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terça-feira, 8 de novembro de 2016

8 de novembro de 1845 • Layard encontra tesouros nas margens do rio Tigre



8 de novembro de 1845 Layard encontra tesouros nas margens do rio Tigre

Gravura de uma edição alemã da obra de A. H. Layard, (1852) “A Popular Account of Discoveries at Nineveh.” London: John Murray, onde se reproduzem os seus trabalhos arqueológicos.

Nos meados do século XIX, os arqueólogos desenterraram antigas civilizações do Oriente Médio, que tinham ficado muito tempo enterradas. Esses exploradores cristãos, familiarizados com relatos bíblicos, ansiavam descobrir mais factos sobre o passado. Entre eles estava um jovem inglês chamado Austen Henry Layard.

Austen era um homem inquieto. Se bem que se tivesse aborrecido da escola, ele estava longe de ser ignorante. Entusiasmado com as histórias das “Mil e Uma Noites” (Arabian Nights), desejava viajar pelas terras dos árabes. Na sua preparação para esse fim, aprendeu sozinho um bocadinho de árabe e todo o tipo de coisas que ele achava que poderia ajudá-lo a tornar o seu sonho realidade. Finalmente, aos 22 anos de idade, quase sem nenhum dinheiro no bolso, ele abandonou a rotina de trabalho num escritório de advocacia e abalou para o Médio-Oriente. Depois de jornadear pela Palestina e pela Síria, aventurou-se a ir até ao rio Eufrates. A sua imaginação excitou-se com os montes de areia que cobriam as antigas cidades. O seu entusiasmo levou-o ao embaixador britânico para que ele o financiasse. No ano de 1845 encontrou em Mossul, uma cidade no que é hoje o Norte do Iraque. A área estava, nesse tempo, sob domínio turco, governada por um paxá (governador local), particularmente cruel.

Neste dia, 8 de novembro de 1845, Austen Henry Layard passou sem ser notado para o sul do rio Tigre. Para desviar a atenção, fingiu que estava fora para caçar javalis. Em vez disso, ele foi para perto de Tell Nimrud, com os trabalhadores contratados, e começou a cavar. Depois de cavada uma longa trincheira sem encontrar nada, ele estava sem dinheiro e em vias de desistir. Mas, dentro de 24 horas, deparou-se com duas descobertas importantes.

Para o espanto dos trabalhadores árabes contratados, enquanto escavavam apareceu o palácio de Assurbanipal, com baixo relevos, figuras enormes, geralmente representando touros ou leões com cabeça humana e uma série de tesouros arqueológicos semelhantes. Ele, erradamente, pensou que eram restos de Nínive, contudo, o local acabou por ser identificado como Calah. Um dos seus achados iniciais, mais tarde, foi decifrado como referindo-se ao tributo pago à Assíria por um rei de Israel. Trata-se de “O Obelisco Negro de Salmaneser”, um artefacto que o arqueólogo Austen Henry Layard encontrou, no local que ele identificou como sendo a antiga cidade de Nínive. Este artefacto, “O Obelisco Negro de Salmaneser”, é um dos mais antigos artefactos arqueológicos que se refere a um personagem bíblico: ao rei hebreu Jeú. Este Jeú viveu cerca de nove séculos antes de Cristo. Esta jóia bíblica encontra-se preservada no Museu Britânico, em Londres.

Em 1849, Layard realiza escavações em Kuyundrik, no sítio arqueológico abandonado por Paul Emile Botta (1802 - 1870). Em pouco tempo descobre as ruínas do palácio de Senaqueribe e o famoso Prisma Taylor, relatando os anais do imperador incluindo o cerco a Jerusalém no tempo de Ezequias (II Reis 18 e 19). Logo, a antiga Nínive aflorava novamente no silêncio das suas ruínas que transmitiam um passado esplendoroso.

Fascinado pelos achados, Layard empenhou-se em mais descobertas. Em 1850, juntamente com o seu assistente Hormuzd Rassam (1826 – 16 de setembro de 1910), encontraram a famosa Biblioteca de Assurbanipal II (669-626 a.C.), contendo mais de 24 mil tabuinhas de argila escritas em cuneiforme acadiano e sumeriano. Este achado demonstrou que Assurbanipal, interessado nos factos passados, mandou os seus escribas a vários lugares a fim de coleccionar documentos de antigas bibliotecas. Entre os registos mais importantes para o estudo da Bíblia encontrados nessa biblioteca, figuram o relato babilónico da Criação numa versão assíria datada de 650 a.C., a qual é considerada como cópia de uma versão mais antiga. O relato do Dilúvio, escrito em 12 tabuinhas de argila e que compõe o poema da Epopeia de Gilgamesh. Outros relatos são a Lenda de Etana, o Mito de Adapa, cujo conteúdo é uma versão sobre a criação do homem.

Entre os anais históricos cabe apontar o Cilindro Rassam, mandado escrever por Assurbanipal para registar os seus feitos guerreiros, uma confirmação sobre o tributo do rei Manassés, de Judá, conforme é relatado em II Crónicas 33:11.

Além desses achados, foram também descobertas as ruínas dos palácios de Tiglat-Pileser I (1115-1072 a. C.), Assurbanipal II (884-859 a. C.), Sargão II (722-705 a. C), testificando sobre Nínive como a grande capital do império assírio.

Para os cristãos, o significado dos achados arqueológicos de Layard, foi uma luz que brilhou sobre a Bíblia e a confirmação de que eles concordam e confirmam os acontecimentos históricos que a Bíblia nos narra. Ele descobriu os palácios de vários déspotas mencionados na Bíblia, incluindo os de Senaqueribe, escavado em Nínive, e encontrou um relato sobre o cerco brutal de Laquis, uma cidade em Israel. E, claro, ele encontrou a inscrição que fala de Jeú, da Casa de Omri – comprovando a existência real daquele monarca bíblico.

Layard também descobriu as ruínas da antiga Suméria, uma civilização ainda mais antiga do que a babilónica.

Após sete anos de escavações no Médio Oriente com resultados espectaculares, Layard regressou para a Inglaterra, onde foi recebido em triunfo. Foi eleito para o Parlamento e mais tarde ocupou lugares de destaque no governo inglês.

Austen Henry Layard (5 de março de 1817 - 5 de julho de 1894) foi um arqueólogo e diplomata britânico nascido em Paris, um dos pioneiros no estudo in loco das civilizações assíria e babilónica. Após viajar pela Ásia, integrou missões diplomáticas em Constantinopla, hoje Istambul (1842). Trabalhou em Mossul, na Mesopotâmia otomana (Iraque), e interessou-se pelas cidades assírias citadas na Bíblia. Para encontrar Nínive, fez escavações em Nimrud, no Iraque (1845-1851). Localizou Nínive e o palácio de Senaqueribe (1849) e os seus achados foram transportados para o Museu Britânico. No sul do Iraque, pesquisou as ruínas da Babilónia e de outras cidades (1853). As suas escavações revelaram, além de baixos-relevos, esculturas e outros objectos, muitas tábuas cuneiformes com informações sobre a história e a cultura da Assíria e da Babilónia. Membro do Parlamento (1952-1869), ocupou o posto de subsecretário das Relações Exteriores (1861-1866) e foi embaixador em Madrid (Espanha) e Constantinopla (Turquia). Feito cavaleiro (1878), dois anos depois fixou-se em Veneza, onde colecionou pinturas e escreveu sobre a arte italiana e morreu em Londres. As suas obras mais importantes foram “Nineveh and its Remains” (1849) e “Discoveries in the Ruins of Nineveh and Babylon” (1853).


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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