… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

26 de outubro de 1466 • Erasmo de Roterdão, o autor do primeiro best-seller



26 de outubro de 1466 Erasmo de Roterdão, o autor do primeiro best-seller
Erasmo de Roterdão (retrato de Hans Holbein, o Jovem)

Supõe-se que Erasmo Desidério tenha nascido neste dia, 26 de outubro de 1466, em Roterdão, na Holanda. Contudo, há quem aponte os dias 26, 27 e até o dia 28 de outubro como o dia do seu nascimento. A data do seu falecimento é consensual, 12 de julho de 1536 em Basileia, na Suíça.

Erasmo de Roterdão, personagem admirável do Renascimento, criticou o clerodo seu tempo e pediu reformas na Igreja. Vivendo em Basileia na Suíça, (1514-1529) tornou-se o autor do primeiro best-seller no mundo, após o advento da imprensa de tipo móvel: o «Novo Testamento Grego». Por causa da publicação do “«Novo Testamento Grego» se diz que Erasmo “pôs o ovo que Lutero chocou”, como se ele fosse o inspirador da Reforma Protestante.

Aquando da sua estadia em Inglaterra, Erasmo iniciou a examinação sistemática dos manuscritos do Novo Testamento, por forma a preparar uma nova edição e uma tradução para Latim. Esta edição foi publicada por Froben de Basileia em 1516 e foi a base da maioria dos estudos científicos da Bíblia durante o período da Reforma.

Ele publicou uma edição crítica do Novo Testamento Grego em 1516, o “Novum Instrumentum omne, diligenter ab Erasmo Rot. Recognitum et Emendatum”. A edição incluiu uma tradução em Latim e anotações. Baseou-se também em manuscritos adicionais recentemente descobertos naquela época. Na segunda edição, o termo mais familiar "Testamentum" foi usado em vez de "Instrumentum". Esta edição foi usada pelos tradutores da versão da Bíblia do Rei Jaime I de Inglaterra. O texto ficou conhecido mais tarde como o “Textus Receptus”. Erasmo publicou mais três edições: 1522, 1527 e 1535.

Foi a primeira tentativa por parte de um académico competente e liberal de averiguar aquilo que os escritores do Novo Testamento tinham efetivamente dito. Erasmo dedicou o seu trabalho ao Papa Leão X, como patrono da aprendizagem, e considerou o seu trabalho como o seu principal serviço à causa do Cristianismo. Imediatamente depois, começou a publicação das suas paráfrases do Novo Testamento, uma apresentação popular do conteúdo de vários livros. Este, como todos os seus livros, foi publicado em Latim, mas as suas obras eram imediatamente traduzidas noutras línguas, com o seu encorajamento.

O “seu” «Novo Testamento Grego» influenciou grandemente muitos estudiosos, incluindo John Colet e William Tyndale, na Inglaterra, Martinho Lutero na Alemanha, Ulrich Zwingli na Suíça, mas o seu livro satírico “O Elogio da Loucura” foi o seu trabalho mais popular durante a sua vida.

Desidério Erasmo foi o principal humanista cristão da era da Reforma, que desejava reformar a Igreja através do esforço erudito. Educado em Deventer pelos “Irmãos da Vida Comum” (1475-84), passou seis anos como monge, e depois frequentou o Collège de Montaigu, em Paris (1494). Em 1499, visitou a Inglaterra, onde conheceu John Colet e Thomas More. Esta experiência influenciou-o a empregar o seu talento literário, o seu brilhantismo intelectual e a sua inteligência habilidosa no serviço por Cristo. Ficou fascinado com a perspectiva de estudar as Escrituras, além da tradição clássica que tanto o impressionava.

Com estes novos pontos de vista, Erasmo voltou para Paris e Louvain, onde começou o período mais produtivo da sua vida. Publicou os “Adágios” (1500), uma coletânea anotada de provérbios clássicos, o “Enchiridion” (1503), um manual de teologia prática, edições de Cícero e de Jerónimo, e uma edição crítica das “Anotações do N. T.”, de Lorenzo Valla. Um viajante constante, voltou para a Inglaterra em 1505, onde começou a sua tradução do N. T., e em 1506 viajou para a Itália, onde teve contacto directo com a cultura humanista.

Em 1509, Erasmo estava de regresso à Inglaterra, e tinha acabado o “Elogio da Loucura” que dedicou a Tomás Moro. Continuou a viajar, a traduzir o N. T. e a preparar edições críticas de Jerónimo, de Plutarco, de Séneca e de Catão. Em 1516, publicou a sua edição do “Novo Testamento Grego”, juntamente com a sua própria tradução em latim, talvez a sua obra mais importante. Outra publicação do mesmo período, a “Educação do Príncipe Cristão”, defendia a tolerância, a paz, a educação e a justiça social. Já por esta altura estava estabelecido em Basileia, onde, com excepção de algumas curtas viagens, morou e trabalhou durante muitos anos.

Erasmo foi um escritor prolífico, e em cada uma das principais categorias da sua obra revela algo da sua personalidade.

Em primeiro lugar, produziu muitos livros eruditos, inclusive matérias históricas, léxicos, traduções e edições críticas de livros anteriores. O seu propósito era combater a ignorância. Acreditava que seria possível chegar à verdade mediante a clareza de expressão. Um segundo elemento da sua abordagem é revelado nas obras satíricas como no “Elogio da Loucura”. Nesta obra Erasmo ridiculariza os humanistas e os estudiosos que se levam a si mesmos demasiadamente a sério, porém, reserva a sua ironia mais mordaz para os eclesiásticos intolerantes, os advogados pomposos e os governantes guerreiros.

Eis um exemplo: Erasmo de Roterdão, no “Elogio da Loucura”, conta que ouviu de um teólogo, octogenário, “parecia Escoto ressuscitado”, uma explicação do nome de Jesus que encerrava “tudo quanto se pode dizer do próprio Cristo”. Em três casos, na língua latina, Jesus escreve-se “Jesus”, “Jesum” e “Jesu”. Referindo-se às terminações, diz: “Estas três letrinhas indicam, com efeito, que Jesus é o princípio (summum), o meio (medium) e o fim (ultimum)”.

Nos escritos mais abertamente cristãos, Erasmo demonstra que nem a erudição nem o humor deviam ser uma finalidade em si mesmos. Estes elementos eram cultivados com a finalidade de alcançar o alvo da restauração do cristianismo primitivo. Erasmo sentia-se chamado para limpar e purificar a Igreja mediante a aplicação da erudição humanística na tradição cristã. Para ele, a verdade e a piedade não eram os resultados dos ritos e sacramentos, mas da pesquisa histórica.

Erasmo chegou ao auge da sua fama no início da Reforma Protestante. No início, encorajou Lutero, mas, depois do debate em Leipzig (1519), começou a criticá-lo. Por fim, rompeu publicamente com Lutero na sua “Diatribe sobre o Livre Arbítrio” (1524).

Erasmo nunca aderiu à Reforma Protestante, contudo manteve, sempre uma posição dúbia em relação ao Catolicismo. O Papa Paulo III quis dar a Erasmo o cardinalato, em 1535, a poucos meses da morte do humanista, mas este alegou condições de saúde para recusar. E após a sua morte, rapidamente os seus livros foram colocados no Index.

Em certo sentido, a História deixou Erasmo de lado, abandonando-o, a defender sozinho a sua posição contra os Reformadores e os Contra-reformadores.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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