… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

3 de novembro de 1723 • As orações da mãe de Samuel Davies

3 de novembro de 1723 As orações da mãe de 
 
Samuel Davies
Se eu hoje me lembrasse de vos perguntar o nome de alguns dos grandes pregadores do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo toda a gente nascida de novo teria algum nome pronto na ponta da língua. Quem não se lembraria logo de Paulo de Tarso, de Agostinho de Hipona, de Lutero, de Calvino, de George Whitefield, de João Wesley, de … sem dúvida que haverá uma gloriosa plêiade!

Permitam-me, contudo, de nos Estados Unidos da Améria recordarmos ainda nos seus primórdios coloniais Roger Williams, Francis Makemie, Cotton Mather, William Tennant, Theodore Frelinghuysen, Jonathan Edwards, John Witherspoon, e … Samuel Davies. Este Samuel Davies foi o “Apóstolo da Virgínia.” E foi neste dia, 3 de novembro de 1723, que ele nasceu em Summit Ridge, perto de New Castle, no Delaware.

Os seus pais eram profundamente religiosos, ambos de ascendência galesa. Eles eram membros activos e muito sinceros da Igreja Presbiteriana Pancader, em Delaware. Especialmente a sua mãe estava a causar uma profunda impressão espiritual no seu jovem filho Samuel. Este comentaria depois, que era um filho de oração, assim como o Samuel bíblico tinha sido um filho de oração. Posteriormente, ele reconheceu que tudo o que tinha realizado a favor do Salvador na sua vida e no seu ministério, o devia como respostas diretas às orações da sua devota mãe.

Foi no início da sua adolescência que Samuel nascendo de novo teve a certeza clara da justificação pela fé. Ele, então, a partir daí congregou-se com a Igreja Presbiteriana. Educado na famosa Fagg’s Manor, a clássica escola teológica presbiteriana, em Cochrinville, Pensilvânia, aí recebeu a sua guia de marcha espiritual para se tornar o “Apóstolo da Virgínia”, tendo levado o Evangelho a esta parte do novo mundo, na Nova Inglaterra.

Samuel Davies havendo estudado na escola de Samuel Blair (1712-1751), em Fagg's Manor (Londonderry), Chester County, na Pensilvânia, e tendo sido ordenado em 1747 foi enviado para Hanover County, na Virgínia, onde a sua posição como pastor do Evangelho foi difícil e delicada por causa da oposição das autoridades locais para com os dissidentes. Em 1753-54 esteve na Inglaterra, com o Gilbert Tennent, em busca de recursos para o Colégio de Nova Jersey, que é hoje a famosa Universidade de Princeton, e também para obter uma declaração real para que a “Ata de Tolerância” se estendesse também ao território da Virgínia. A “Ata de Tolerância” foi uma lei aprovada pelo Parlamento de Inglaterra em 24 de maio de 1689, cujo nome completo era "Lei para excetuar os súbditos protestantes de Sua Majestade que dissentem da Igreja da Inglaterra das penalidades de certas leis.” Esta “Ata de Tolerância” concedia liberdade de culto e libertava dos impedimentos legais os protestantes dissidentes.

Quando Davies estava na Inglaterra na sua dupla missão, o rei George II que então estava no trono da Inglaterra, ouvindo falar da sua fama, convidou-o para pregar na capela real. Quando aí pregava, durante o sermão, Davies observou que rei falava e ria com os que estavam perto dele e Samuel Davies interrompendo a pregação, fixou os olhos no monarca e disse: “Quando o leão ruge, os animais da floresta tremem; e quando o Rei Jesus fala, os príncipes da Terra devem manter silêncio.” Dizem os que assitiam ao sermão que os comentários que o rei fez naquela ocasião perante a ousadia do pregador foram expressões de maravilha e de encanto

Estamos em crer que este sermão abriu as portas para o bom resultado da missão que o havia levado a ele e a Gilbert Tennent à Metropole inglesa, já que o rei George II fez depois uma substancial doação para os fundos do Colégio de New Jersey, e mais tarde, quando Sua Majestade faleceu em 25 outubro de 1760, Davies pregou um sermão sobre o seu carácter e a sua morte.

Depois de regressar a Nova Inglaterra, Samuel Davies organizou o primeiro presbitério na Virgínia em 1755. Em 1759 sucedeu a Jonathan Edwards como presidente do Colégio de New Jersey, após a presença fugaz deste ínclito pastor no cargo.

Samuel Davies foi um eloquente pregador, admirado nos dois lados do Atlântico, tanto na Velha como na Nova Inglaterra. Davies escrevia os seus sermões com grande cuidado, mas, quando os entregava, era livre e eloquente. Em certa ocasião, fazendo um comentário sobre a sua própria pregação, afirmou: “Talvez uma vez em cada três ou quatro meses eu prego na medida certa que desejo, ou seja, prego como na presença de Deus e é como se houvesse um passo que separasse o púlpito do tribunal supremo. Eu assim o sinto. Eu encharco-me em lágrimas ou estremeço de horror quando denuncio os terrores do Senhor. Eu inflamo-me, elevo-me em êxtase santo quando o amor de Jesus é o meu tema:

“Tenho pregado como se tivesse a certeza de que nunca mais pregaria de novo;
E como homem moribundo a homens moribundos.”

Além disso, Samuel Davies foi um escritor prolífico, até poeta, sendo que alguns dos seus poemas foram usados no culto divino como hinos de louvor a Deus.

Finalmente, em Princeton, Nova Jersey, na Nova Inglaterra, no dia 4 de fevereiro de 1761, Samuel Davies terminou a sua carreira terrestre.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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