… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

28 de outubro de 1892 • O heroísmo silencioso de Edith Warner na Nigéria

28 de outubro de 1892 O heroísmo silencioso de Edith Warner na
 Nigéria
O navio S. S. Boma navegava ao largo da costa da cidade de Lagos, na Nigéria, neste dia, 28 de outubro de 1892. Ele havia partido do porto de Liverpool quarenta e oito dias antes, com o propósito de permanecer em cada porto o tempo que fizesse falta para as cargas e descargas.

O convés enche-se de actividade. Os marinheiros com pequenos guinchos descarregam as mercadorias para pequenas embarcações. Alguns passageiros esgueiram-se por escadas de cordame grosso de sisal... (As melhorias no porto de mar em Lagos para permitir atracar embarcações oceânicas apenas começaram em 1907.)

Ansiosos com a possibilidade de ir a terra estavam Edith Warner e os dois missionários que viajam com ela: Sidney Hill, o recém-nomeado bispo do território e a sua esposa.

O navio S. S. Boma não tinha sido construído a pensar em ter mulheres a bordo como passageiros habituais. A comida servida a bordo, consistia quase sempre de bife muito salgado, o que contribuía muito para agravar o enjoo dos passageiros, pouco habituados ao rolo do mar mais picado.

Para Edith Warner, que estava abalada com o enjoo, a transferência para terra não foi certamente muito digna. Primeiro, ela teve de ser rebaixada por um guincho para um pequeno barco de cabotagem, este em seguida, remou até ao porto, aí ela foi içada, de novo, por um guindaste para a plataforma de desembarque.

Depois da restante da carga transferida, o navio começou a mover-se em direcção à costa. Para Edith Warner, uma senhora urbana, muito britânica, de 33 anos de idade, a vida como missionária em África estava prestes a começar. Alguns meses depois dela ter chegado aqui, navegou com o Sr. Hill e esposa deste, pelo o rio Níger até Onitsha. Os africanos lotaram a praia para veram uma mulher branca o que era muito estranho para eles. Assim apelidaram-na de Omenwa, que significa "filha de estimação", porque achavam que ela era filha da Sra. Hill.

Edith Warner nunca pensou em si mesma como querendo ser uma heroína. Era uma mulher calma, com dom para a música, o seu papel era bem diferente do de Mary Slessor, que trabalhou a 150 milhas de distância dali. Ela não era uma grande aventureira, que desafiasse os chefes africanos e julgasse os conflitos locais, como aquela heroína escocesa.

Mas Edith Warner foi ganhando os corações daquela gente entre quem se encontrava, ao longo dos anos, através do ensino regular das suas filhas. Como Maria Slessor, ela tentou também proteger os gémeos que os africanos deitavam fora, porque eles acreditavam na sua crença que os ensinava que os gémeos eram amaldiçoados. Em 1899, ela abriu um lugar para cuidar destes infelizes.

O seu trabalho principal consistia em ensinar a organização da vida na casa, a música, o catecismo e as habilidades práticas, tais como a cozedura do pão.

Porém, Edith Warner teve aventuras suficientes. Ela fez a viagem para o local da sua primeira missão em 1896 a pé. Nesta e noutras viagens que fez, ela descobriu o que significava ser a primeira mulher branca, muitas vezes a primeira pessoa branca, a ser vista. Centenas de africanos reuniam-se apenas para a ver. Entretanto, nas viagens que fez mais tarde, quando ela pretendia pousada, era expulsa das aldeias que eram hostis ao governo da Nigéria.

Numa das suas viagens, ela sofreu muito sob calor e chuva. A palhota onde ela deveria descansar tinha desmoronado. Os africanos locais nunca antes tinha visto uma pessoa branca e ficaram aterrorizados ao vê-la. Eles recusaram-lhe um lugar para ficar. Cansada como estava, teve de marchar nas trevas. Em todas essas adversidades, ela manteve sempre o bom humor.

É difícil medir a influência de uma mulher, como Edith Warner. Graças à formação oferecida por ela, os pastores eram capazes de encontrar mulheres que partilhavam a sua preocupação com as coisas de Cristo. Porque as meninas das aldeias inimigas vinham frequentar a mesma escola, as rivalidades tribais foram curadas. A música cativante que os seus dedos hábeis obtinham do seu violino atraiam muitos ouvintes para Cristo. Uma menina escrava, que foi convertido a Cristo através do ensino de Edith Warner, voltou para as pessoas que a tinham vendido cruelmente para lhes testemunhar do amor de Jesus.

Em 1924, Edith Warner teve de voltar para Inglaterra para ser submetida uma operação cirúrgica. Faleceu no ano seguinte.

Edith Warner (1892-1924), foi missionária em Onitsha, na Nigéria, fundou o St. Monica’s College.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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