… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

13 de outubro de 1605 • Teodoro de Beza, o último dos grandes Reformadores

13 de outubro de 1605 Teodoro de Beza, o último dos grandes Reformadores
Xilogravura de Teodoro de Beza

Em cada dia, dois dos ministros de Genebra iam saber do estado de saúde de Teodoro de Beza. O velho Reformador era ternamente amado e os seus concidadãos estavam preocupados com a sua debilitada saúde. Neste dia, domingo, 13 de outubro de 1605, o doente sentiu-se suficiente bem para se vestir. Theodore perguntou aos seus visitantes "A cidade está completamente segura e em paz?" Foi-lhe assegurado de que tudo estava bem. Momentos depois, ele perdeu toda a força e caiu no chão. Os seus amigos reuniram-se à sua volta e oraram ao seu lado, quando ele passou para a eternidade pacificamente, em poucos minutos. O último dos grandes Reformadores estava morto. A sua vida tinha sido uma aventura extenuante, trabalho árduo e com muita tristeza.

Teodoro de Beza nasceu em Vézelay, no Ducado da Borgonha, que foi um dos estados mais importantes da Europa medieval, em 24 de junho de 1519, filho de um oficial de justiça do condado. Seu pai tinha pensado numa carreira para ele, porém, parecia que Deus tinha outro percurso para ele. Aos nove anos de idade ele foi enviado para estudar grego com um famoso sábio Melchior Wolmar (1497-1561). A simpatiza que Wolmar tinha para com os luteranos passou-a para o seu pupilo. Que frutos isso iria produzir, não era ainda perceptível.

O pai de Beza queria que ele fosse advogado e para isso Beza fez os estudos preliminares. Porém, ele preferiu os estudos literários e convenceu o seu pai a deixá-lo mudar de área de estudo. Ele tornou-se um poeta latino muito distinto e cheio de engenho depois de publicar uma colectânea de poemas humanistas, “Juvenalia”.
Através de ligações familiares, ele recebia benefícios da Igreja Católica Romana dos quais vivia. Entretanto, como muitos clérigos desses dias, contraiu um casamento secreto. A sua esposa era Claudine Denosse. Por essa altura Beza ficou gravemente enfermo. E enquanto jazia de cama, ele percebeu que era um hipócrita, recebendo dinheiro da Igreja Romana, enquanto secretamente era casado e o coração era protestante. Assim que recuperou um pouco a saúde, o suficiente para fazê-lo, ele fugiu para França com a sua esposa, deixando para trás a fama e a fortuna.

Nem todos os começos desleais de vida acabam mal. O seu engenho permaneceu com ele durante toda a sua vida. Numa ocasião, apelando para o rei de Navarra, ele disse: "Vossa Majestade, é na verdade grande a parte da Igreja de Deus, em nome de qual eu estou falando, para suportar golpes, e não para desferi-los. Mas, também posso fazer o favor de lembrar a Vossa Majestade de que a Igreja de Deus é uma bigorna que tem gasto muitos martelos."

Claudine foi uma das maiores alegrias da sua vida. O casamento deles durou até à sua morte, 40 anos depois. Theodore tornou-se no líder dos teólogos huguenotes, e no sucessor de Calvino, como líder da Reforma Suíça.

Durante a sua longa vida ele arriscou-se muitíssimas vezes a ser preso em viagens perigosas à França católica, viajando à noite para escapar à ser detetado. Nessas viagens, ele esteve várias vezes em perigo de ser traído por falsos amigos. Ele discutiu assuntos da teologia com grandes teólogos e líderes políticos do seu tempo. Numa certa ocasião, ele acompanhou os exércitos dos huguenotes e pregou para eles. Usando as suas as habilidades diplomáticas afinadas durante a sua educação, ele visitou as cortes protestantes da Europa a fim de conseguir apoio para o sofrimento dos protestantes franceses.

No anúncio da sua morte, lemos: "O que o porto é para aqueles que navegam, assim é a remoção para a outra vida para aqueles cuja morte é preciosa aos olhos do Senhor." Todos foram "convidados, em nome dos pastores e professores, a comparecer no seu funeral hoje pelo meio-dia, para prestar esta última honra devida a tão grande homem, a alguém que morreu duma forma tão piedosa...”

Teodoro de Beza, também Théodore de Bèze ou de Besze, foi um teólogo protestante e erudito francês, que desempenhou um papel importante no início da Reforma.

A sua conversão seguiu-se após uma doença crítica, e a partir de então Teodoro de Beza identificou-se claramente com o movimento da Reforma.

Teodoro de Beza, o incontestável líder da Reforma em Genebra como sucessor de João Calvino, ainda que a sua hegemonia espiritual não fosse marcada por desvios relevantes da orientação de Calvino, Beza era mesmo diferente em algumas ênfases eclesiásticas específicas.

Beza serviu como catedrático de grego na Academia de Lausanne, de 1549 a 1558, quando foi chamado ao posto de reitor, e também catedrático, da recém-formada Academia de Genebra. Sendo também um ecumenista, serviu incansavelmente para levar a efeito um protestantismo unido.

As principais contribuições de Beza para a Reforma Suíça foram: a confirmação dos avanços de Calvino em Genebra e a solidificação do sistema presbiteriano. Tomava material teológico emprestado livremente tanto de Calvino como de Martin Bucer. Na sua doutrina central da igreja, Beza, seguindo Bucer, distinguia três marcas da igreja verdadeira: a Palavra de Deus, os dois sacramentos e a disciplina. Considerava a igreja como o convívio dos eleitos. Apesar disso, a eleição não era o enfoque central da eclesiologia de Beza. Pelo contrário, seguindo Calvino, tratava a eleição dentro da rubrica da Pessoa e da obra de Cristo. Beza, no entanto, criou tensão nesta doutrina ao tratá-la de modo escolástico em outros lugares, seguindo linhas supralapsarianas um pouco rígidas.

Beza postulava o governo eclesiástico presbiteriano como a única política aceitável segundo o N. T. Adoptou o ponto de vista de Calvino de que esta ordem se compõe de pastores, doutores, presbíteros e diáconos, mas aplicou este sistema nos vários níveis locais e sinodais de modo mais rígido do que Calvino. A doutrina da igreja segundo Beza acha-se na sua colectânea de três volumes: “Tractationes Theologicae”, especialmente em “Ad Tractationem de Ministrorum Evangelii... Responsio”, onde censura a prelazia anglicana.

Entre outras obras eruditas de importância estão a sua edição de 1582 do “N. T. grego” e os três volumes da sua “Histoire ecclésiastique de églises réformées... de France”. A preocupação pelo bem-estar da igreja levou-o a produzir muitos sermões, um comentário, uma tradução em francês de muitos Salmos para o saltério huguenote, uma tradução do N. T. em francês, juntamente com Calvino e uma influente confissão de fé.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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