… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 25 de outubro de 2016

25 de outubro de 283 • Crisanto e Daria enterrados vivos



25 de outubro de 283 Crisanto e Daria enterrados vivos
O martírio dos cristãos Crisanto e Daria, num manuscrito francês do século XIV

Crisanto sentiu algo novo vivendo no seu coração. Um jovem rico, educado nas artes e nas ciências do século III, vivendo em Roma, deu por acaso com as Escrituras e outros escritos cristãos. Estes faziam mais sentido para ele do que os seus estudos anteriores. Ele converteu-se ao Cristianismo e procurou alguém para que o ensinasse mais. Um ermitão chamado Carpóforo instruiu-o mais plenamente na fé e batizou-o em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

O compromisso de Crisanto com o Cristianismo seria o motivo para a sua morte. Assim o diz a lenda, e uma lenda tem o valor que tem, ainda assim, esta lenda de Crisanto e Daria é uma das mais belas de que chegou até aos nossos dias vinda do século III, do tempo do Imperador Romano Marco Aurélio Numeriano (em latim Marcus Aurelius Numerius Numerianus, ? - 284).

O pai de Crisanto, Polemius, segundo se supõe, seria um soldado de alta patente no exército romano. Ele na sua escuridão espiritual desprezava o Cristianismo. Como poderia um “Homem Crucificado” ser Deus? Não tendo a iluminação do alto, exigiu que o seu filho Crisanto regressasse ao culto dos deuses romanos. Bom, isto era possível porque na Roma Imperial o “Pater famílias”, isto é, o pai de família detinha plenos poderes sobre toda a sua casa, o que incluía a esposa, filhos, mesmo os filhos homens adultos permaneciam debaixo da autoridade do “pater” enquanto este vivesse, os escravos, considerados então as propriedades móveis, e as demais riquezas, o património em prédios rústicos ou urbanos. Quando o seu filho Crisanto respeitosamente recusou, Polemius trancou-o em casa, numa pequena dispensa de víveres durante muitos dias. Em vez de alcançar os propósitos pretendidos, o abandono da fé do filho, isso apenas levou Crisanto a estreitar a sua relação pessoal com Cristo, a fortalecê-lo na sua fé e a torná-lo mais forte na sua determinação de andar no caminho de Jesus.

Perante a resolução serena, mas firme do seu filho, Polemius não sabia o que fazer. Um amigo da família aconselhou-o seduzir Crisanto, tentando trazê-lo de volta ao culto dos “Penates” e do “Lares” através do prazer. A sugestão fez sentido para Polemius e concordou com a ideia. Assim, mandou decorar um aposento da sua casa com cortinas luxuosas e outras ornamentações, preparando uma festa e vinho para o seu filho e contratou umas garotas '”sexy” para lhe sussurrarem umas doces sugestões aos seus ouvidos.

De imediato, Crisanto percebeu que esta era uma armadilha para a sua alma. Fortalecido pela oração fervorosa, resistiu às iscas do pecado que estavam diante dele. Mais uma vez Polemius percebeu que estava derrotado. Porém, querendo a levar a sua ideia avante, voltou a elaborar um novo plano.

Um cidadão cheio da experiência da vida aconselhou Polemius sobre Daria. Esta menina era uma bela virgem, dedicada à deusa Minerva, conhecida não apenas pela sua beleza, mas também pela sua inteligência. «- Arranje um casamento entre Crisanto e Daria e essa rapariga seria capaz de tirá-lo da loucura», sugeriu-lhe aquele homem.

Polemius correu para o templo dedicada à deusa Minerva e entrevistou a rapariga. Ela era tudo quanto ele tinha dito. Polemius combinou com a jovem para ela se tornar noiva do seu filho e para trazê-lo de volta à razão. No início da conversa, ela não podia crer que este homem que falava com ela estivesse a ser sincero, pois ela era de origem humilde, porém as lágrimas nos seus olhos, finalmente, convenceram-na de que não se tratava de uma brincadeira.

Depois de vestida para a solene ocasião, ela acompanhou o seu sogro a casa. Crisanto recebeu-a graciosamente. Quando a ocasião se proporcionou ouviu os argumentos dela e mostrou-lhe os seus pontos fracos. Como é que ela podia adorar deuses de pedra, de madeira e de ouro, perguntou-lhe mansamente Crisanto. Os templos ainda tinham de ter cães de guarda para proteger os seus tesouros de serem roubados! E não era só isso, pois as histórias que se ouviam dos deuses e das deusas provavam que cada deus e cada deusa eram pessoalmente culpados de tantos pecados!

Daria respondeu-lhe que ele estava sendo um simplório. Todas as cabeças pensantes sabiam que as histórias eram apenas fábulas e as imagens eram apenas para ajudar as massas ignorantes a concentrar as suas mentes nos deuses. Os deuses verdadeiros eram o vento e a chuva, o fogo e coisas deste género. Crisanto perguntou-lhe, então, porque é que os verdadeiros deuses iriam deixar que a glória que lhes era devida fosse dadas às imagens. Os "deuses" da chuva, do vento e do fogo estão todos à nossa volta e podem ser adorados directamente, arguiu ela. A isto respondeu ele, “não, há um Deus verdadeiro que fez todas estas coisas através de Jesus Cristo e que deve ser adorado.”

No fim de contas, foi Daria quem ficou convencida da excelência do Deus de Crisanto. Os dois assumiram o compromisso de realizar um casamento cristão, no qual cada um deles se dedicou a ganhar almas para Cristo.

A mesma lenda conta que o casal obteve muitas conversões, entre as quais se contam um tribuno de nome Cláudio, a sua esposa Hilária e os seus dois filhos de nomes Mauro e Jasão, que foram convertidos depois da prisão do casal por causa do seu testemunho, convertendo, igualmente, os setenta soldados da guarnição romana que os tinham guardado.

Por tais motivos, Crisanto e Daria foram condenados à morte, depois de sofrerem horríveis suplícios, foram levados à Via Salaria onde foram enterrados vivos. Depois os seus restos mortais foram transportados e sepultados num túmulo localizado nas catacumbas romanas.

Realmente houve um Crisanto e uma Daria e o seu martírio foi neste dia de hoje, 25 de outubro de 283. Os seus ossos foram encontrado no seu túmulo localizado nas catacumbas na Nova Via Salária, fora da cidade de Roma. Mas o resto da história, não pode ser confirmada.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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