… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

16 de novembro de 1632 • O preço terrível da batalha de Lucena


 16 de novembro de 1632 O Preço Terrível Da Batalha De Lucena
 
A morte do rei Gustavo Adolfo II, da Suécia, na Batalha de Lucena

Católicos e Protestantes enfrentaram-se na Batalha de Lucena (Lutzen, em alemão), uma das batalhas mais cruciais da Guerra dos Trinta Anos, neste dia, 16 de novembro de 1632. O horror da Guerra dos Trinta Anos, no século XVII, é suficiente para horrorizar qualquer um. Da população alemã de dezasseis milhões de pessoas, apenas quatro milhões sobreviveram. Antes da guerra, Habsburgo tinha 80 000 pessoas, no fim da guerra apenas 18 000 pessoas ficaram vivas!

Os exércitos de ambos os lados destruíram 30 mil povoações. Eles caçavam camponeses pacíficos por diversão. As quintas estavam por cultivar de tal forma que as florestas cobriram-nas completamente. O crime corria infrene.

A guerra começou na Boémia. O Imperador Fernando II, um Católico Romano ferrenho, opôs-se fortemente aos Protestantes. Ele proibiu a realização de cultos religiosos, aboliu os privilégios civis, demoliu os seus templos e escolas, e publicamente enforcou-os nas suas povoações. Os protestantes revoltaram-se em Praga e a revolta logo se espalhou por todo o Império austríaco.

Os protestantes, que constituíam a maior parte da população, estavam indignados com a agressividade da hierarquia católica. Os protestantes exigiam de Fernando II, o rei da Boémia e futuro imperador do Sacro Império, uma intercessão a seu favor. Todavia, as reivindicações foram totalmente ignoradas pelo rei, pois este era um fervoroso católico e um potencial herdeiro do poder imperial dos Habsburgos. Fernando II estabeleceu o catolicismo como único credo permitido na Boémia e na Morávia. Os protestantes boémios consideraram o acto de Fernando como uma violação da “Carta de Majestade.” Isso provocou nos boémios o desejo de independência.

A resposta da maioria protestante não se fez esperar: em 23 de maio de 1618, descontentes com os católicos que destruíram um de seus templos, invadiram o palácio real em Praga e lançaram dois dos seus ministros e um secretário pela janela, facto que ficou por isso conhecido como a “Defenestração de Praga” ou “violência de Praga”, tendo despoletado a sublevação protestante. Assim começava a guerra.

Os Protestantes estavam sendo derrotados quando a ajuda veio do rei Gustavo Adolfo II, da Suécia (9 de dezembro de 1594 — 6 de novembro de 1632). Curiosamente, a França católica, jogava um jogo inteligente sob Richelieu, pois auxiliava Gustavo e o seu exército de luteranos. Richelieu estava tentando minar o Império Habsburgo.

O rei Gustavo, um luterano devoto, cria que Deus o havia chamado para obter a liberdade religiosa e política para a Europa. Como rei, ele havia trazido a prosperidade à Suécia, construindo novas escolas, hospitais, bibliotecas e promulgando leis justas. Ele expôs a força moral da sua humildade e seu o amor a Deus neste serviço. Antes de avançar para a batalha, o seu exército disciplinado entoava hinos cristãos. Na vitória, ele foi o primeiro dirigente a tentar aplicar as teorias de tratamento humano mas condições de guerra e paz apresentadas por Hugo Grotius.

O rei Gustavo desembarcou com o seu exército em solo alemão, em 1630, e logo travou uma batalha contra o exército austríaco católico. Ele obteve uma sucessão de vitórias na Pomerânia, na Saxónia, no no Reno, em Baviera, que o colocou no domínio de grande parte da Alemanha. Richelieu ficou alarmado.

O ano de 1632 não decorreu militarmente tão bem para Gustavo como o ano anterior. Finalmente, em Novembro de 1632, ele achava que tinha uma hipótese de fazer um ataque surpresa a Wallenstein em Lucena. No entanto, os movimentos dos seus soldados foram detectados rapidamente pelo exército Imperial. Como resultado, Gustavo foi arrastado para a batalha contra um exército inimigo maior e mais bem preparado, que tinha reforços nas proximidades. Atacando bravamente, mas imprudentemente, à frente dos seus homens, Gustavo ficou escondido deles num banco de nevoeiro.

Assim, neste dia 16 de novembro de 1632, Gustavo foi cercado por soldados inimigos. Eles exigiram-lhe que dissesse quem era. Gustavo replicou-lhes: “Eu sou o rei da Suécia! E hoje selo com meu sangue, as liberdades e religião da nação alemã.” Já ferido por alguns tiros no braço e nas costas, ele foi imediatamente executado por uma dúzia de espadas.

Sedento por vingança, Bernhard, duque de Saxe-Weimar, forçou o vacilante exército sueco a fazer vários ataques desesperados. Contra todas as probabilidades, o exército sueco varreu o exército imperial, diante deles, apesar dos reforços católicos que tinham chegado. Mas a vitória protestante teve um preço terrível. 15 mil dos seus homens, e a fina flor do exército sueco, morreu naquele dia.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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