… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 12 de novembro de 2016

12 de novembro de 1615 • Richard Baxter, um moderado em tempos imoderados




12 de novembro de 1615 Richard Baxter, um moderado em tempos imoderados
Richard Baxter, numa gravura do séc. XVIII, copiado dum retrato feito no séc. XVII, por John Riley
Richard Baxter é geralmente colocado entre os grandes teólogos puritanos. Baxter é conhecido sobretudo pela sua exemplar obra ministerial desenvolvida em Kidderminster, bem como, pelas suas obras, das quais estão publicadas, cerca de duzentas em língua inglesa.

Richard Baxter nasceu no dia de hoje, 12 de novembro de 1615, em Rowton, Shropshire, na Inglaterra, na casa do seu avô materno. Apesar da sua família ter ancestrais nobres, o de pai Richard Baxter já não tinha um papel destacado na sociedade do seu tempo.

Inicialmente, a educação de Richard Baxter foi pobre, e esteve a cargo do sacerdócio local, em Rowton. Mas em breve a sua situação melhorou, com a ajuda de John Owen (Stadhampton, 1616 - Ealing, 24 de agosto de 1683), mestre da escola livre de Wroxeter, onde Richard Baxter estudou entre 1629 e 1632 e onde fez progressos no latim.

A conselho de John Owen (Stadhampton, 1616 - Ealing, 24 de agosto de 1683), Richard Baxter não foi estudar para Oxford, de que depois se veio a arrepender, tendo ido antes estudar para o castelo de Ludlow onde esteve a cargo de Richard Wickstead, o padre do conselho local. Apesar da negligência de Wickstead, Baxter beneficiou-se da grande biblioteca do castelo.

Em 1638 Richard Baxter tornou-se sacerdote da Igreja Anglicana em Kidderminster, Worcestershire e foi a partir de 1642, por algum tempo, capelão do exército do Parlamento.

O seu ministério em Kidderminster entre os anos de 1641 e 1660, marcou a vida desta comunidade de uma foram indelével.

No decurso do seu ministério, Baxter procurou aumentar a cooperação e a tolerância entre os episcopais, os presbiterianos e os independentes na política eclesiástica.

Richard Baxter Apoiava ala dos não-conformistas, e acabou sendo expulso da Igreja da Inglaterra juntamente com dois mil outros clérigos, em 1662.

Após a restauração da monarquia, Richard Baxter perdeu através do “Decreto da Uniformidade de 1662” o seu cargo de sacerdote da Igreja Anglicana e após a “Lei de tolerância de 1672” viveu em Londres.

Em 10 de setembro de 1662 Richard Baxter casou-se com Margaret, filha de Francis Charlton, de Shropshire, que era vinte e quatro anos mais nova do que ele, que possuía riqueza e posição social, tendo sido a sua abnegada esposa que o acompanhou no exílio e no cárcere, tendo empregue o seu dinheiro prodigamente na libertação dos seus companheiros no ministério cristão menos afortunados. Margaret Charlton morreu em 14 de junho de 1681.

Ainda que tivesse sido proibido de actuar como pastor depois de 1662, continuou o seu ministério através dos escritos e das pregações.

Durante todos esses anos no fio do perigo Richard Baxter persistiu em pregar, sendo encarcerado em duas ocasiões, uma durante um curto período de tempo e outra desde 28 de fevereiro de 1685 até 24 de novembro de 1686. O juiz que o condenou na segunda vez foi George Jeffreys, que o tratou com a sua característica brutalidade. A acusação era que no seu livro “Paraphrase of the New Testament” (1685), Baxter tinha ofendido a Igreja Anglicana. Mas o insulto, as pesadas multas e o duro encarceramento não puderam dobrar o espírito de Baxter. No seu livro “O Pastor Reformado” Richard Baxter proclama o ideal a que ele se sentia obrigado. Pregou constantemente a grandes multidões e dirigiu os seus escritos ainda a mais vastas audiências. A “Ata de Tolerância de 24 de maio de 1689” acabou com os seus sofrimentos e Richard Baxter pôde morrer em paz, em Londres, no dia 8 de dezembro de 1691.

Três dos seus escritos têm sido frequentemente reimpressos: “The Saints Everlasting Rest” (“O Repouso Eterno dos Santos”, 1650), “The Reformed Pastor” (1656; publicado em português com o título “O Pastor Reformado”) e “A Call to the Unconverted” (“Uma chamada aos não convertidos”, 1657).

Em “The Saints Everlasting Rest” (“O Repouso Eterno dos Santos”, 1650) expõe “o estado de bem-aventurança dos santos ao desfrutarem de Deus na glória.” Continua sendo um dos clássicos da literatura devocional cristã – ainda que as suas mil páginas sejam geralmente abreviadas.

Na obra “The Reformed Pastor” (1656; publicado em português com o título “O Pastor Reformado”) descreve como os pastores devem cuidar primeiramente de si mesmos, e, depois, dos seus rebanhos. Inclui orientação prática para lidar com os problemas perenes do pastor ao ensinar e guiar a igreja (Pode ser lida uma versão resumida completa, por mim traduzida, aqui no meu blogue).

No livro publicado em 1657, “A Call to the Unconverted” (“Uma chamada aos não convertidos”) Baxter demonstra a sua preocupação evangelística. A obra consiste num apelo sincero e arrazoado aos não convertidos, para que se voltem para Deus e aceitem a Sua misericórdia.

Outras obras importantes de Baxter são: “Methodus Theologiae Christianae” (1681), escrito em latim, em que expõe a sua teologia de modo sistemático, e a sua autobiografia, “Reliquiae Baxterianae” (1695). Estes escritos, e outros da sua autoria, estão cheios de zelo evangélico para com os perdidos, de piedade genuína e dum desejo de trazer a reconciliação às divisões dos cristãos que estavam em luta nos seus dias.

A teologia de Baxter era moderada. Procurava evitar a acidez das posições polémicas, e achar a verdade no centro teológico entre os extremos. Procurava isolar sempre o elemento de verdade nos ensinamentos erróneos. Na teologia, não menos do que na eclesiologia, Baxter procurava ser um pacificador. Sendo assim, a sua teologia tornava-o impopular entre muitos cristãos na Grã-Bretanha, na sua época. Por exemplo, os calvinistas ofenderam-se com a sua aceitação da redenção universal, ao passo que os arminianos ofenderam-se com a sua aceitação da eleição pessoal. Apesar disso, Baxter procurava vindicar os seus pontos de vista diante dos seus críticos, através do seu apelo às Escrituras e à razão.

Na doutrina da Predestinação, ele confessava-se adepto da versão suave do francês Moyse Amyraut (1596-1664).

Na Língua Inglesa, o termo “Baxterianismo” significa hoje um Calvinismo moderado, que diz que Deus escolhe de facto apenas um pequeno número de pessoas, mas que não despreza ou rejeita ninguém.

Dean Stanley chamou a Richard Baxter “o chefe dos homens da escola protestante inglesa”. Em “A ética protestante e o espírito do Capitalismo”, Max Weber chama ao texto “Christian Directory” de Baxter um “compêndio de teologia moral puritana”.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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