… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 20 de novembro de 2016

20 de novembro de 1839 • John Williams torna-se um banquete canibal




20 de novembro de 1839 John Williams 
torna-se um banquete canibal



John Williams na (na imagem) encontrou hostilidade quando desembarcou em Erromanga, nas Novas Hébridas (actualmente, Vanuatu) neste dia, 20 de novembro de 1839. Ele tentou regressar ao seu barco, mas não foi suficientemente rápido. Os Swift-footed, os indígenas locais capturaram-no. O missionário que tinha a esperança de banqueteá-los com o Evangelho, veio, ele mesmo, a ser o seu banquete.

Quando os habitantes das ilhas espalhadas e disseminadas pelo Pacífico Sul, ouviram esta notícia, muito choraram. John era muito amado. Sendo um dos missionários mais bem sucedidos dos tempos modernos, tinha aprendido as línguas e os costumes locais da Polinésia que muito tinha trabalhado para elevar moral, espiritual e economicamente os seus habitantes.

Para alguns, o seu sucesso tinha sido surpreendente. Afinal de contas, John Williams tinha pouca instrução, se bem que ele era um metalúrgico qualificado. No entanto, ele era uma pessoa muito prática, e com a sua habilidade, visão e senso comum encontrou soluções para os desafios que encontrou no seu campo missionário.

Educado numa família cristã, ele cresceu indiferente à fé cristã por alguns anos durante a sua juventude, até que ouviu um sermão que o despertou da sua letargia espiritual. Ele tornou-se um obreiro cristão activo e pouco depois ofereceu-se para o campo missionário à Sociedade Missionária de Londres (London Missionary Society).

Recém-casado, navegou com a sua jovem esposa para o Taiti. Apesar do conselho da Sociedade Missionária de Londres que não queria que ele negociasse ou navegasse pelos Mares do Sul, ele entendeu que devia fazê-lo. Por essa altura, ele mesmo construiu o seu próprio barco, “O Mensageiro da Paz” (The Messenger of Peace), sem que ele jamais tivesse visto antes como se construía um. Depois iniciou a navegação em mar aberto, percorrendo centenas de milhas marítimas. Como resultado da sua iniciativa, ele plantou Igrejas, não só no Taiti, mas também nas Ilhas Samoa, em Raratonga e em inúmeras outras ilhas do Pacífico Sul. Ele afirmava que todas as ilhas que eram conhecidas ao longo de uma linha de 2 000 milhas marítimas tinham recebido o Evangelho. Ele deixou ministros cristãos nativos da Polinésia em várias destas Igrejas locais. Daí ser John Williams apelidado muito justamente o “Apóstolo da Polinésia”.

Numa visita que efectuou à Inglaterra, entre 1838 e 1844, John Williams despertou enorme interesse missionário onde quer que testemunhasse. Um livro que ele publicou sobre o seu trabalho vendia-se bem. Estes fundos obtidos recentemente com as vendas efectuadas chegavam para permitir a John Williams fazer novas viagens missionárias.

As Novas Hébridas eram uma região nova e desconhecida para ele. Nenhum outro missionário tinha visitado aquelas regiões. Os seus habitantes estavam num estado de espírito de vingança por causa das crueldades perpetradas contra eles pelos tripulantes de um navio mercante. Sem saber do bem que John pretendia fazer-lhes, eles perseguiram-no, como vimos, e mataram-no e comeram-no. A sua história inspirou inúmeros missionários a aventurarem-se para aquelas ilhas, e vários barcos missionários foram enviados para lá depois do seu infortunado martírio.

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John Williams nasceu em Londres em 29 de junho de 1796 e morreu na Erromanga, Novas Hébridas, em 20 de novembro de 1839. Foi um missionário inglês, chamado o “Apóstolo da Polinésia”. Depois de receber uma educação comercial foi aprendiz de ferreiro, mas em 1816 sentiu-se dirigido à tarefa missionária, sendo enviado em 1817 como missionário pela Sociedade Missionária de Londres para o campo missionário nas ilhas Sociedade, no Pacífico. Primeiro foi missionário em Papetoai, logo depois em Huahine e em 1818 assentou arraiais na ilha de Raiatea, a maior do grupo Leeward. Dali como centro desenvolveu a sua tarefa educativa, não só a nível espiritual mas também ao nível da indústria e da economia. Ele descobriu a ilha Rarotonga em 1823 e aí fundou missões cristãs. Mais tarde, ele traduziu partes da Bíblia e outros livros para a língua falada em Rarotongan. Após uma visita à Inglaterra (1834-1838), voltou aos mares do Sul num navio missionário equipado recentemente e com outros dezasseis missionários. Numa região das Novas Hébridas, onde ele não era conhecido e onde ele estava planeando começar uma missão foi morto por selvagens antropófagos em 20 de novembro de 1839. A sua “Narrativa das aventuras missionárias nas Ilhas do Mar do Sul” (“Narrative of Missionary Enterprise in the South Sea Islands”) (1837) lançou uma luz valiosa sobre o trabalho missionário na Polinésia.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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