… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

28 de novembro de 1628 • João Bunyan, um “Peregrino”, no Caminho de Jesus




28 de novembro de 1628  João Bunyan, um “Peregrino”, no Caminho de Jesus
 John Bunyan passou muita da sua vida na prisão porque insistia em pregar
João Bunyan nasceu em Elstow, Bedfordshire, Inglaterra, neste dia, 28 de novembro de 1628. A sua casa era uma pequena cabana de palha, e o seu pai era um funileiro, que passava os dias empurrando uma carroça pelas estradas, parando nas casas para consertar panelas e frigideiras.

Bunyan recebeu alguma educação escolar formal, mas como a maioria das crianças dos seus dias, aprendeu a profissão do seu pai. Durante a Guerra Civil Inglesa (1642-1651) foi soldado, provavelmente do lado puritano. Aos dezanove anos casou-se, e a sua esposa cristã levou-o a tentar reformar a sua vida. Contudo João constantemente escorregava para os seus velhos hábitos. Ainda que tenha vivido o suficiente para impressionar posteriormente os seus vizinhos, ele descreveu-se como um “hipócrita disfraçado.”

Em 1651, João começou a frequentar uma reunião de cristãos independentes em Bedford, e foi intensamente movido pela pregação bíblica do seu pastor. João começou a debruçar-se sobre as Escrituras, até que o conflito dentro dele terminou com a certeza da graça de Deus na sua vida. João Bunyan obteve a salvação.

Depois da sua real conversão, ele ingressou na congregação de Bedford e começou a pregar lá, maravilhando os outros crentes com os fantásticos dons espirituais de um “mero” funileiro ambulante. Embora o rei Carlos II tivesse prometido primeiramente liberdade de religião, cada vez mais a Igreja Anglicana se tornou apenas a Igreja aceite na Inglaterra. A dissidência espiritual não era tolerada, e em 1661 as autoridades enviaram João para a prisão de Bedford por ele continuar pregando. O tempo passado na prisão foi muito difícil para a sua família e especialmente para a sua filha cega. Permaneceu preso até 1672, quando o rei Carlos II promulgou a “Declaração de Indulgência”, estendendo a clemência para os cristãos não anglicanos.

Após a sua libertação, a Assembleia dos Independentes de Bedford convidou-o para que fosse seu pastor. Ele recebeu uma licença para pregar e ficou conhecido como bispo Bunyan, tornando-se, talvez, no génio organizador dos Independentes naquela área, mas a tolerância religiosa na Inglaterra daquele tempo não durou muito.

Em 1675, Bunyan estava novamente na prisão, e aí começou a escrever a sua maior obra: “The Pilgrim”s Progress” (“O Peregrino”). “O Peregrino - A Viagem do Cristão da Cidade da Destruição para a Jerusalém Celestial” foipublicado na Inglaterra em 1678. O livro é uma alegoria da vida cristã.

Bunyan relata, no prefácio e no posfácio, que escreveu n “O Peregrino” como uma forma de alerta para os perigos e vicissitudes enfrentados na vida religiosa por aqueles que seguem os ensinamentos bíblicos e buscam um caminho de perfeição para alcançar a coroa da Vida Eterna, citada no livro do “Apocalipse” na Bíblia. “O Peregrino” tenciona levar o leitor a refletir sobre como deve ser vigilante na vida terrena, simbolizada pela jornada do “Cristão”.

O jovem “peregrino” chamado simplesmente “Cristão”, atormentado pelo desejo de se ver livre do fardo pesado que carrega nas costas, segue a sua jornada por um caminho estreito, indicado por um homem chamado “Evangelista”, pelo qual se pode alcançar a “Cidade Celestial”. Na narrativa, todas as personagens e lugares com que o “peregrino” se depara levam nomes de estereótipos (como: “a Hipocrisia”, “a Boa-Vontade”, “o Sr. Intérprete”, “o gigante Desespero”, “a Cidade da Destruição”, “o Castelo das Dúvidas”, etc.) consoante os seus estilos, as suas características e as suas personalidades.

No ínterim, surgem-lhe várias adversidades, nas quais ele padece sofrimentos, chegando a perder-se, a ser torturado e quase a afogar-se. Apesar de tudo, o protagonista mantém-se sempre sóbrio, encontrando auxílio no companheiro de viagem “Fiel”, um seu concidadão. Mais adiante na trama, “Fiel” é executado pelos infiéis da “Feira das Vaidades” que se opõem à busca dos dois “peregrinos”. Contudo, “Cristão” acha um outro companheiro, chamado “Esperançoso”, que mais tarde lhe salvará a vida, e eles seguem a dura jornada até chegarem ao destino almejado.

A obra é uma alegoria contada como se fosse um sonho, voltando-se sempre a extrair dos eventos narrados alguns ensinamentos bíblicos de forma simbólica, nos moldes das parábolas bíblicas. João Bunyan também aí infere certos factos históricos do seu tempo, como a perseguição aos crentes evangélicos não conformistas.

Desde a sua publicação, o livro jamais deixou de ser impresso. Depois da Bíblia, este é o livro mais conhecido no meio cristão não somente de fala inglesa, mas de diversas línguas, inclusive na China, onde o governo comunista chegou a produzir 200 mil cópias que foram distribuídas em três dias.

Talvez porque muitos leitores têm experiências do mesmo tipo na peregrinação das suas vidas, “O Peregrino”, tornou-se o livro extremamente popular entre os leitores cristão e é incluído na lista dos mais vendidos a nível mundial.

N “O Peregrino”, Bunyan descreve os estados mais íntimo da alma cristã. A percepção da profundidade da graça de Deus na sua própria vida deu a Bunyan a capacidade para falar do seu próprio estado espiritual a muitas pessoas, até mesmo às sucessivas gerações de homens de todos os tempos.

Bunyan escreveu cerca de 60 livros e folhetos, dos quais “The Holy War” (“A Guerra Santa”) é o segundo em popularidade, atrás de “O Peregrino”, enquanto a sua autobiografia “Grace Abounding” (“Abundante Graça”) é uma das biografias mais interessantes jamais escritas. Nenhum dos seus livros alcançou contudo a popularidade de “O Peregrino”. Este escrito humilde tem tocado milhares de vida pela orbe, tornando-se um clássico na literatura cristã!

João Bunyan (28 de novembro de 1628 – 31 de agosto de 1688, Londres), escritor cristão e pregador nascido em Harrowden, Elstow, Inglaterra, foi o autor de The Pilgrim”s Progress (“O Peregrino”), provavelmente a alegoria cristã mais conhecida em todos os tempos.

Nota:
Carlos II de Inglaterra (29 de maio 1630 - 6 de fevereiro 1685) foi rei de Inglaterra, Escócia e da Irlanda entre 30 de janeiro (de jure) ou 29 de maio (de facto) de 1660 e a sua morte. Em 21 de maio de 1662, Carlos II casou-se com Catarina de Bragança, princesa portuguesa, filha de D. João IV. Esta princesa princesa introduziu na corte inglesa um dos hábitos mais tipicamente britânicos, o “chá das cinco.”

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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