… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 6 de novembro de 2016

6 de novembro de 1832 • O enfermiço Melville Cox aceita o desafio da missão na Libéria


6 de novembro de 1832 O enfermiço Melville Cox aceita o desafio da missão na Libéria

Melville Cox estava muito doente com tuberculose, pelo que até o simples falar lhe causava muito sofrimento. 

Em meados de 1831, Cox interessava-se por missões. A Igreja metodista Episcopal formara uma Sociedade Missionária em 1819, mas não encontrava ninguém disposto a assumir o risco. Durante sete anos, o dinheiro que estava para ser gasto com um missionário que fosse para a Libéria não se utilizava até que Melville Cox se ofereceu. Bem, Cox oferecera-se para o campo missionário da América do Sul. Porém, a comissão missionária presidida pelo Bispo Elijah Hedding mandou-o para outro campo missionário, para a Libéria, onde em 1821, a Sociedade Americana de Colonização conseguiu adquirir uma parcela de terreno perto da área do Cabo Mesurado, onde se fixaram os primeiros colonos negros livres oriundos dos Estados Unidos. Em 1824 a colónia recebia o nome de Libéria (do latim, “terra livre”).

Cox partiu de Norfolk para a Libéria, a bordo do veleiro Júpiter, neste dia, 6 de novembro de 1832, sendo o primeiro missionário enviado pelos metodistas norte-americanos para um campo missionário estrangeiro. Enquanto iam navegando, ele fez planos para a missão, porém, sabendo que não seria ele que os levaria a cabo. “Ao fazer a planificação da obra missionária, tenho seguido a melhor luz que poderia obter. Deixo tudo com Deus ...”

Quando a viagem de barco chegou ao seu destino, quase cinco meses depois, em 8 de março do ano seguinte, ele agradeceu a Deus, porque finalmente havia chegado a Monróvia, na Libéria.

Imediatamente começou a visitar os poucos cristãos da área, reuniu-os numa Assembleia, encetando assim o culto divino, e iniciando a escrita do seu livro “Esboços da África Ocidental” (Sketches of West Africa). Abriu uma escola onde ensinava setenta alunos. Mas, como havia previsto, a sua saúde não aguentou. Contraiu malária. Poderia ter voltado para casa no veleiro Hilarity aos primeiros sintomas dessa doença tropical mortal naquele tempo, mas preferiu ficar no campo missionário.

A sua visão para o seu trabalho na Libéria incluía o estabelecimento de uma casa para a missão, uma escola, um seminário para jovens cristãos convertidos e igrejas. Para a realização destes sonhos comprou uma casa que tinha sido anteriormente propriedade da Sociedade Missionária de Basileia, da Suíça, e deu começo à Igreja Metodista estabelecida na Libéria como um ramo da Igreja Metodista Episcopal dos Estados Unidos.

Em 1830, a sua esposa, e o seu bebé e vários membros chegados da sua própria família tinham morrido de tuberculose num curto período de tempo, causando-lhe perdas irreparáveis, apenas, superadas pelo grande sofrimento em que se encontrava, mas libertando-o das amarras que o podiam ter impedido de partir para a missão. Agora, o seu coração apenas ardia com o desejo de levar o Evangelho do Amor de Jesus a pessoas que nunca antes o tinham ouvido.

“Se vais para a África, morrerás lá”, avisou-o um estudante da Universidade Wesleyana de Connecticut (Connecticut's Wesleyan University).

“Se eu morrer em África, deves tu ir lá e escrever o meu epitáfio,” respondeu-lhe Melville Cox. Ele sentia que não seria uma perda o morrer longe da sua casa no campo missionário, porquanto Cristo estava com ele, por outro lado, ele sabia que a sua morte não viria longe por causa do seu trabalho missionário. O seu epitáfio deveria reflectir essa responsabilidade espiritual.

“Qual será ela?”, perguntou-lhe o estudante.

A resposta de Melville tornou-se numa tocha acesa para despertar o entusiasmo metodista, e por simpatia, de todos os espectros do Cristianismo, para com a obra missionária.

“Deixa que mil morram em África e ela será convertida!”, exclamou Melville.

O último registo no seu diário, foi escrito em 26 de junho de 1833, nele anotou que tinha sido à quatro dias que ele tinha visto por um médico. “Esta manhã sinto-me muito fraco. Entrego tudo nas mãos de Deus.”

Estava nas mãos de Deus e quando a febre mais fortemente o atacava ele apenas sussurava: “Eu sou feliz! Eu sou feliz! ... Os meus dias são imortais ...” Melville Cox estava muito doente com tuberculose, a que se juntava o sofrimento da malária, numa fase já muito adiantada, pelo que até o simples falar lhe causava muito sofrimento.

Apesar do seu estado de saúde ser tão debilitado, conseguiu sobreviveu quase um mês, não morrendo, senão em 21 de julho de 1833, isto é, apenas quatro meses e meio após a sua chegada a Monróvia, na Libéria! Estava morto aos 33 anos de idade! Pouco mais de quatro meses depois da sua chegada ao campo missionário! Passou menos tempo em África que o tempo de duração da viagem para lá!

Hoje ficamos surpreendidos de que uma Sociedade Missionária tivesse enviado um missionário com uma saúde tão precária para o campo missionário. Na verdade, houve quem estivesse em desacordo, e alguém até que dissesse a Cox que ele deveria levar consigo o caixão para  seu enterro! O trabalho das Missões não pode nem deve ser levado a efeito desta maneira. Seria uma loucura. Mas, no caso de Melville Cox, era a loucura da Cruz! Ele ergue-se como um farol altaneiro para toda a Igreja, refletindo o espírito do sacrifício de Cristo. Melville Cox deixou um grande legado para toda a Igreja na sua máxima de vida, expresso, quando aceitou o desafio da missão na Libéria, antes da sua partida para a África: “Mil cairão antes de se desistir da África” ou “Deixa que mil morram em África e ela será convertida!” Como se cumpriram em Melville Cox as palavras de Paulo de Tarso inspiradas pelo Espírito Santo: “Porque, quando estou fraco, então sou forte!” (2Co 12:10 ARC, Pt) O seu espírito triunfante, qual tocha ardente, tornou o seu exemplo numa poderosa ferramenta para o recrutamento de futuros missionários cristãos que muito fizeram e têm feito pela causa da evangelização do mundo!

****

Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: