… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 5 de novembro de 2016

5 de novembro de 1605 • O atentado da pólvora em Londres




5 de novembro de 1605 O atentado da pólvora em Londres
 
 Uma representação contemporânea dos conspiradores, por Crispijn van de Passe

Normalmente a escolha do assunto para esta página de evocação história nasce depois da minha caminhada matinal solitária (Não habita o Espírito Santo no meu coração?) diária de cerca de uma hora, as abluções da alma e do corpo feitas, com o frugal pequeno almoço acabado, enquanto beberico um óptimo café destas máquinas modernas e vou falando familiarmente com o Senhor Deus acerca de que assunto escrever. A escolha é-me sempre extremamente difícil, já que as coisas espirituais cristãs a Cristo pertencem, e quem sou seu, para estar aqui a pôr num pedestal A, B ou C? É tão fácil errar na apreciação do servo alheio!... (Nas Tuas mãos Senhor, ....)

Hoje, enquanto tratava das “Meditações Matinais” [matinal, adj. 2 gén. da manhã; da parte da manhã; matutino; madrugador. (Do fr. matinal, «id.»)], ou “Meditações Matutinas” [matutino adj. relativo à manhã; que aparece de manhã; matinal; madrugador; s. m. jornal da manhã. (Do lat. matutïnu-, «id.»)] de Spurgeon (parece-me mais correto o uso do adjetivo matutino, portanto “Leituras Matutinas”), eis que ele me dá dois ótimos assuntos para este dia, 5 de novembro:

- O dia 5 de novembro de 1605 - o Atentado da Pólvora, planeado por Guy Fawkes para explodir as Casas do Parlamento em Londres, mas falhado;

- E o dia 5 de novembro de 1688 - a Revolução Gloriosa: Guilherme e Maria desembarcam em Devon com um grande exército holandês para depor o rei Jaime.

Apenas por ordem cronológica vou tratar do primeiro, usando o que vem na página da Wikipédia.

O outro assunto ficará, tendo eu a bênção de Deus, para o 5 de novembro do próximo ano.

Mas antes de dar inicio à redação do assunto histórico de hoje, lembro o que C. H. Spurgeon nos escreveu a este propósito nos dois últimos parágrafos das suas “Leituras Matutinas” de hoje:

“ESTE dia é notável na história de Inglaterra pelas duas grandes libertações que Deus obrou em nosso favor. Neste dia, no ano 1605, foi descoberto o “complot” dos Papistas para destruir as Câmaras do Parlamento.

“Enquanto eles preparavam em profundas cavernas
Uma armadilha inflamada para os nossos governantes,
Deus atirou do Céu um penetrante raio
E a tenebrosa traição ficou a descoberto.”

Não devia todo o amante do Evangelho de Jesus de advogar hoje pela derrocada das falsas doutrinas e pela propagação da verdade de Deus? Não seria bom que esquadrinhássemos os nossos corações, e tirássemos dele algum traste velho Católico Romano de justiça própria que possivelmente está dissimulado nele?”

A Conspiração da Pólvora foi uma tentativa mal sucedida dum grupo de católicos ingleses de assassinar o rei Jaime I, de Inglaterra, a sua família, e a maior parte da aristocracia protestante num único ataque, às instalações do Parlamento inglês, durante a cerimónia de abertura realizada no dia de hoje, 5 de novembro de 1605. O objectivo deles era explodir o Parlamento inglês durante uma sessão na qual estaria presente o rei e todos os parlamentares utilizando trinta e seis barris de pólvora armazenados na cave do Parlamento. Guy Fawkes como era especialista em explosivos seria o responsável pela detonação da pólvora.

Todo os anos, neste dia 5 de novembro, pessoas no Reino Unido, Nova Zelândia, África do Sul e no Canadá: na Terra Nova, no Labrador e em São Cristóvão celebram o “Atentado falhado da Pólvora”, em Londres, na chamada “Noite de Guy Fawkes” (o significado do festival é de nenhuma importância atualmente).

Os conspiradores estavam irritados com o rei Jaime, que não concedia direitos iguais a católicos e protestantes. A conspiração começaria quando a filha de nove anos de Jaime I (Princesa Elizabeth) seria declarada chefe de estado católica, e isso tinha sido planeado em maio de 1604, por Robert Catesby. Os outros conspiradores eram Thomas Winter (também grafado Wintour), Robert Winter, Christopher Wright, Thomas Percy (também grafado Percye), John Wright, Ambrose Rokewood, Robert Keyes, Sir Everard Digby, Francis Tresham, e o criado de Catesby, Thomas Bates. O responsável pelos explosivos era um especialista em explosivos, chamado Guy Fawkes, que fora apresentado a Catesby por Hugh Owen. Os pormenores sobre a conspiração foram contados ao principal jesuíta da Inglaterra, Henry Garnet, com a permissão de Robert Catesby, por Oswald Tesimond, outro jesuíta. Apesar da oposição de Garnet, a conspiração foi para adiante, e Garnet, depois do falhanço do atestado, foi sentenciado a decapitação, afogamento e esquartejamento, por traição.

Em março de 1605, na cave da Parlamento foi derramada a pólvora de 36 barris, contendo 1800 libras de material explosivo sendo misturada e dissimulada com a areia do chão, para passar despercebida. Como os conspiradores pensaram que o ato poderia levar à morte de diversos inocentes e de defensores da causa católica, enviaram avisos para que alguns deles se mantivessem à distância do Parlamento no dia do ataque. Para infelicidade dos conspiradores esta informação chegou aos ouvidos do rei, o qual ordenou que se fizessse uma revista ao prédio do Parlamento. Assim acabaram encontrando Guy Fawkes guardando a pólvora. Ele foi preso e torturado, acabando por revelar o nome dos outros conspiradores. No final foi condenado a morrer na forca, por traição e tentativa de assassinato. Os outros participantes revelados por Guy Fawkes acabaram também sendo executados. Ainda nos dias de hoje quando o rei ou rainha vão ao Parlamento apenas uma vez no ano, para uma sessão especial, é mantida a tradição de se revistar os subterrâneos do prédio antes desta sessão.

Há um poema tradicional, em alusão à Conspiração da Pólvora:

"Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot."

A tradução em português:

"Lembrai, lembrai do cinco de novembro
A pólvora, a traição, o ardil
Não sei de uma razão para que a traição da pólvora
Seja algum dia esquecida."

Há mais versos que se seguem a estes, os quais já não usados por serem ofensivos.

Os versos em inglês:

“Remember, remember the fifth of November,
Gunpowder, treason, and plot,
I know of no reason why the gunpowder treason
Should ever be forgot.
Guy Fawkes, Guy Fawkes, 'twas his intent
To blow up the King and Parliament.
Three score barrels of powder below,
Poor old England to overthrow;
By God's providence he was catch'd
With a dark lantern and burning match.
Holloa boys, holloa boys, make the bells ring.
Holloa boys, holloa boys, God save the King!
Hip hip hoorah!”

A tradução em português:

"Lembrai, lembrai o 5 de novembro
A pólvora, a traição e o ardil
Não sei de nenhuma razão para que a traição da pólvora
Seja algum dia esquecida
Guy Fawkes,Guy Fawkes, esta era a sua intenção
Explodir o rei e o Parlamento
Três montes de barris de pólvora abaixo
Para derrubar a pobre Inglaterra
Pela providência divina foi capturado
Com uma laterna escura e um fósforo
Olá rapazes, olá rapazes, façam os sinos tocar
Olá rapazes boys, olá rapazes s, Deus salve o Rei
Hip hip Horray"

A parte considerada ofensiva e que já não se utiliza, por ser ofensiva para o Catolicismo Romano:

“A penny loaf to feed the Pope.
A farthing o' cheese to choke him.
A pint of beer to rinse it down.
A faggot of sticks to burn him.
Burn him in a tub of tar.
Burn him like a blazing star.
Burn his body from his head.
Then we'll say ol' Pope is dead.
Hip hip hoorah!
Hip hip hoorah hoorah!”

Em português:

“Uma migalha de pão para alimentar o Papa.
Uma fatia de queijo para o sufocar.
Uma taça de cerveja para o lavar.
Um feixe de varas para o queimar.
Queimai-o num banho de alcatrão.
Queimai-o como uma estrela brilhante.
Queimai o seu corpo a partir da sua cabeça.
Então, vamos dizer o Papa está morto.
Hip hip hoorah!
Hip hip hoorah hoorah!

Na história em quadrinhos de “V de Vingança”, bem como no filme homónimo, há referência a essas rimas e à conspiração da pólvora. Assim como na canção "Remember" de John Lennon, o tal que tinha a presunção de que o seu grupo musical era mais famoso que Jesus Cristo!

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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