… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

6 de dezembro de 342 • Existiu mesmo um São Nicolau?


6 de dezembro de 342 Existiu mesmo um São Nicolau?
São Nicolau, representação de um ícone russo do século XIX

Segundo a lenda, no século IV, na cidade de Petara, na província romana asiática de Mira (Lícia), um casal sem filhos orou por um filho. As suas preces foram ouvidas e nascido o infante, deram-lhe o nome de Nicolau.



A lenda diz também que o jovem Nicolau cedo buscou a Deus, que aprendeu as Escrituras, que jejuava com frequência e orava muito. Os seus pais teriam morrido quando ele ainda era jovem, e ele herdou-lhes a sua fazenda. Nicolau decidiu usar a sua riqueza fazendo o bem desde o início. Ele ajudava os pobres secretamente, não querendo que as suas boas obras fossem vistas. Conta-se a seu favor que quando ele soube que um nobre local tinha caído em dificuldades, e que por isso foi levado a vender as suas filhas para a prostituição, Nicolau terá atirado secretamente moedas para dentro da casa daquele pai aflito para que aquelas meninas tivessem um dote e se casassem na decência e fugissem da degradação. Algumas versões da lenda dizem que ele lançou o ouro pela chaminé, que caiu nas meias que a família tinha penduradas a secar no calor da fogueira. Por esse obrar, Nicolau salvou muitas pessoas dos agiotas e providenciou inúmeras vezes roupas para o nu.



Mais tarde Nicolau viajou para a Palestina onde visitou os lugares onde Cristo vivera. No caminho, diz a lenda, Satanás levantou uma grande tempestade, na esperança de destruir o navio. Desesperados, os marinheiros gritaram para que Nicolau orasse por eles. Ele orou, e o mar tornou-se imediatamente calmo como a lama. Pouco depois, um dos marinheiros escorregou ao subir o mastro e caiu para o convés e morreu. Em resposta à oração de Nicolau, conforme exara a lenda, Deus restaurou a vida do marinheiro.



Depois de visitar os templos de Jerusalém, Nicolau embarcou num navio para a Lícia. O nosso Senhor tinha-lhe proibido que ele se tornasse um eremita como ele tanto ansiava. Contudo, traçando mal a rota, os marinheiros navegaram na direcção errada. Nicolau orou. Uma tempestade levantou-se e imediatamente levou o barco para a Lícia.



Mira era a principal cidade da Lícia. Nicolau seguiu para lá. Quando ele ia lá chegando, o bispo da cidade morreu. A igreja parecia dividida sobre a escolha de quem deveria ser o seu próximo bispo. Nessa altura, um dos bispos presentes foi instruído numa visão para escolherem o primeiro homem que entrasse pela manhã na igreja. Aconteceu que Nicolau foi o primeiro a entrar na igreja, pois ele levantava-se à meia-noite de cada dia para começar o seu dia com oração. Quando questionado, ele respondeu tão mansamente que os bispos reunidos concordaram que ele era de verdade a escolha de Deus.



Como bispo de Mira, Nicolau resistiu aos tiranos e ensinou a verdade, especialmente rejeitando a heresia ariana. O seu povo amava-o. Considerando que antes, havia feito os seus actos de caridade anonimamente, agora ele percebia que devia agir abertamente, pois devia ser um exemplo para o seu povo. As portas da sua casa estavam sempre abertas a todos. Nicolau era gentil e afável com todos; para os órfãos, ele era um pai; para os que choravam, ele era um confortador; para os errados, ele era um guia, e para todos ele era um grande benfeitor. Nicolau derrubou um templo local da deusa Diana, enfrentou governantes injustos, defendeu os indivíduos que eram falsamente acusados e orou por libertação durante épocas de falta extrema de víveres.



Depois de uma curta doença, Nicolau faleceu neste dia, 6 de dezembro de 342. Ainda segundo os fantásticos ou inverosímeis atos narrados pelas lendas de antanho, o seu corpo foi exposto em câmara ardente na “sua” igreja. Uma substância doce chamada mirra é reivindicada ter exalado dele. No século XI, os italianos levaram as suas relíquias para Bari, na Itália, supostamente para preservá-las dos invasores muçulmanos. É aí que elas permanecem. Alega-se que a mirra ainda escorre das relíquias e tem uma força especial para curar os enfermos. 

Na Alemanha, na Suíça e na Holanda, os presentes são dados no dia de Nicolau, e em Portugal, no dia de Natal. Na Espanha os presentes são dados no dia de Reis (6 de janeiro). Na Rússia Nicolau é tido como o santo padroeiro. Na verdade, em 13 de março de 2001 uma delegação da Arquidiocese de Bari, na Itália, levou uma parte das relíquias de São Nicolau para o Patriarca da Rússia como um gesto de boa vontade.



E… Vitória! Vitória! Acabou-se a história!



Houve de facto um São Nicolau? Pois houve um São Nicolau. Infelizmente, sobre ele temos pouco conhecimento certo. Trata-se de Nicolau de Mira, dito Taumaturgo, (também conhecido como Nicolau de Bari). Dele apenas sabemos historicamente que participou no Concílio de Niceia (20 de maio de 325-19 de junho de 325), onde quase foi destituído do seu cargo, porque, frustrado com as afirmações de Ário [Ário ou Arius (256-336) foi o fundador da doutrina cristã do arianismo. Foi um dos presbíteros cristãos de Alexandria] contra Cristo, lhe deu uns rijos bofetões, pelo que se viu obrigado a pedir-lhe desculpas em público.




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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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