertações sobre a filosofia de Petrus Ramus (Pierre de la Ramée, 1515-24 de agosto de 1572) e a “Epístola aos Romanos”.

Em 1588, sendo chamado pelo governo de Amsterdão, Jacob Armínio foi designado pregador da Igreja Reformada. Durante os quinze anos que ali passou, ganhou o respeito geral, mas entretanto os seus conceitos teológicos experimentaram uma mudança. A sua exposição de Romanos 7 e 8 e as suas opiniões sobre a eleição e a condenação começaram a produzir suspeitas. Um dos seus colegas pastores, erudito porém impulsivo, Petrus Plancius (forma latinizada de Pieter Platevoit, 1552 - 15 de maio de 1622) opôs-se-lhe de maneira especial, tendo-se gerado disputas no consistório da sua congregação reformada que tinham de ser terminadas pelo burgomestre da cidade.

Quando dois dos professores da Universidade de Leiden, Franciscus Junius (François du Jon, 1 de maio de 1545-13 de outubro d de 1602.) e Lucas Trelcatius, O Velho (1542 - 28 de agosto de 1602) morreram no ano de 1602, Jacob Armínio e Francisco Gomar (30 de janeiro de 1563-11 de janeiro de 1641) foram chamados para os substituir nas suas cátedras.

Jacob Armínio tomou posse do seu cargo de professor da Universidade de Leiden no ano seguinte, em 1603, com uma exposição sobre o ofício sacerdotal de Cristo, recebendo o grau de doutor em teologia.

Mas logo ressurgiriam as disputas dogmáticas por causa das anteriores dissertações públicas de Armínio sobre a predestinação. Francisco Gomar opôs-se a elas e publicou outras teses, o que fez com que a Universidade de Leiden se tornasse num campo de batalha teológico, no qual os estudantes estavam divididos em dois grupos. Os ministros em Leiden e noutras localidades dos Países Baixos tomaram parte na controvérsia, que adquiriu assim um caráter geral.

Os calvinistas queriam que o assunto ficasse resolvido num sínodo geral, mas as autoridades do governo dos Estados Gerais dos Países Baixos não queriam que este se levasse a cabo. O estadista liberal holandês, Johan van Oldenbarnevelt (14 de setembro de 1547 – maio de 1619) que tinha desempenhado um papel importante na luta de independência da Holanda com a Espanha deu a oportunidade aos dois opositores em 1608 de defenderem as suas ideias ante o tribunal supremo, o qual emitiu um veredicto, em que cada uma das partes teria de relevar o ponto de vista da outra, uma vez que a controvérsia não tinha qualquer relação com as questões principais sobre a salvação. Mas Gomar não se submeteu ao veredicto, tendo Países Baixos Países Baixos que promover uma reconciliação entre as duas partes em oposição em agosto de 1609, em que professores e ministros das duas tendências foram convidados a entabular novas negociações entre eles. As deliberações ao princípio foram orais, mas depois foram postas por escrito, sendo as negociações interrompidas com a morte de Jacob Armínio em 19 de outubro de 1609

Jacob Armínio não escreveu uma teologia sistemática completa, como João Calvino fizera, mas deixou uma quantidade considerável de escritos produzidos tanto durante o seu pastorado de quinze anos como quando era professor em Leiden. O seu tratado sobre Romanos 7 interpretava os vv. 7-25 como o retrato de uma pessoa despertada (vv. 12, 21) mas não regenerada (vv. 15, 18, 24). Também escreveu um tratado sobre Romanos 9, no qual interpretou esta passagem, usada por muitos calvinistas para ensinar a predestinação incondicional, para ensinar somente a predestinação condicional.

Jacob Armínio nas suas “Disputaciones”, que foram publicadas parcialmente durante a sua vida, e, depois da sua morte, tinha deixado clara a sua posição. No seu conjunto estes escritos são um bom testemunho do seu saber e da sua perspicácia. A doutrina da predestinação pertencia aos ensinos fundamentais da Igreja Reformada, mas Armínio não queria fazer sua tal doutrina, conforme ela tinha sido explicada por Calvino e pelos seus partidários, não podia seguir uma linha teológica que lhe parecia fazer de Deus o autor do pecado e da condenação dos homens. Por causa disso ensinou a predestinação condicional e passou a atribuir mais importância à fé. Ele não negou a omnipotência de Deus, nem a Sua livre graça, porém, ele pensava que era seu dever salvar a honra de Deus, enfatizando a livre vontade do homem e a verdade da doutrina do pecado. Nestes assuntos Jacob Armínio estava mais perto de Lutero do que de Calvino e de Théodore de Bèze, mas não pode ser negado que ele expressou outras opiniões que foram vigorosamente contestadas, como sendo consideradas como separações da confissão de fé e do catecismo. Os seguidores de Jacob Armínio manifestaram as suas ideias nos famosos cinco artigos que apresentaram como sua defesa. Por causa destas “Remonstrantiæ” eles foram denominados remonstrantes, e porque baseados nesta sua firme postura nunca quiseram ser chamados arminianos.

Um dos escritos mais significantes de Jacob Armínio é o seu “Exame do Panfleto de Perkins”, uma resposta do tipo "predestinação condicional" à opinião de William Perkins, de Cambridge. A sua “Declaração de Sentimentos” (1608), que apresentou às autoridades do governo em Haia, demonstrava os seus argumentos contra o supralapsarianismo, isto é: a opinião de que o destino de cada pessoa foi determinado por Deus antes da queda de Adão.

Além disso, Jacob Armínio procurou obter um "status" favorável na Holanda para o seu próprio tipo de ensino a favor da predestinação condicional. Também escreveu tratados tais como uma “Apologia contra as trinta e uma apresentações incorrectas das suas opiniões”, que já havia circulado durante algum tempo e “Controvérsias Públicas”, e “Setenta e Nove Controvérsias Particulares” que foi uma publicação póstuma das suas anotações para as suas aulas de teologia na Universidade de Leiden).

Jacob Armínio foi o expositor mais capacitado daquilo que vários outros teólogos já estavam ensinando: que a predestinação divina dos indivíduos baseia-se na Sua presciência do modo pelo qual eles, espontaneamente, aceitarão ou rejeitarão Cristo no contexto da graça proveniente.

Os ensinamentos de Jacob Armínio foram promovidos especialmente por João Wesley, pelos metodistas e, nos nossos dias, pelas denominações que compõem a Associação Cristã da Santidade.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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