… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

5 de outubro de 1703 • Jonathan Edwards, pastor em Northhampton, Massachusetts


5 de outubro de 1703 Jonathan Edwards, 
pastor em Northhampton, Massachusetts
Jonathan Edwards era filho de Adão pela natureza, bisneto de um homem inglês, William Edwards, que fora levado para a Nova Inglaterra pela sua mãe e pelo seu padrasto britânico, os quais, juntamente com outros santos, procuravam poder adorar a Deus conforme a Sua Palavra. Estas pessoas viveram em Hartford, no Connecticut, na Nova Inglaterra. Aqui o seu pastor era Thomas Hooker (5 de julho de 1586 – 7 de julho de1647), um conhecido puritano. O avô de Jonathan, Richard Edwards nasceu em Hartford e tornou-se num próspero homem de negócios. E, além do mais, era um homem temente a Deus, apesar de (ou, possivelmente devido a) ter uma esposa que sofria de uma enfermidade mental. O pai de Jonathan, Timothy Edwards (1668–1759), tinha o seu pai em alta estima, mas chegou um momento em que teve de testemunhar contra a infidelidade da sua própria mãe. O seu pai estudou em Harvard, graduou-se com boas notas, e, posteriormente, instalou-se na povoação de East Windsor, Connecticut, onde foi pastor. Timothy casou-se com Esther Stoddard, filha de Solomon Stoddard (27 de setembro de 1643– 11 de fevereiro de 1729), pastor em Northhampton, Massachusetts, muito conhecido naquele tempo. Os Stoddard eram da classe social alta, mas sobretudo eram pessoas que seguiam ao Senhor conforme à luz que tinham, confiando somente nEle para a sua justificação e para a sua esperança de vida eterna.

Jonathan nasceu neste dia,  5 de outubro de 1703, em East Windsor. Tinha quatro irmãs mais velhas do que ele e seis menores. Era o único filho varão da família. Deve ter recebido bastante atenção, mas há razões para crer que os seus pais não queriam que ele fosse um homem mimado e malcriado. Recebeu uma boa educação.

Quanto à educação de Jonathan, Timothy Edwards, o seu pai era pastor e além disso era tutor. Tinha fama enquanto tal, porque os seus estudantes sempre estiveram bem preparados para entrar na universidade. Timothy Edwards ensinou o seu próprio filho, que era um menino precoce. Quando Jonathan começou os seus estudos, a que chamaríamos hoje estudos universitários, já ele sabia muito de latim, de grego e de hebraico. Ainda não tinha completado os treze anos de idade, quando começou os ditos estudos, em setembro de 1716.

Além da disciplina dos estudos formais, Jonathan teria observado atentamente tudo o que seu pai tinha de fazer e de sofrer, e de enfrentar, no seu ofício de pastor. Do mesmo modo, é provável que tivesse contacto com as muitas visitas que passaram pela sua casa em East Windsor. Certamente deve ter visto os gozos do ministério, e, ao mesmo tempo, possivelmente também algumas das dificuldades. Ao que parece, o seu pai ensinava como tutor, porque o seu salário como pastor não era suficiente para suprir todas as necessidades da sua família. Contudo, é evidente que Edwards não viu nada que o empurrasse a fugir do ministério. A longo prazo, e sendo ainda jovem, anelava apregoar a grandeza de Deus e aceitou a responsabilidade de ser pastor.

Estudou numa universidada que, posteriomente, se chamou Yale. Terminou o seu bacharelado em maio de 1720, tinha então  16 anos e foi o estudante com melhores notas. Como era costume, tocou-lhe discursar na reunião de reconhecimento aos graduados, em setembro daquele mesmo ano.

A seguir fez o seu mestrado, terminando os seus estudos em maio de 1722 e apresentou o equivalente àquilo que hoje denominamos “tese”, que foi aprovada pouco antes que cumprisse os vinte anos de idade.

Durante o tempo em que realizou os seus estudos formais teve uma experiência real de conversão, uma transformação na sua maneira de pensar e de sentir, começou uma nova vida e um novo rumo.

Desde 10 de agosto de 1722 até abril de 1723, viveu e pregou numa igreja presbiteriana de fala inglesa, na cidade de Nova Iorque.

Serviu como pastor em Bolton, Connecticut, desde em 11 de novembro de 1723 até maio de 1724, tendo apenas vinte anos. Em maio de 1724, foi eleito tutor em Yale e teve de deixar a sua posição como pastor em Bolton, para desempenhar o dito posto.

Em agosto de 1726, a Igreja de Northampton, Massachusetts, que o seu avô materno, Solomon Stoddard, tinha pastoreado durante cinquenta anos, pediu-lhe que viesse para ajudar seu avô, o pastor Stoddard. Edwards renunciou à sua posição como tutor, e, em outubro de 1726, começou um tempo de prova para que a congregação o pudesse conhecer como pessoa e como pregador.

Em 1727, no dia 15 de fevereiro, Jonathan foi ordenado pastor assistente na Igreja Congregacional de Northampton, Massachusetts, onde o seu avô materno, Solomon Stoddard, continuava pastoreando. Tinha vinte e três anos. Em 20 de julho de 1726 casou-se com uma jovem de dezassete, Sarah Pierrepont (1710-1758),, piedosa e de bom nome, filha do pastor James Pierpont (Roxbury, Massachusetts, 4 de janeiro de 1659 – 22 de novembro de 1714, New Haven, Connecticut). Há várias obras escritas sobre a esposa de Edwards, e creio que toda a gente está de acordo em que ele pôde ser o homem feliz e o grande pastor que pela graça de Deus foi porque Ele lhe deu uma adjutora extraordinária.

O mais importante num pastor é que ele seja verdadeiramente um homem de Deus, um homem piedoso. É certo que, na história da Igreja, também tem havido Judas, e que Ele pode até usar uma burra para expressar a Sua palavra. Contudo, geralmente, são os homens cheios do Espírito de Cristo aqueles cuja influência é duradoura entre o povo do Senhor.

Ainda que não se tenha convertido senão no verão de 1721, aos dezassete anos de idade, nunca Jonathan viveu uma vida escandalosa. Tinha uma consciência sensível. Aos oito anos e meio, fez uma choça num pântano para onde pudesse ir orar. Apesar disso, como testificaria mais tarde, não tinha paz com Deus. De facto, incomodava-o pensar na soberania de Deus acima de todas as coisas e que a salvação dependesse somente dEle. Mas, na graça de Deus, o Espírito abriu-lhe os olhos mediante a leitura e a meditação de I Timóteo 1:17, e a sua vida mudou para sempre.

Na biografia de Edwards, obra de Iain Murray, na página 35, afirma-se que a declaração mais importante que escreveu sobre si mesmo é a que vemos na sua “Pessoal Narrative” que se acha na “Vida de Jonathan Edwards” preparada pelo seu bisneto Sereno Dwight. Nela, Edwards escreve:

«O primeiro exemplo que recordo dessa classe de deleite interno e doce em Deus, e nas coisas divinas nas quais vivi muito depois, foi quando li essas palavras (I Timóteo 1:17): “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Ámen! ” Enquanto lia, as palavras entraram na minha alma e nela se difundiu um senso da glória do Ser Divino; um sentido novo, muito diferente de qualquer outra coisa que tivesse experientado antes. Jamais tinha visto umas palavras das Escrituras como aquelas. Pensei:

“Quão excelente Ser é Ele e quão feliz seria eu se pudesse desfrutar de Deus, e ser arrebatado até Ele no Céu, ficar para sempre como absorto nEle!.” Repetia para mim mesmo uma e outra vez aquelas palavras, e era como se as cantasse. Então comecei a orar a Deus pedindo-Lhe que pudesse desfrutar dEle. Foi uma oração muito diferente daquelas que estava acostumado a fazer, com um novo tipo de afeto. Mas a minha mente não captou que houvesse algo espiritual naquela experiência ou algo relativo a uma natureza salvadora.

“Desde esse tempo em adiante, comecei a ter uma nova espécie de entendimento e de ideias sobre Cristo e sobre a obra de redenção, assim como da maneira gloriosa da salvação efetuada por Ele. Às vezes, um sentido interior e doce destas coisas entrava no meu coração, e a minha alma era dirigida para agradáveis percepções e contemplações delas. A minha mente só pensava em passar o meu tempo na leitura e na meditação de Cristo, na formosura e na excelência da Sua pessoa e no caminho precioso da salvação, por graça e livre nEle. Os melhores livros eram aqueles que tratavam destes assuntos. As palavras de Cantares de Salomão 2:1 não se apartavam de mim: “Eu sou a rosa de Saron, o lírio dos vales.” Pareciam-me uma doce representação da formosura e da beleza de Jesus Cristo. Todo o livro de Cantares de Salomão me parecia agradável e passei muito tempo lendo-o [...]. O sentido que tinha das coisas divinas provocava-me, com frequência, um ardor no coração que não sei como o expressar».

Assim mesmo, testemunhou:

«Caminhei sozinho pelos pastos do meu pai, por um lugar solitário, para ter um tempo de contemplação. E ao ir caminhando por ali e olhando para o céu e para as nuvens, veio-me à mente uma doce sensação da gloriosa majestade e da graça de Deus que não saberia explicar. Pareceu-me vê-las em doce união: majestade e mansidão unidas. Foi doce, aprazível, e santo; uma imensa doçura, uma elevada nobreza, grande e santa.

“O aspecto de tudo ficou alterado: parecia existir uma calma, um doce olhar ou uma aparência da glória divina, sobre quase todas as coisas. A excelência de Deus, a Sua sabedoria, a Sua pureza e o Seu amor, pareciam estar em tudo: no sol, na lua e nas estrelas; nas nuvens e no céu azul; na erva, nas flores e nas árvores; na água e em toda a natureza [...] que me ficou gravada na mente durante muito tempo. Estava acostumado a sentar-me, frequentemente, a contemplar a lua durante muito tempo, e dedicava grande parte do dia observando as nuvens no céu, para poder contemplar a doce glória de Deus neles. Enquanto isso, ia cantando em voz baixa as minhas meditações sobre o Criador e Redentor.”

Irmãos, se uma pessoa professa ser cristã, mas não tem tempo ou se não toma tempo para contemplar a criação com admiração, existe um sério problema. Os Cristãos têm de ser exemplos neste assunto. Ao que parece, Edwards nunca perdeu o seu desejo de sair para fora de casa e contemplar as obras de Deus na criação. Uma vez que reconhecemos as vantagens dos telefones portáteis e da Internet, temos de lamentar que, na maioria dos casos, esses aparelhos da tecnologia moderna têm as pessoas fascinadas, estupefastas, encantadas, embevecidas, etc., com coisas que carecem de valor espiritual e eterno. Elas não consideram os céus como o Salmista, nem consideram os lírios nem as aves como nosso Senhor.

O Senhor, as Suas palavras e as Suas obras devem fascinar-nos.

Mas, como conclusão desta primeira observação, direi que Jonathan Edwards foi um pastor fiel pela graça de Deus que o chamou. Nele podemos ver os traços de um homem crente que ama a Deus.

Tinha o seu tempo de oração em privado, e outro que compartilhava com a família. Não escreveu nenhuma das suas orações; nem as privadas nem as familiares, e isto é algo que entendemos. Entretanto, tampouco escrevia as que fazia na adoração pública, ainda que muitos Cristãos tinham por costume fazê-lo. As suas orações públicas saíam do seu coração e duma forma que, muitas vezes, deixaram uma profunda impressão naqueles que o ouviram.

Em conexão com o que foi  anteriormente mencionado, penso na sua disciplina, na sua própria vida pessoal e na sua família. Quanto ao lar, Jonathan Edwards pôde contar com uma mulher que cooperava por completo para que nele reína-se a hamonia. Não há dúvida do amor que existia entre eles. Às vezes saíam pelas tardes, a cavalo, para conversar e compartilhar.

Edwards tinha-se fixado nela quando ela contava apenas treze anos e escreveu sobre sua reputação:

«Dizem que há uma jovem em New Haven, amada por esse Ser Todo-Poderoso que criou e governa o mundo e que, em momentos concretos, de algum modo invisível ou outro, vem a ela e enche-lhe a mente com grande prazer, de tal maneira que ela apenas se preocupa com nada que não seja meditar nEle. Ela espera, depois de um tempo, ser recebida acima onde Ele está; ser levantada do mundo e ser levada para o Céu, com a completa segurança de que Ele a ama muito para ficar para sempre a uma distância dEle. Ali viverá com Ele, encantada com o Seu amor e deleite para sempre. Portanto, se o mundo se lhe apresenta com o mais rico dos seus tesouros, ela não o tem em conta, nem se preocupa com essas coisas, nem se comove por qualquer dor ou aflição. Possui uma estranha doçura na sua mente, e uma pureza singular nos seus afetos. É extremamente justa e conscienciosa em todos seus atos e não se pode persuadi-la para que faça algo mau ou pecaminoso, nem sequer a câmbio de tudo o que alguém lhe pudesse dar, já que não quer ofender a esse grande Ser. A sua doçura é maravilhosa, a sua calma e a sua benevolência universais, especialmente depois dessas temporadas nas quais este grande Deus Se manifestou à sua mente. Às vezes vai de um lugar para outro, cantando docemente, e parece estar sempre cheia de alegria e de prazer, sem que ninguém saiba por quê. Gosta de estar sozinha e de caminhar pelos campos, pelas montanhas, e parece que Alguém invisível está sempre conversando com ella».

A sua diligência em cuidar da sua casa e a sua piedade diante de Deus foram objetos de testemunho de muitos, tanto de visitas como de pessoas que viviam com eles.

Pouco antes de morrer, estando ele em New Jersey e ela ainda em Massachusetts, Edwards disse a uma das filhas que estava com ele: “…Parece ser a vontade de Deus que logo tenha de deixar-vos; portanto, transmite o meu amor mais carinhoso à minha amada esposa, e diz-lhe que confie que a união incomum (pouco comum, em inglês ‘uncommon’) que tivemos durante tanto tempo, foi que tal natureza que tem de ser espiritual, e, portanto, continuará para sempre. Espero que se sinta sustentada nesta prova tão grande e que se submeta gozosamente à vontade de Dios.”

O Senhor abençou a sua união matrimonial com onze filhos, sendo oito filhas e três varões. Todos nasceram bem e não perderam nenhum bebé por aborto espontâneo nem no momento do seu nascimento.

Com uma família tão grande, a sua esposa necessitava de ajuda, e, conforme ao costume daquele tempo, Edwards tinha servos (escravos) para que auxiliassem a sua esposa nos trabalhos da casa e para que trabalhassem nos terrenos que a igreja lhe havia provido. Os criados adoravam com a família de Edwards, tanto em sua casa como na igreja.

Foi uma grande bênção do Senhor o proporcionar-lhe uma esposa tão extraordinária. Como opinou um biógrafo sério —e provavelmente muitos hão crido o mesmo—, é muito possível e ainda mais provável que, sem ela, eu não estaria escrevendo sobre ele agora. Há alguns homens que poderiam servir muito melhor no reino do Senhor se tivessem uma mulher parecida com a de Edwards. Algumas mulheres, pelo seu caráter defeituoso em algumas áreas, com a sua língua solta e/ou pela sua maneira descuidada (ou atrevida) de vestir e de comportar-se, estorvam grandemente qualquer influência santa que seus maridos pudessem ter como líderes. Tudo isto nos faz entender quão importante é que um homem de Deus ponha o supremo cuidado na hora de escolher uma esposa, e a relevância de que esta seja uma ajuda idónea para ele. Estas são coisas pelas quais qualquer Cristão terá de orar.

É obvio, cada crente, seja homem ou mulher, deve viver uma vida piedosa, dedicada a Deus, ter cuidado na seleção do seu cônjuge e cumprir devidamente com osseus deveres.

A piedade de Jonathan e Sarah Edwards é digna de ser imitada.

Dado que a tarefa a que me tenho proposto consiste em analisar a Edwards como pastor, recordo-lhes que Jonathan Edwards foi reconhecido como pastor. Aqueles que o chamaram para, posteriormente, o sustentar economicamente acreditaram que ele foi um dom de Jesus Cristo para a igreja, e para o Seu povo redimido. Nós coincidimos com esta opinião.

Poder-se-iam assinalar muitas coisas sobre este homem de Deus. Prossigo, portanto, com outras reflexões adicionais. Quando penso na Sua faceta de pastor, à margem do que já tinha dito até agora, eu gostaria de considerar várias outras coisas.

Segundo a sua reputação, Edwards passava treze horas por dia trabalhando, nutrindo uma vida de contemplação, de estudo e de reflexão; tomando notas sobre muitas coisas; vivendo conscientemente na presença de Deus. Preparava os seus sermões nesse ambiente. Esta prática poderia parecer muito exigente, mas se considerarmos algumas das bênções que recebeu, e das quais foi testemunha, a justa conclusão seria dizer que os Cristãos “modernos” devem pensar bem nos seus caminhos. Estão os Cristãos de hoje passando o tempo necessário com Deus e com Sua Palavra para o bem das suas almas e para o bem da igreja que Cristo comprou com o Seu precioso sangue?

Edwards mantinha uma disciplina na sua própria vida e na da sua família, com a ajuda da sua esposa que para isso cooperava completamente com ele. Não descuidou a sua família. Orou com ela pela manhã e adorava com ela de noite.

Ao que parece, Edwards não visitava os membros da sua igreja com regularidade; entretanto, se algum deles o mandava buscar para que o fosse visitar ou quando havia uma emergência, sempre estava disponível. Além disso, muitas pessoas se hospedaram na sua casa, e, às vezes, alguns homens que se preparavam para o ministério também se alojaram lá durante algumas semanas, e Edwards guiava-os na leitura e no estudo da Palavra de Deus. Samuel Hopkins (9 de dezembro de 1743 – 1818) foi um deles. Como testemunha ocular, deixou muita informação valiosa sobre a vida de Edwards e da sua esposa Sarah.

Voltando para as treze horas que Edwards passava no seu lugar de estudo, estas incluíam o seu tempo de oração em privado, algo que, ao que parece, estava acostumado a fazer com frequência. Nisto Edwards serve de exemplo para os Cristãos de hoje, porque existem razões para crer que a comunhão com Deus na oração era uma característica da sua vida. Tinha o seu tempo de oração em privado, e outro em que o fazia com a família. As orações que elevou na adoração pública não estavam escritas, mas eram conforme lhe saíam do coração, de maneira que, muitas vezes, deixou uma profunda impressão naqueles que o ouviram orar em público. Pregou e publicou muito sobre a oração, promovendo-a na igreja que cuidava, mas também insistindo com ass Igrejas em geral para que lhe dedicassem tempo. Num dos seus sermões sobre a oração ele mostra que um dos sinais de um hipócrita é a sua deficiência no assunto da oração em privado. Edwards escreveu um livro insistindo com o povo do Senhor para que orasse unido pelo avivamento da religião, e pela extensão do reino de Deus no mundo. Essa obra chegou a Inglaterra, e, juntamente com uma biografia de David Brainerd que Edwards também tinha preparado, foi decisiva para a missão que William Carey fez mais tarde na Índia. Esta ênfase na oração convém aos Cristãos e às almas que estes cuidam.

Outra graça que podemos observar em Edwards é sua humildade. Sei que alguns estariam dispostos a assinalar algumas coisas quanto à sua casa, à forma de vestir da sua família, o seu salário e as suas vantagens económicas, mas não há evidência de que Edwards tivesse uma grande preocupação pelas coisas materiais. Na verdade, existem provas tangíveis da sua disposição de tudo deixar para seguir as suas convicções, como veremos mais adiante. Edwards era um homem que servia ao Senhor com toda a humildade, como Paulo em Atos 20:19. O seu bisneto descobriu o seguinte entre os seus documentos, escrito pelo seu punho e com a sua letra, mas sem o propósito de que fosse publicado:

“Desde que vivo nesta povoação, vi muitas vezes a minha pecaminosidade e baixeza de uma maneira que me afetaram extremamente; com frequência isto me há tocado tanto que um grande pranto se apoderava de mim, às vezes durante um tempo prolongado, de tal maneira que tinha de me encerrar. O sentido da minha própria iniquidade e da maldade do meu coração foi aumentando, superando a que tinha antes da minha conversão. Muitas vezes vi que se Deus tivesse em conta a minha maldade, ver-me-ia como o pior de todos os homens, dentre os que foram desde o começo do mundo até agora, e que corresponder-me-ia o lugar mais baixo do inferno, muito mais baixo que o dos outros.

“Há muito tempo que a minha maldade, como eu sou em mim mesmo, me tem parecido, num sentido, inefável, como se devorasse todo o pensamento e imaginação, como um dilúvio infinito ou como montanhas sobre a minha cabeça. Não conheço uma maneira mais correta de expressar aquilo a que se assemelham os meus pecados a mim mesmo, exceto pondo infinito sobre infinito e multiplicando infinito com infinito. Muitas vezes, durante estes anos, estas expressões estiveram na minha mente e na minha boca, infinito sobre infinito… infinito sobre infinito! Quando olho para o meu coração, e avalio a minha maldade, percebo um abismo imensamente mais profundo do que o inferno.

“Ultimamente tenho anelado grandemente ter um coração quebrantado e prostrar-me muito baixo diante de Deus; e, quando peço humildade, não posso suportar a ideia de não ser mais humilde do que outros cristãos. Parece-me que o seu grau de humildade pode ser idóneo para eles, mas que no meu caso, não ser o mais baixo de todos os homens em humildade, seria como uma vil auto exaltação. Outros falam do seu desejo de ser ‘humilhados até o pó’ e essa expressão pode ser apropriada para eles, mas no que a mim diz respeito, penso que devo ‘prostrar-me até ao mais baixo grau diante de Deus.’ E afeta-me muito pensar no ignorante que eu era como cristão jovem, desconhecendo as profundidades sem limites, infinitas, de maldade, de orgulho, de hipocrisia e de engano que permanecem no meu coração.”

Antes de criticarmos Edwards devemos anelar ter uma percepção de Deus como a que ele parecia ter. Uma visão como esta pôs Job, o homem mais recto da terra, numa postura de aborrecimento de si mesmo. Do mesmo modo, obrigou a que Isaías clamasse: “Ai de mim!”, muito depois dele, o apóstolo Paulo expressou o mesmo, e acrescentou que era o primeiro (principal) dos pecadores, e confessou: “A mim, o mínimo de todos os santos.” (Veja-se Job 40:4, 5; 42:5, 6; Isaías 6:5; I Timóteo 1:15 e Efésios 3:8)»

Esta humilhação pessoal teve- a Jonathan Edwards antes da experiência do primeiro despertar em Northampton, pelos finais de 1734 e princípios de 1735. Nesse tempo, pensa-se que possivelmente terão nascido de novo umas trezentas almas e a Igreja viu-se acrescentada com muitos membros. A Palavra de Deus diz que Ele resiste aos soberbos, mas que dá graça aos humildes. Nós, os Cristãos, temos grande necessidade de andar humildemente com o nosso Deus.

Jonathan Edwards era também um homem sério em todo o seu porte; punha especial cuidado na sua forma de falar. Não passava o seu tempo conversando sobre uma ou outra coisa. A sua percepção de Deus e das Suas coisas, o seu amor a Deus e aos homens, produziam nele grande sobriedade, evidente em todas as áreas da sua vida. Não havia nada na sua conduta que escapasse à seriedade para a qual chamava as pessoas, avisando da ira de Deus, da brevidade da vida e do julgamento vindouro; exortando a todos a que cressem em Jesus Cristo e para que O seguissem, conforme a Sua palavra. E eu pergunto-me: Quantos de nós causamos dano ou tropeço, quantos de nós minamos e debilitamos a nossa mensagem por uma falta de sobriedade? Se esperamos comunicar a verdade não podemos continuar a dizer piadas sobre o pecado nem sobre as coisas divinas; não nos podemos rir daquilo pelo qual os homens prestarão conta no Dia de Julgamento. A sobriedade é um requisito para os todos os crentes.

Por algumas coisas que escreveu o bisneto de Edwards, existe a crença de que Edwards lia os seus sermões, com o manuscrito em frente da sua cara, de modo monótono. Iain Murray comenta sobre isto nas páginas 188 a 191 da sua biografia sobre Edwards e chega à conclusão de que tal ideia é pouco provável, uma vez que apresenta boas razões para sustentar a sua conclusão. O problema é que apenas há testemunho ocular sobre a sua maneira de pregar. Aquilo de que dispomos indica que ele não fazia gestos físicos e que não tinha muito contacto visual com a congregração. Mas cremos que pregou com um grande temor de Deus, sabendo que estava na Sua presença, e ninguém podia duvidar de que este homem de Deus, fiel e ferveroso, não estivesse falando a Sua Palavra.

Se alguém prega estando na presença de Deus isto afetará muitas coisas na sua maneira de pregar.

Não podemos dizer que Jonathan Edwards seja um exemplo perfeito como pastor. O seu bisneto biógrafo conta-nos algo que ocorreu e que se utilizou contra ele. Depois do Grande Avivamento, aí pelo ano de 1744, uns jovens estavam fazendo um uso indevido, vil e carnal de um manual para parteiras. Já se pode supor a cena.Depois de se consultar com outros, Edwards e os líderes da Igreja decidiram reunir-se com os jovens para indagar sobre o assunto. Chamaram todos os que pudessem ajudar na investigação, mas na reunião em que se leram os nomes dos jovens implicados, não indicaram que todos não eram suspeitos, mas que alguns só tinham sido eram testemunhas daquele mal. Entretanto, a maneira de dirigir o assunto provocou que o nome de uns quantos inocentes ficasse associado aos culpados. Embora, com o tempo, os culpados foram expostos e tiveram de pedir perdão publicamente, parece que muitos nunca perdoaram a Edwards pela sua maneira de tratar o dito assunto. Mas, isto leva-nos a considerar outra coisa que Edwards enfrentou como pastor.

Jonathan Edwards foi criado e teve de trabalhar durante muitos anos numa situação eclesiástica em que se tornou fácil que a igreja se visse dominada por pessoas que não eram verdadeiramente piedosas. As igrejas congregacionais de Nova Inglaterra tinham adotado uma prática de receber como membros pessoas que não professavam a sua fé de uma maneira sóbria, séria e credível do ponto de vista bíblico. Os Cristãos fiéis pregavam o evangelho procurando verdadeiros frutos de fé. Mas a verdade é que havia muitos membros nas Igrejas que não davam evidência de um novo nascimento e que, entretanto, participavam da Santa Ceia com a aprovação oficial da igreja.

Com o apoio do pastor Stoddard, avô de Edwards, a igreja do Northhampton, Massachusetts, tinha seguido essa prática. No princípio da sua vida, Edwards aceitou esse acerto e fez o que qualquer pastor que ama os seus ouvintes teria feito: pregou-lhes sobre os grandes tema da Bíblia, procurando o fruto do Espírito, desejando uma visitação especial do Espírito Santo, porque sabia que sem o novo nascimento não veriam o reino de Deus.

Quer dizer, numa situação que não deveria ter existido e que ele mesmo tinha aceito e apoiado no princípio do seu ministério, Edwards desejava, desejava e procurava o verdadeiro bem das pessoas. Pregou fielmente contra o arminianismo que estava fazendo estragos em alguns lugares, pregou com claridade a graça soberana de Deus, e, depois, publicou um famoso livro sobre o erro dos arminianos acerca do livre-arbítrio dos homens. Enquanto servia fielmente ao Senhor em amor e humildade, Edwards viu tempos nos quais o Senhor transformou a muitos, como em finais do ano de 1734 e de 1735. Depois, nos anos de 1740 a 1742, o que se conhece pelo “Grande Avivamento” abrangeu muitos lugares, incluído Northhampton, onde Edwards servia como pastor. De facto, ele foi usado grandemente naquela época.

Mas, voltando para Edwards como pastor, admiramos o seu coração que desejava a salvação daqueles a quem servia. Queria poder apresentá-los santos diante do Senhor. Anelava vê-los salvos de todo o erro, e, por isso, pregou a verdade às suas consciências. Falou-lhes sobre o amor como graça principal, segundo I Coríntios 13: os afetos, as evidências do novo nascimento, a necessidade de não ter nenhuma justiça que não seja a do Senhor. Quiçá que o livro mais útil e mais lido de Jonathan Edwards seja o que contém a essência dos seus sermões à sua igreja sobre os afetos.

Mas, a longo prazo, os seus estudos —especialmente os que tratavam sobre os afetos—levaram-no à convicção de que as igrejas congregacionais tinham seguido um ensino errado quanto àqueles que podiam ser membros da igreja e participar da Santa Ceia. Como o seu avô Solomon Stoddard, cuja memória ele tinha em muito alta estima, ele tinha apoiado essa prática. Entretanto, comprovou que estava em conflito com o que seu avô tinha ensinado à igreja. Deu-se conta de que ia ter problemas mas a sua convicção da verdade levou-o a comentar isso com a sua esposa, e com um ou dois amigos íntimos, que não apoiaria a ninguém mais que quissesse tornar-se membro da igreja sem que mostrasse uma profissão de fé credível. Vários dos membros que eram colunas da igreja notaram a mudança de Edwards e opuseram-se às suas ideias. Naquela época, transcorreram uns quatro anos durante os quais ninguém novo pediu para ser membro na igreja. Ao que parece e devido à oposição existente, Edwards não ensinou diretamente a todos sobre o tema. Finalmente, uma pessoa pediu para unir-se à igreja como membro, e, manipulada por uns membros da junta da igreja, negou-se a fazer a profissão que Edwards exigia e a igreja entrou em crise. Reuniram um concílio de pastores, mas, finalmente, deram-se conta de que havia tanta oposição à mudança proposta que, a menos que Edwards mudasse e aceitasse o “status quo” não poderia continuar como pastor da igreja. Só puderam votar os varões, dos quais só dez por cento o fizeram a favor de Edwards. Assim, depois de vinte e três anos como pastor daquela congregação, teve de sair. Perdeu o seu salário e toda vantagem económica, mas mostrou que o seu amor ao Senhor estava por cima da posição, dos títulos e dos bens materiais. Disse que não podia admitir membros na igreja que não professassem a fé de um modo credível, quer dizer, uma fé que acompanhasse uma vida piedosa, alguma evidência de um novo nascimento, e por isso o despediram.

Até na sua despedida, Edwards procurou a paz. A igreja permitiu que ele pregasse um sermão de despedida que foi sóbrio e amoroso. Inclusive depois desse sermão, Edwards não mudou a sua residência daquela localidade, e depois, em algumas ocasiões, quando a sua antiga igreja não podia conseguir um pastor visitante, pediram-lhe que pregasse e ele fê-lo de coração limpo.

Mas, quanto a esta experiência de Jonathan Edwards, devemos ver que o pastor tem de pôr ouro, prata e pedras preciosas no templo, não feno, folhagem e madeira. Jonathan Edwards aprendeu isto e sofreu pela sua fé. Um pastor tem de ir aonde a palavra do Senhor o leva e não pode permitir que o amor à sua posição ou a qualquer outra coisa interfira com o seu serviço fiel.

Mais tarde, Edwards trabalhou entre os índios e os ingleses numa povoção de Massachusetts chamada Stockbridge. Esteve ali uns sete anos antes de ser nomeado presidente da Universidade de Princeton, mas mal tinha começado os seus trabalhos ali quando lhe sobreveio a morte por uma reação à vacina contra a varíola. Morreu em 22 de março de 1758.

No pouco tempo que trabalhou em Princeton mostrou que ia trabalhar com o coração e o cuidado de um pastor, procurando o bem eterno dos estudantes.

Edwards deixa claro o coração e os traços de um pastor fiel. Foi um exemplo de piedade pessoal e também no seu lar procurou a salvação de todos os seus familiares e escravos,assim como na igreja procurava a salvação de todos os seus ouvintes, uma salvação que incluía o gozo no Senhor, o regozijo que ele conhecia. Queria vê-los glorificar a Deus mediante a fé e de vidas santas. Desejava que aceitassem alegremente o governo de Deus nas suas vidas. Pregava a Sua soberania absoluta, persuadido de que somente essa verdade poderia levá-los a uma vida de verdadeira piedade.

Até ao dia de hoje, multidões de pessoas amam ao Senhor e têm sido edificadas mediante os escritos de Edwards; mas, quase todos seus escritos, procediam do seu pensamento de pastor que amava ao Senhor e ao Seu reino. Sentimos grande estima pelo que ele escreveu, porque é bíblico e nos leva a pensar na verdade.

Aqueles que não são amigos de Cristo procuram explicar a pessoa do pastor Edwards por uma perspectiva humanista, minando assim a fé de quem lê a sua obra e tirado-lhe o proveito espiritual. Tais autores têm sido pedra de tropeço para as pessoas que recebem o veneno do seu humanismo.

Mas, aqueles que amam a Palavra de Deus e querem viver piedosamente, estimarão o seu ensino. Na Igreja Cristã, alguns apreciam muito o que Jonathan Edwards ensinou, escreveu e viveu. Como Cristão, sinto gozo por ver o renovado interesse pelo povo de Deus pela leitura da obra de Jonathan Edwards.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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