… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 9 de outubro de 2016

9 de outubro de 1664 • Benjamin Keach testemunhou perante um magistrado desapiedado


9 de outubro de 1664 Benjamin Keach testemunhou perante um magistrado desapiedado
Benjamin Keache teve preso e exposto duas vezes no pelourinho por ter publicado um catecismo
Benjamin Keach ingressou no ministério batista como autodidata em 1659 e durante a sua carreira sofreu frequentes perseguições.

Em 8 de outubro de 1664 foi julgado em Aylesbury por Sir Robert Hyde, por ter tomado “certas posições daninhas” sobre a segunda vinda de Cristo num catecismo que tinha publicado. Foi sentenciado a uma multa de 20 libras e a duas semanas de encarceramento, sendo posto no pelourinho em dias separados em Aylesbury e Winslow. Esta sentença foi rigorosamente executada e o pequeno livro do Keach foi queimado publicamente.

No dia seguinte dia, ou seja neste dia, 9 de outubro de 1664, Benjamin Keach compareceu ante o Lorde Chefe da Justiça, Sir Robert Hyde. Pastor da Igreja Batista, o crime de Benjamin foi ter publicado um livro de instruções para as crianças, cuja doutrina não se conformava com os ensinamentos da Igreja de Inglaterra. Apesar de não existir uma única cópia hoje em dia dessa obra, a partir de quarenta outras publicações de Benjamin, é seguro conjecturar que ele discordava da igreja estabelecida acerca do baptismo infantil. Ele era de opinião de que apenas os adultos que entendiam o que estavam fazendo deviam ser baptizados.

O juiz procurou motivos para impor uma sentença de morte à vítima, mas não conseguiu encontrar nenhum. O júri considerou Benjamin apenas culpado de uma citação de um único versículo da Escritura, então Hyde intimidou os jurados para que encontrassem maneira de culparem o réu de outras acusações.

Assim que o veredicto a culpá-lo foi alcançado, o juiz Sir Robert Hyde declarou: “Benjamin Keach, estás aqui condenado por escreveres, imprimires e publicares um livro sedicioso e cismático, pelo qual este julgamento em tribunal te vai enviar para a prisão por quinze dias sem direito a fiança. No próximo sábado serás exposto no pelourinho em Aylesbury no mercado aberto durante duas horas, com um papel por cima da tua cabeça com esta inscrição: «Por escrever, imprimir e publicar um livro cismático intitulado “The Child's Instructor, or a New and Easy Primer” e na próxima quinta-feira serás exposto no mesmo modo e durante o mesmo tempo no mercado de Winslow, e, em seguida, o teu livro deve ser queimado publicamente diante de ti, pelo carrasco, para tua desgraça e da tua doutrina. E serás multado em vinte libras que reverterá para o erário de sua majestade, o Rei, e permanecerás na prisão até termos encontrado em ti garantias para o teu bom comportamento e então comparecerás ante este tribunal criminal e civil que se reúne, periodicamente, neste condado de Inglaterra, onde farás a renúncia das tuas doutrinas e onde deves fazer também a tua submissão pública, como te são impostas.»

Benjamin Keach esteve exposto no pelourinho em ambas as cidades. Normalmente uma pessoa nesta situação pode esperar a ser vaiada e apedrejada. Mas era tão grande o respeito sagrado que os espectadores tinham pela vida de Benjamin, que eles foram até muito gentis com ele. Eles escutaram atentamente quando ele defendeu o seu ponto de vista baptista. Ele foi tão convincente que o delegado ameaçou amordaçá-lo. Quando um ministro da Igreja da Inglaterra, levantou a sua voz contra Benjamin, foi o homem da Igreja da Inglaterra quem a multidão censurou por causas da sua vida sem Deus.

Esta punição não parou Benjamin de pregar. Nem outras prisões. Ele foi multado várias vezes. Uma vez uma companhia de cavalaria prendeu-o e acorrentou-o. Eles estavam prestes a pisoteá-lo até à morte com os seus cavalos, quando um polícia entrou em cena e lhe salvou a sua vida. Ele foi levado para a prisão onde sofreu muitas coisas.

Como o seu contemporâneo John Bunyan, Benjamin também foi um grande escritor. Os seus livros e os seus panfletos vendiam bem. Neles, ele defendeu o baptismo, a educação de crianças e o uso de hinos no culto. Ele também pediu neles que os seus leitores se certificarem de que realmente eram Cristãos.

Num de seus tratados, ele escreveu “O que pode fazer com que o estado de um ser humano seja pior do que ser um inimigo de Deus, de Jesus Cristo, e do poder da divindade, e ainda achar que é santo e um bom cristão?” Ele passou a explicar a diferença entre reforma (mudança exterior) e regeneração (mudança de coração). Uma das provas de regeneração que ele listou é odiar o pecado, tanto que se estaria disposto a perder tudo ou a sofrer o maior sofrimento possível ao invés de pecar contra Deus.

Em 1668 mudou-se para Londres e foi pastor da igreja batista em Tooley Street, Southwark.

Pela indulgência de 1672 a sua congregação construiu uma grande estrutura de madeira em Horsleydown.

A igreja de Benjamin cresceu tão rapidamente que ela teve de ser ampliada várias vezes. No fim de contas, ele pastoreou a igreja que veio a ser pastoreada por Charles Haddon Spurgeon. Na sua autobiografia, Spurgeon incluiu um breve relato da vida de Benjamin.

Keach foi um defensor do canto congregacional e diz-se que a sua igreja foi a primeira igreja batista a introduzir essa prática no ano de 1688.

As suas obras mais importantes são “Tropologia, a Key to open Scripture Metaphors” (Londres, 1682) e “Gospel Mysteries Unveiled” (4 partes, 1701). Outras obras que ainda hoje são recordadas “Travels of True Godliness” (1683), “The Progress of Sin: or the Travels of Ungodliness” (1684) e “A Golden Mine Opened” (1694).

Benjamin Keach foi um pregador baptista que obteve considerável fama como pregador e defensor das doutrinas baptistas, nasceu na Inglaterra, em Stoke Hammond, Buckinghamshire, em 29 de fevereiro de 1640 e morreu em Southwark, Londres, em 18 de julho de 1704.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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