… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 10 de dezembro de 2016

10 de dezembro de 1842 • As Aventuras de Borrow com a Bíblia na Península Ibérica



10 de dezembro de 1842 As Aventuras de Borrow com a Bíblia na Península Ibérica
George Borrow, um colportor entre nós!
A “British and Foreign Bible Society” (a Sociedade Bíblica de Londres) envia a Lisboa, George Borrow com o propósito de difundir a Bíblia em Portugal. Sabe-se pouco sobre a estadia de George Borrow em Portugal, conhece-se, no entanto, a finalidade da mesma, a divulgação da Bíblia numa perspectiva cristã evangélica. Isto é, a distribuição de exemplares da Bíblia e de Novos Testamentos editados em português pela Sociedade Bíblica de Londres.


Assim, em 6 de novembro de 1835, George Borrow embarca em Londres, no navio “London Merchant”, com destino a Lisboa, enviado pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, para se encontrar com de correspondentes ingleses, a fim de averiguar das possibilidades de incrementar a circulação das Sagradas Escrituras em Portugal.



Os correspondentes ingleses eram John Wilby, comerciante em Lisboa e que possuía um depósito de Bíblias (na versão Pereira de Figueiredo) e o Reverendo Whiteley, capelão britânico, na cidade do Porto, que ficaram com umas 400 Bíblias e alguns Novos Testamentos.



George Borrow, além dos dois contactos efectuados naquelas duas cidades, as principais do reino, visitou Sintra, Évora, tendo nesta cidade oferecido uma Bíblia e 10 Novos Testamentos a Gerónimo de Azevedo. Reconhecendo as imensas capacidades que havia em Portugal para o trabalho que se havia proposto, passou por Elvas. Aqui, ficou admirado com a cisterna da cidade, que ele considerou como a maior do mundo. A sua função de dar água à população mantém-se até hoje viva e inalterada. E depois foi para Espanha, onde desenvolveu um promissor trabalho por longos anos.



A obra de George Borrow “The Bible in Spain, or the Journey, Adventures, and Imprisonment of an Englishman in an Attempt to Circulate the Scriptures in the Peninsula” no seu título completo e comummente conhecida como “A Bíblia em Espanha” foi publicada neste dia, 10 de dezembro de 1842, em Londres. O seu autor e editor foi um agente da “British and Foreign Bible Society”, “Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.” A edição do seu livro vendeu-se num fósforo, e continua sendo um livros dos mais excelentes de aventuras no idioma Inglês. O que torna esta obra muito interessante é porque a sua história é verdadeira. A distribuição de Bíblias Protestantes em duas nações católicas hostis no meio de uma guerra civil ... O que poderia ser mais emocionante?



O autor e editor, George Borrow, ateu convertido a Cristo, pescador de almas, escreveu no prefácio da sua obra «não sou turista nem autor de novelas ou de livros de viagens», descreve, contudo, as suas viagens e aventuras como colporter (difusor de bíblias Protestantes) de Bíblias ditas Protestantes em Espanha, entre os anos de 1835 e 1840, na época da “primeira guerra carlista” numa linguagem empolgante e original.



A obra de George Borrow “A Bíblia em Espanha” é um livro excelente, é considerado um dos melhores livros de viagens publicadas em inglês, e escrita com fino estilo e contribuiu para promover a imagem medievalizada da Espanha na Europa do Romantismo. É considerada uma autobiografia na História da Literatura Inglesa.



Borrow parecia talhado para a aventura. Era fascinado por ciganos o que o levou a dominar a sua língua. Por esta razão escreveu vários livros sobre eles. Era um indivíduo com tendência para andar sozinho, por isso encontrava-se com marginais e corria perigos. Uma vez ele resgatou um amigo dum afogamento. Mais tarde, ainda salvaria um outro homem num outro afogamento. Por fim, tornou-se alpinista, na Escócia. Um cigano envenenou-o.



Ele tinha um talento especial para as línguas. Quando andava pelos dezoito anos, aprendeu Romani com os ciganos, Francês com um padre Católico emigrado, Ersa, enquanto o seu pai estava trabalhando na Irlanda, Galês (língua do País de Gales) através da leitura de “Paradise Lost” escrito naquela língua, Dinamarquês lendo a Bíblia dinamarquesa, e, através de um meio ou de outro, tinha aprendido Espanhol, Italiano, Português, Alemão, Hebraico, Árabe, Arménio e Saxão.



O seu gosto pelas línguas fez dele o que ele veio a ser. Quando jovem era um livre-pensador. Tentou fazer do traduzir histórias heróicas das línguas escandinavas o seu modo de vida, mas só foi capaz de obter trabalho literário ou artístico com finalidades comerciais. Isto incluiu escrever uma série de seis volumes sobre criminosos notórios, o que piorou a sua melancolia. Mudando de opinião sobre o Cristianismo, ele ofereceu-se para trabalhar nao “British and Foreign Bible Society” (a Sociedade Bíblica de Londres). A sua primeira tarefa foi o impossível “trabalho” de traduzir a Bíblia para Manchu, a língua da corte da China. Ele nem sabia Manchu, mas 19 semanas mais tarde demonstrou uma tal mestria que foi enviado a São Petersburgo, na Rússia, para concluir a tarefa. Em menos de dois anos, ele superou todos os obstáculos (como a escassez de papel) para ver a Bíblia impressa em Manchu.



A sua próxima tarefa seria a Península Ibérica. Desembarca em Portugal, fez um levantamento das suas necessidades espirituais e rumou para Espanha. Aqui a aventura começou de repente. Montando uma besta, a sela estava mal amarrada, ele caiu mal ao chão, o que quase o ia matando. Foi baleado numa ocasião em que ele se riu alto dum juiz eclesiástico quando foi confundido com um francês.



Na Espanha, ele conheceu os ciganos e leu-lhes o Evangelho na sua própria língua. O clero Católico Romano nas grandes cidades espanholas resistiu à sua distribuição de Bíblias. Então, ele aí viajou através de regiões mais perigosas, numa nação em guerra civil para vender Bíblias. Sendo preso, recusou-se a aceitar a libertação, excepto se feita nos seus próprios termos, causando um incidente internacional. Foi feita uma tentativa para o assassinar. Ele sobreviveu.



As suas Bíblias eram apreendidas, mas eram tão procuradas pela fome espiritual do povo anónimo que os funcionários que as apreendiam tornavam-se gananciosos distribuidores, vendendo os livros confiscados pela melhor oferta e metiam as receitas nos próprios bolsos. Numa alfândega, Borrow falou de maneira tão convincente que aos funcionários, que tinham instruções precisas para apreender as suas mercadorias (as Bíblias e os Novos Testamentos) foram eles mesmos os que as compraram!



Depois de anos de perigo e ousadia - e com muita questiúncula com o escritório da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira pelo meio- Borrow deixou a Espanha “para sempre”, tendo feito “por ela tudo quanto estava em poder de um homem solitário, que nunca teve nada neste mundo de que dependesse, senão apenas Deus e a sua própria insignificante força.”



Temos percorrido a obra de George Borrow “A Bíblia em Espanha” de fugida.



Como já disse é um excelente, um dos melhores livros de viagens publicadas em inglês. Vimos que o livro é uma autobiografia e um imenso quadro de itinerários percorridos por George Borrow. Nesta narrativa acompanhámos o autor na via dolorosa dos trabalhos e das amarguras, das prisões, dos testemunhos morais, e sobretudo é o encontro do autor com a sociedade espanhola da sua época, com a missão de lhes levar a “Bíblia” dita Protestante a todo o povo espanhol: aqueles com quem George Borrow errava, os camponeses, os foragidos da justiça e da vida, os contrabandistas, e sobretudo o “seu” amado povo, o povo do “caló” e do “romani”, o “seu” amado povo cigano!



Contudo, sendo uma obra tão interessante, como o é “A Bíblia em Espanha”, é justo destacar que George Borrow mostra nela mais o amor pela aventura, e o ódio à Igreja Católica Romana, do que o verdadeiro amor espiritual pelas almas perdidas e a sua salvação, pelos méritos do Redentor, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!



George Henry Borrow (East Dereham, Norfolk, 5 de julho de 1803 – Oulton Broad, Suffolk, 26 de julho de 1881) foi um escritor, editor, viajante e filólogo inglês.




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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.


Carlos António da Rocha



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