… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

6 de outubro de 1536 • William Tyndale é estrangulado e o seu corpo queimado na fogueira


6 de outubro de 1536 William Tyndale 

é estrangulado e o seu corpo queimado na fogueira

William Tyndale nasceu muito provavelmente em North Nibley, na Inglaterra, em 1484 e morreu em Vilvoorden, na Bélgica, neste dia, 6 de outubro de 1536.

William Tyndale era descendente de uma antiga família da Northumbria, tendo frequentado a escola em Oxford e depois em Magdalen Hall e em Cambridge, tendo sido tutor, por volta de 1520, na família de Sir John Walsh, em Little Sodbury, em Gloucestershire.

William Tyndale foi ordenado para o ministério católico, mas o registo dessa cerimónia ainda não foi certificado.

Depois de entrar em contacto com as doutrinas da Reforma, Tyndale dedicou-se a estudar as Escrituras. Após isto, fez uma aberta declaração pública da sua adesão aos ideais reformados na casa dos Walsh, tendo disputado com dignatários católicos e levantando muita oposição pela sua pregação, o que para sua segurança, o levou a mudar-se para Londres por volta de outubro de 1523, onde começou a pregar as doutrinas da Reforma, tendo feito muitos amigos entre os católicos laicos, mas não nenhum entre os eclesiásticos católicos.

Em Londres foi recebido com muita hospitalidade em casa de Sir Humphrey Monmouth, sendo ajudado pecuniariamente por ele e por muitos outros, a fim de realizar o seu propósito de traduzir as Escrituras para o Inglês.

Mas ao não poder concretizar essa tarefa em Inglaterra, partiu para o Continente Europeu por volta de maio de 1524, visitando, na Alemanha, as cidades de Hamburgo e de Wittenberg.

Pensa-se que foi nesta cidade da Alemanha, localizada no estado de Saxónia-Anhalt, um dos cenários da Reforma Protestante, uma cidade com uma grande importância histórica para a Reforma do século XVII, já que foi na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg que Martinho Lutero pregou as suas 95 teses, o lugar onde William Tyndale traduziu o Novo Testamento para a língua inglesa, embora não se possa assegurar com toda a certeza que foi assim.

Entretanto, o certo é que a impressão do Novo Testamento foi começada em Colónia no verão de 1525 e completada em Worms, antes do final desse ano.

Por uma menção encontrada no diário de Spalatin referente ao dia de 11 de agosto de 1526 parece que William Tyndale ficou em Worms durante um ano, mas as notícias da sua relação com Hermann von dem Busche e a universidade de Marburgo são conjeturas sem certificação, sendo agora um facto comprovado que Hans Luft nunca teve uma imprensa em Marburgo, pelo que o colofão da tradução de Génesis e o título de vários panfletos que afirmavam haver sido impressos por Luft em Marburgo, são pormenores que adensam o mistério sobre a vida de Tyndale, durante o intervalo entre a sua partida de Worms e a sua estância final, em Amberes. A sua atividade literária durante esse período foi extraordinária.

Quando William Tyndale deixou a Inglaterra, o seu conhecimento do hebraico, se é que possuía algum, seria de natureza rudimentar, e, entretanto veio a dominar essa língua difícil, até ao ponto de produzir uma admirável tradução de todo o Pentateuco, de Josué, de Juízes, de Ruth, de I e de II Samuel, de I e de II Reis, e de I Crónicas, contidos na Bíblia Matthew de 1537 e do livro de Jonas, de maneira que o seu trabalho de tradução foi a base dessas porções da Authorised Version inglesa, constituindo noventa por cento das palavras dessa tradução e de uma grande parte da Revised Version inglesa.

As suas traduções bíblicas apareceram na seguinte ordem: Novo Testamento, 1525-26; Pentateuco, 1530; Jonas, 1531. Não há um título geral do Pentateuco, tendo cada um dos seus livros, o seu próprio título.

Além disso William Tyndale produziu as seguintes obras: A sua primeira produção literária original foi “A Pathtway into the Holy Scripture”, que é realmente uma reimpressão, ligeiramente alterada, do seu prólogo à edição do seu “Novo Testamento” e que apareceu publicada de forma separada antes de 1532; “The Parable of the Wicked Mammon” (1527) e “The Obedience of Christian Man” (1527-28). Essas obras provocaram em 1529, o “Dialogue”, de Thomas More. Em 1530 apareceu “Practyse of Prelates” de Tyndale, e em 1531 o seu “Answer” ao “Dialogue”, também o seu “Exposition of the First Epistle of St. John” e o famoso “Prologue” ao livro de Jonas; em 1532 “An Exposition upon the V, VI, VII, Chapters of Matthew”; e em 1536 “A Brief Dedaration of the Sacraments”, que parece ser uma publicação póstuma.

Todas essas obras foram escritas durante esses misteriosos anos, quando William Tyndale estava escondido em lugares seguros e bem escolhidos, fora da vista dos emissários eclesiásticos e diplomáticos de Wolsey ou de Henrique VIII, que procuravam o seu rasto e o perseguiam ferozmente, como fugitivo.

Convencido com a ideia de que o progresso da Reforma na Inglaterra se traduziria em segurança para ele, deixou o seu esconderijo, fixando-se em Amberes no ano de 1534, aí fazendo obra de evangelista e de tradutor da Bíblia.

Pelos manejos de um tal Henry Phillips, um inglês, agente de Henrique VIII ou dos eclesiásticos ingleses, ou de ambos, foi detido, e encarcerado no castelo de Vilvoorden, julgado por heresia ou traição, ou por ambas, e foi condenado.

Primeiro foi estrangulado e logo queimado no pátio do cárcere, neste dia, 6 de outubro de1536, em que o evocamos.

As suas últimas palavras foram: “SENHOR, abre os olhos do rei da Inglaterra.” Salvo a narração de Foxe, que é muito insatisfatória, e o oportuno descobrimento de uma carta escrita pelo próprio Tyndale no cárcere mostrando que estava vergonhosamente abandonado, embora tenha continuado com as suas tarefas literárias até ao final da sua vida, não há registo oficial da sua traição, arresto, julgamento e execução.

De facto, sabe-se menos de Tyndale de que “quase de qualquer um dos seus contemporâneos.” Se o desconhecido e o misterioso excita o interesse, então a vida de William Tyndale vai nessa linha, pois deve ter abundado em incidentes, miscelânea de aventuras, culminando em tragédia.

Que a sua preciosa vida pôde ter sido salva, não se pode pôr em dúvida, e, se bem que nem Thomas Cromwell nem o rei Henrique VIII tenham sido acusados de planear a sua morte, contudo é impossível exonerá-los de indiferença criminal e de descuido culpável.

William Tyndale ocupa um lugar na História como tradutor da Bíblia, apóstolo da liberdade e de principal promotor da Reforma na Inglaterra, embora em todos esses aspectos a sua influência não haja sido suficientemente valorizada ainda. A extensa declaração achada em quase todos os relatos de que Tyndale traduziu a partir da Vulgata e da Bíblia de Lutero, é demasiado daninha para a sua reputação, porque de facto, é contrária à verdade, já que as suas traduções foram feitas diretamente das línguas bíblicas originais. O prólogo de “William Tyndale’s Five Books of Moses” de Mombert, mostra conclusivamente que o Pentateuco de Tyndale é uma tradução feita a partir do original hebraico.

Como apóstolo da liberdade William Tyndale tem um posto na primeira fila entre os escritores do seu tempo, cuja heróica fortaleza e invencível amor à verdade se elevaram com uma força superior às proibições reais ou eclesiásticas, sendo elas as próprias chamas às quais o fanatismo e a tirania consignaram os seus escritos, as que os fizeram poderosos para converter a muitos aos princípios da Reforma.

Não é exagerado dizer que os nobres sentimentos de William Tyndale vertidos na pura e forte língua inglesa, e imersos nas doutrinas do Evangelho, moldaram as ideias dos mais notórios promotores desse grande movimento reformador nas Ilhas Britânicas, que, como ele mesmo, muitos deles acabaram selando as suas convicções religiosas com o seu sangue.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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