… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

27 de outubro de 303 • Martírio dos três irmãos alentejanos: Vicente, Sabina e Cristela


27 de outubro de 303 Martírio dos três irmãos alentejanos: Vicente, Sabina e Cristela
 Templo romano de Évora, dedicado provavelmente ao culto imperial
Em Roma, capital do Império Romano, Diocleciano governava. Mas Diocleciano encontrava-se em Antioquia no outono de 302. Romão de Antioquia, um Cristão local, entrou audaciosamente na corte romana enquanto faziam os sacrifícios aos deuses do Império e interrompeu a cerimónia, denunciando a vileza do acto em voz alta. Foi preso e condenado à fogueira, mas o Imperador Diocleciano revogou a decisão, ordenando que se lhe cortasse a língua para que não continuasse a exortar à conversão dos pagãos. Todavia, Romão acabou sendo executado em 17 de novembro de 303. A audácia deste Cristão desagradou muito ao Imperador Diocleciano que saiu da cidade de Antioquia para ir a Nicomédia passar o inverno, acompanhado de Galério.

Segundo Lactâncio, nessa ocasião, quando se encontravam em Nicomédia em 302, Diocleciano e Galério debateram sobre a política imperial que deveria ser tomada em relação aos Cristãos. Porfírio também poderá ter estado presente nesta reunião. Diocleciano argumentou que vetar os Cristãos da burocracia e do exército bastaria para apaziguar os deuses, enquanto Galério defendeu o seu extermínio. Ambos procuraram resolver esta diferença mediante o envio de um mensageiro para consultar o oráculo de Apolo em Dídima. Ao regressar, o mensageiro disse na corte que “os justos na terra” impediram Apolo de falar. Diocleciano foi informado por membros da corte, que os “justos” se referia aos Cristãos do império. Por pressão da sua corte, Diocleciano aderiu às solicitações de ser gfeita uma perseguição universal ao Cristão. Este acto, desencadeado, sendo Diocleciano Imperador do Império Romano ficou conhecido na História Universal como a Grande Perseguição aos Cristãos.

Diocleciano pediu que o édito se exercesse “sem derramamento de sangue”, contra as exigências de Galério de que todos os que recusassem o sacrifício deviam ser queimados vivos. Apesar do pedido de Diocleciano, os juízes locais aplicavam muitas execuções durante a perseguição, e a pena de morte era um dos seus poderes discricionários. A recomendação de Galério, a execução na fogueira, tornou-se num método comum de execução dos Cristãos no Oriente.

Em 23 (ou 24) de fevereiro de 303 Diocleciano ordenou que a igreja cristã recentemente construída em Nicomédia fosse arrasada, as escrituras queimadas e apoderou-se dos seus tesouros. O dia 23 de fevereiro era a festa da Terminália, em honra a Términus, deus das fronteiras. Os imperadores Diocleciano e Galério pensaram que era apropriado: seria o dia em que terminaria o Cristianismo. No dia seguinte Diocleciano publicou o “Édito contra os Cristãos”. Os objectivos principais deste édito eram, como já tinham sido durante a perseguição de Valeriano, a propriedade cristã e o clero. O decreto ordenava a destruição das escrituras cristãs, dos livros litúrgicos, e dos lugares de culto em todo o império, e ainda a proibição de fazer construções para o culto. Além disso, estavam os Cristãos privados do direito de petição junto dos tribunais, tornando-os alvos potenciais de tortura judicial. Os Cristãos não podiam responder às ações interpostas contra si em tribunal. Os senadores, equites, decuriões, veteranos e soldados Cristãos foram privados dos seus postos, e os cidadãos imperiais foram reescravizados.

Pouco depois de o “Édito contra os Cristãos” ter sido publicado em Nicomédia, um Cristão chamado Eurius arrancou-o e rasgou-o, gritando “aqui estão os teus triunfos góticos e sármatas”. Foi preso por traição, torturado e queimado vivo logo de seguida, tornando-se assim o primeiro mártir. As medidas do édito foram conhecidas e impostas na Palestina em março ou abril (mesmo antes da Páscoa), e o édito foi usado pelos oficiais locais no Norte de África entre maio e junho. O primeiro mártir em Cesareia Marítima foi executado em 7 de junho. O édito entrou em vigor em Creta a partir de 19 de maio. E ao ritmo das passadas das legiões romanas foi o “Édito contra os Cristãos” chegando à Hispânia (em latim Hispania), isto é, às partes mais ocidentais do Império Romano, à Espanha e a Portugal, na actualidade.

Em outubro do ano 303 a tempestade da Grande Perseguição sobre Cristãos rugia e sacudia os Cristãos da Hispânia. Naturais de Ebora Liberalitas Julia, actual Évora, em Portugal, os irmãos Vicente, Sabina e Cristela, todos Cristãos, foram torturados cruelmente. Tiveram os membros desconjuntados e as cabeças esmagadas.

Pelo que podemos conferir nos anais do seu martírio, Vicente foi feito prisioneiro antes das suas irmãs Sabina e Cristela, tendo sido levado à presença do magistrado romano Daciano, que estabeleceu com o jovem Cristão o seguinte diálogo: “... Perdoo à tua juventude essas liberdades, pois sei que não chegaste ainda à idade de uma prudência completa, pelo que devo aconselhar-te a que me ouças como a um pai, como tal ordeno-te que sacrifiques aos deuses imperiais”.

O jovem Vicente assim respondeu: “Careceria de sólido juízo, se, desprezando o verdadeiro Deus que criou o céu e a terra, que penetrou os abismos e circundou os mares, prestasse culto aos falsos deuses de madeira e de pedra, representados em estátuas vãs”. Devido à resistência do jovem cristão, foram-lhe dados três dias para pensar, queimar incenso aos deuses do império e negar a sua fé cristã. Certo de que estava no caminho da verdade não podia negar a sua fé em Jesus Cristo, tentou fugir com as suas irmãs Sabina e Cristeta, mas foram capturados pelos soldados romanos, tendo sido submetido a atrozes torturas e por fim ao martírio, neste dia, 27 de outubro de 303.

Segundo uma das várias tradições, estes três jovens e corajosos Cristãos, são alentejanos e naturais da cidade de Évora, em Portugal. Outras localidades, em Ávila, na Espanha, reclamam ser o berço destes jovens mártires portugueses.

O “Édito contra os Cristãos” de 24 de fevereiro de 303 foi o único édito legalmente obrigatório no Ocidente. Eusébio de Cesareia escreve que o decreto produziu o encarceramento de muitos Cristãos e que os criminosos comuns ficaram muito “apertados” nas prisões, e tiveram de os libertar!


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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