… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

23 de novembro de 1654 • Conversão de Blaise Pascal



23 de novembro de 1654 Conversão

de Blaise Pascal


Sempre que vemos um génio que tem muitos talentos, como por exemplo, Leonardo da Vinci, Thomas Jefferson ou Benjamin Franklin, chamamos a essa pessoa um “homem renascentista”. Blaise Pascal (na imagem), nascido na França, era um homem renascentista. Ele foi um proeminente matemático, físico, inventor e escritor cristão. Ele fez importantes contribuições na geometria, no cálculo e ajudou a desenvolver a teoria das probabilidades. A “lei de Pascal” é a base para as operações da hidráulica. Ele inventou a primeira calculadora mecânica do mundo. A linguagem de computador conhecida como PASCAL foi assim chamada em sua homenagem.

Pascal cresceu aceitando a Bíblia como a Palavra de Deus, mas de uma forma bastante abstracta. Ele investigou o Jansenismo (1), um movimento Católico reformador, que enfatizava o conceito agostiniano (e calvinista) da graça. Não obstante, ele vivia com um sentimento de desespero espiritual. Desgostoso consigo próprio, uma vez, escreveu: “Se alguém não sabe que ele mesmo está cheio de orgulho, de ambição, de concupiscência, de fraqueza, de mesquinhez e de injustiça, ele é muito cego. E se, sabendo-o, não deseja ser livre disso, o que é que alguém lhe pode dizer?”

Neste dia, 23 de novembro de 1654, os cavalos da carruagem onde Pascal viajava soltaram-se e precipitaram-se de uma ponte. Pascal foi atirado para o leito da rua. Ele viu isso como um aviso vindo directamente de Deus. Naquela noite ele experimentou uma conversão cristã, que faria com que o seu excepcional trabalho científico tomasse o segundo lugar nas suas actividades. A luz inundou o seu quarto. Ele reconheceu Jesus, o Verbo. Pelo resto da sua vida, Pascal andou com um pedaço de pergaminho costurado no seu casaco, um pergaminho com inscrições de frases extáticas:

“Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob, não dos filósofos e dos estudiosos ... Alegria, alegria, alegria, lágrimas de alegria ...” “E a vida eterna é esta: que Te conheçam, a Ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste.” “Jesus Cristo. Jesus Cristo ... Que eu nunca O renegue ... Eu não vou esquecer a Sua palavra. Ámen.”

Daquele dia em diante, Blaise Pascal percebeu ainda mais profundamente que ele devia viver em primeiro lugar para Deus. Começou por dar muito mais aos pobres.

Pascal envolveu-se intimamente com os jansenistas, um grupo de Católicos que enfatizam a moralidade em todos os aspectos da vida. Em 1657, Pascal publicou as suas “Les Provinciales” (“Cartas Provinciais”), um conjunto de 18 cartas escritas para defender o jansenista Antoine Arnauld, oponente dos jesuítas, que estava em julgamento pelos teólogos de Paris, onde Pascal criticava a doutrina moral dos jesuítas, o racionalismo de Descartes, e o cepticismo de Montaigne, e onde também exigia um regresso às doutrinas da graça de Agostinho. Voltaire descreveu o conjunto das 18 cartas como “a primeira obra de génio aparecida em França” (o que significa o lugar cimeiro na literatura coloquial francesa), que ainda hoje continua a ser reconhecida como tal.

Pascal redige em 1670 os “Pensées” (“Pensamentos”), um tratado sobre a espiritualidade, em que fez a defesa do Cristianismo. É nesta sua obra, “Pensées” (Pensamentos), que está a sua frase mais citada: “O coração tem razões, que a própria razão desconhece.”

Pascal também escreveu que chegamos a conhecer a verdade de Deus, não só pela razão, mas mais ainda pelo coração, pela fé. É através do nosso coração que nós conhecemos a Deus e O amamos. É pela fé que podemos vir a conhecer a Cristo - e só Deus nos dá a fé.

Recordamos que no dia de hoje, 23 de novembro de 1654, Blaise Pascal, aos 31 anos de idade teve uma experiência genuína de Novo Nascimento, o que o levou a pôr em segundo lugar todas as suas actividades da sua vida, porque como ele então compreendeu “a religião cristã obriga-nos a viver apenas para Deus, não tendo outro objectivo senão a Ele.”

Blaise Pascal (Clermont-Ferrand, 19 de junho de 1623 — Paris, 19 de agosto de 1662) foi um físico, matemático, filósofo moralista e teólogo francês.

Notas
(1) Jansenismo s. m. doutrina “herética” de Cornélio Jansen, teólogo e bispo de Ipres (Bélgica) relativamente ao livre-arbítrio e à graça. (Do fr. jansénisme, «id.»)


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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