… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

16 de dezembro de 1714 • George Whitefield, o Príncipe dos pregadores ao ar livre



16 de dezembro de 1714 George Whitefield, o Príncipe dos pregadores ao ar livre
George Whitefield pregando ao ar livre, como ele gostava de fazer.
George Whitefield, nasceu neste dia, 16 de dezembro de 1714. Foi um pastor anglicano itinerante, que ajudou a espalhar o Grande Despertar na Grã-Bretanha e, principalmente, nas colónias britânicas norte-americanas. O seu ministério teve enorme impacto sobre a ideologia americana.



Conhecido como o “príncipe dos pregadores ao ar livre”, foi o evangelista mais conhecido do século XVIII. Pregou durante 35 anos na Inglaterra e nos Estados Unidos, quebrou as tradições estabelecidas acerca da pregação e abriu o caminho para a evangelização das massas. Enquanto jovem a sua sede de Deus tornou-o consciente de que o Senhor tinha um plano para a sua vida. Para preparar-se, jejuava e orava regularmente, e muitas vezes ia ao culto duas vezes por dia.



Sendo George Whitefield o evangelista mais conhecido do século XVIII e um dos maiores pregadores itinerantes da história do cristianismo, passou por situações muito semelhantes às que experimentam alguns missionários nos dias de hoje. Repetidas vezes, ele teve de pregar fora dos portões dos templos cristãos pelo simples facto da sua pregação apaixonada ser muito diferente da usual formalidade dos pastores daquele tempo. Ele chegou mesmo a ser agredido em algumas ocasiões. Na cidade de Basingstoke, por exemplo, foi espancado à paulada. Em Moorfield, destruíram a mesa que lhe servia de púlpito. Em Exeter, quando pregava para uma multidão de mais dez mil ouvintes, Whitefield foi apedrejado.



Na vida de George Whitefield deu-se também este episódio curioso. Em maio de 1750, George Whitefield, pregava a Mensagem da Salvação. Exactamente não se sabe o lugar onde ele pregava, nem o que ele pregava. Mas, estas suas palavras, bem podiam ser a sua mensagem naquele dia: “No Dia do julgamento, as tuas orações e as tuas lágrimas não terão valor. Elas não te servirão de nada, o Juiz não será comovido: porque tu não O ouviste quando Ele te chamou; mas desprezaste-o a Ele e aos seus ministros, e não deixaste as tuas iniquidades… Tu podes dizer que isto é entusiasmo e loucura; mas, naquele grande dia, se tu não te arrependeres dos teus pecados aqui, encontrarás que os teus próprios caminhos eram loucura!” Após ouvirem o grande evangelista, John Thorpe e três amigos foram para uma taverna e começaram a imitar Whitefield, gozando com ele e com a sua pregação. Quando chegou a vez de Thorpe, pegou numa Bíblia, saltou para cima de uma mesa e gritou gozão: “Eu vou ainda fazer mais galhofa de George Whitefield do que todos vocês!” Mas, naquele momento, os seus olhos caíram sobre a Bíblia aberta no versículo de Lucas 13:3 “Se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” Repentinamente, Thorpe conscientizou-se da sua pecaminosidade, parou com a zombaria e começou a pregar a sério. Dois anos mais tarde, ele tornou-se um dos pregadores itinerantes de João Wesley.



Whitefield, um dos ministros ordenados da Igreja da Inglaterra, cooperou com João e Charles Wesley para estabelecer, na Universidade de Oxford durante a década de 1720, o “Clube Santo”, um grupo de jovens que se dedicavam a considerar seriamente a religião e a abordar com metodologia os deveres cristãos. Whitefield mostrou aos irmãos Wesley o método certo ao pregar ao ar livre e ao viajar até onde fosse possível chegar para levar a mensagem da salvação.



Visitou o Estado da Geórgia durante um breve tempo em 1738 a fim de ajudar a fundar um orfanato. Quando voltou às colónias inglesas na América do Norte em 1739, a sua reputação como pregador dramático tinha chegado antes dele. A sua visita veio a ser um acontecimento sensacional, especialmente quando culminou numa série de pregações pela Nova Inglaterra durante o Outono de 1740, em que Whitefield falou a multidões de até oito mil pessoas quase todos os dias, durante mais de um mês. Essa viagem missionária, um dos episódios mais notáveis em toda a história do cristianismo norte-americano, foi o evento chave no Grande Despertamento na Nova Inglaterra (como se chamavam então os territórios que hoje são os Estados Unidos da América). Whitefield voltou frequentemente às colónias inglesas na América do Norte, onde morreu em 1770 da forma que desejara: no meio de uma outra série de pregações.



Whitefield era decididamente um calvinista, embora não dos mais estudiosos. Na sua única visita a Northampton, Massachusetts, em 1740, deixou Jonathan Edwards comovido até às lágrimas com o poder emocional e evangélico da sua mensagem calvinista. Whitefield também comovia Charles Wesley até às lágrimas, mas tratavam-se de lágrimas de frustração diante de um calvinismo que era demasiadamente severo para as opiniões mais arminianas de Wesley. Whitefield e João Wesley separaram os seus caminhos por causa de questões sobre o calvinismo e o arminianismo em 1741, mas logo deixaram as suas diferenças o suficiente para estabelecerem uma trégua pacífica, e num culto memorável na Inglaterra depois da morte de Whitefield, João Wesley homenageou o seu colega como um grande homem de Deus. Whitefield não era um teólogo habilidoso. Embora pregasse sobre a incapacidade da vontade humana, o poder de Deus na eleição e a expiação específica —temas que pertencem ao calvinismo tradicional— confessou numa carta dirigida a João Wesley, já no início da sua carreira: “Nunca li coisa alguma escrita por Calvino; recebi as minhas doutrinas de Cristo e dos Seus apóstolos: foi Deus quem mas ensinou.” Whitefield não deixou de reconhecer, porém, que suas opiniões tinham sido influenciadas pela teologia reformada dos puritanos ingleses.



O maior significado do ministério de Whitefield talvez tenha sido a sua abordagem inovadora das palestras proferidas do púlpito. Ao contrário dos irmãos Wesley, Whitefield não era um bom organizador, de modo que aqueles que foram reavivados pela sua pregação foram seguindo os seus próprios caminhos para as congregações anglicanas ou metodistas na Inglaterra, ou para as igrejas presbiterianas, congregacionais e baptistas na América do Norte. Whitefield sabia, no entanto, dirigir-se muito bem a homens simples em linguagem simples e fazia isso num contexto muito mais livre do que era o costume. O seu apelo ao coração e à natureza emocional, contudo, ainda que fosse feito dentro de um contexto calvinista, a sua abordagem despreocupada das tradições denominacionais ajudou o movimento a caminhar em direcção a um estilo mais democrático e popular de religião, que passaria a moldar o cristianismo norte-americano depois da sua morte. Whitefield continuou sendo, no seu próprio parecer, um mero arauto do evangelho. Dedicou toda a sua vida adulta à obra da pregação pública. Whitefield acabaria por partir para as Mansões Celestiais no Novo Mundo, em 30 de setembro 1770, da forma que como sempre desejara: no meio de uma série de pregações!



Aos seus olhos George Whitefield, continuou sendo um mero arauto do Evangelho, como disse acima e novamente friso. George Whitefield dedicou toda a sua vida à pregação pública do Evangelho. Não há qualquer dúvida, de que George Whitefield, este homem de Deus, durante o seu ministério de trinta e três anos, em que pregou mais de quinze mil vezes, chorando enquanto entregava a mensagem de salvação, deixou até hoje uma marca perene no coração aquecido daqueles que amam a Deus!




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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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