… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 18 de dezembro de 2016

18 de dezembro de 1904 • Dia da conversão de Sadhu Sundar Singh



18 de dezembro de 1904 Dia da conversão de


Sadhu Sundar Singh


Sadhu Sundar Singh nasceu em 3 de setembro de 1889, no estado de Punjabe, no povoado de Rampur, em Patiala, na Índia Foi um missionário cristão indiano. Acredita-se que tenha morrido no sopé da cordilheira dos Himalaias em 1929.

Sadhu Sundar Singh foi o filho mais novo de uma família aristocrática sikh (todos os sikhs recebem o nome de Singh). A crença sikh combina o hinduísmo e a religião maometana, por isso a mãe de Sundar carinhosamente ensinou-lhe tanto as escrituras sikh como as hindus e rogava-lhe frequentemente que ele fosse sacerdote. Aos sete anos de idade, Sadhu Sundar Singh sabia de cor a Bhagavad-Gita inteira (o que, na Índia, não é um feito excepcional), e encontrava-se repleto de anelos por “santi”, a paz da alma.

Sadhu Sundar Singh estudava, avidamente, os livros sagrados, meditava neles, praticava ioga e boas obras. Quando ele contava catorze anos de idade, em 1902, a sua mãe e o seu irmão mais velho morreram.

Ao contrário da mãe de Sadhu Sundar Singh, o seu pai achava que ele era religioso demais para a sua idade. Uma vez, o guru, que era o seu mestre brâmane, encontrando-se com o pai dele, disse de Sadhu Sundar Singh : “O seu filho ou vai tornar-se um tolo ou um grande homem.”

Sadhu Sundar Singh buscou a Deus na crença sikh, no hinduísmo, no budismo e na religião maometana. Teve contacto com o Cristianismo durante um ano, quando ele frequentou numa escola local mantida por missionários cristãos presbiterianos norte-americanos. Contudo, quanto mais Sadhu Sundar Singh ouvia do Novo Testamento, mais rancoroso ficava em relação a ele. Abandonou a escola cristã. Quando via missionários cristãos em público, ofendia-os, e mandava os servos do seu pai fazerem o mesmo. Por fim, Sadhu Sundar Singh queimou um exemplar do Novo Testamento em público para expressar a sua indignação.

Houve uma ocasião em que Sadhu Sundar Singh percebeu que a sua fanática oposição ao cristianismo disfarçava uma atracção secreta por ele. O seu pai reprovava tanto o seu acto de queimar um Novo Testamento quanto a sua obsessão pelas religiões indianas, e perguntava-se se o seu filho não estaria perdendo a sanidade mental. De facto, em 17 de dezembro de 1904, com apenas 15 anos de idade, Sadhu Sundar Singh despediu-se do seu pai, anunciando-lhe que se suicidaria antes do pequeno almoço. Ele, efectivamente, planeava deitar-se sob a linha do comboio que passava perto de sua casa e deixar que o comboio expresso das 5 da manhã passasse por cima dele, para assim poder se encontrar com Deus, no além.

Às 3 da manhã do dia seguinte, 18 de dezembro de 1904, Sadhu Sundar Singh levantou-se e tomou um banho frio, conforme o costume hindu. Então, ele suplicou repetidamente a “Deus” que Se revelasse a ele, antes que o comboio expresso das 5 da manhã passasse por cima dele. Então, subitamente, um clarão de luz muito intensa brilhou no seu pequeno quarto, o que o levou a olhar em redor para ver se a casa não estaria ardendo. Depois, surgiu uma nuvem luminosa, e nela ele viu, irradiando amor, a face de um Homem. Em perfeito hindustani, a língua nativa de Sadhu Sundar Singh, o Homem disse lhe: “Por que me persegues? Lembra-te de que dei a Minha vida por ti na Cruz.”

E, por essa altura, Sadhu Sundar Singh escreveu: “Enquanto eu orava e continuava olhando a luz que havia aparecido no meu quarto, vi o vulto do Senhor Jesus Cristo. Era uma aparição gloriosa, plena de amor. Se fosse alguma encarnação hindu, eu ter-me-ia prostrado diante dela. Senti que essa visão não podia ser fruto da minha imaginação. Veio-me à mente uma ideia: “Jesus Cristo não está morto, mas vive, e Este é Ele mesmo! Caí aos Seus pés e senti essa paz maravilhosa que não havia encontrado em nenhum outro lugar. Era essa a paz que eu buscava. Aquilo era o próprio Céu. Quando me levantei, a visão tinha desaparecido, mas a paz e a alegria permaneceram comigo, para sempre. Era o dia 18 de dezembro de 1904!”

Mais tarde, Sadhu Sundar Singh viria a escrever: “O que vi não foi imaginação minha. Até àquele momento eu odiava Jesus Cristo e nunca O cultuara. Se eu estivesse falando de Buda, seria possível que fosse imaginação, pois eu estava habituado a cultuá-lo. Mas não foi um sonho. Quando temos acabado de tomar um banho frio, não se sonha! Na verdade, era o Cristo Vivo!”

Sadhu Sundar Singh prostrou-se diante de Jesus e adorou-O. A sua alma foi finalmente invadida por paz e júbilo. Ao pequeno almoço, ele disse a seu pai, que por sua vez estava perplexo: “O velho Sundar Singh morreu; eu agora sou uma nova criatura!”

Obviamente a sua conversão assemelhava-se muito à do apóstolo Paulo, e Sadhu Sundar Singh falava dela a todos que o quisessem ouvir.

Para o seu pai, a conversão cristã de Sundar era ainda menos aceitável do que a sua antiga inimizade para com o cristianismo; ele considerava o seu filho como um louco. A família pressionou-o a abandonar a sua nova fé, e, por fim, expulsou-o de casa. Tendo-se tornado cristão, ele foi rejeitado pelo seu pai e condenado ao ostracismo pela sua família. Diz-se que a última refeição que ele comeu em casa da família estava envenenada. O seu amigo Gardit Singh, que se tornara cristão na mesma época que ele, de facto morreu após comer dessa mesma comida. Com o alvoroço local, a estação missionária teve de ser fechada, e os cristãos do povoado mudaram-se para longe, em busca de segurança.

Sadhu Sundar Singh foi estudar a Bíblia numa estação missionária médica. Era ilegal ser baptizado antes dos 16 anos, por isso, ele foi baptizado como cristão “anglicano” no seu aniversário, em 3 de setembro de 1905. Um dos seus professores aconselhou-o a preparar-se teologicamente, mas ele, em vez disso, sentia-se chamado a pregar o Evangelho.

Em 16 de outubro de 1905, Sadhu Sundar Singh vestindo o manto amarelo açafrão de linho, usado apenas pelos sadhus (O sadhu é um hindu que dedica toda a sua vida à sua religião e abandona todos os prazeres mundanos), Sadhu Sundar Singh, sem aprovisionamentos, munido apenas com o Novo Testamento em urdu, idioma nacional do Paquistão, e um dos 24 idiomas nacionais da Índia, e de um cobertor que ele costumava enrolar à volta da sua cabeça, como um turbante, partiu descalço, perambulando de aldeia em aldeia, mas desta vez, seguindo os passos de Jesus. Não usava dinheiro e nunca pediu nada. Quando ninguém lhe oferecia alimento ou abrigo, passava sem eles. Pelas estradas, por onde caminhou, deixava “estranhos sinais escuros, no labirinto de pegadas impressas no pó. Os pés de Sadhu Sundar Singh sangravam”, e quando lhe perguntavam se as pedras não feriam os seus pés descalços, ele respondia que os seus pés eram tão duros que eles é que feriam as pedras.

Sendo sikh, Sadhu Sundar Singh como qualquer sikh tinha um pouco mais de 1,80m de altura, barba espessa e olhos escuros brilhantes. O seu olhar transmitia uma profunda paz interior, o que atraía as pessoas para ele. Em pé, o seu corpo era bem aprumado. As crianças e animais eram sempre atraídos por ele. Amava brincar com crianças e tinha um bom senso de humor. Quando falava de Jesus, o seu semblante inteiro iluminava-se, irradiando júbilo. Depois da visão que teve de Jesus, neste dia, 18 de dezembro de 1904, apenas um interesse e paixão ardiam no seu coração: servir Jesus.

Assim, Sadhu Sundar Singh perambulou pela Índia, Afeganistão e Caxemira, pregando o Evangelho de Cristo. Uniu-se a Samuel Stokes, um missionário norte-americano que deixara para trás a sua família abastada, para tentar viver na Índia, como São Francisco de Assis. Juntos, os dois amigos trabalharam numa colónia para leprosos e depois no Hospital de Doenças Contagiosas, em Lahore.

Em 1909, seguindo o conselho de amigos, Sadhu Sundar Singh tornou-se estudante de teologia na Faculdade Saint John”s Divinity, em Lahore. Permaneceu cristão anglicano por toda a sua vida e pregava frequentemente em igrejas anglicanas, mas, como pregador, recusava-se a ser vinculado a uma denominação. Para ele, todos os cristãos eram um. Ele cria que devia dar às pessoas a água viva de Deus (o Evangelho da Salvação do Senhor Jesus Cristo) na taça da sua própria cultura, não numa taça estrangeira. Sentindo um chamada especial para pregar nas terras perigosas e inacessíveis do Tibete, partiu sem demora para lá, fazendo a pé, muitas viagens quase impraticáveis para lá.

Em 1912 a fama de Sadhu Sundar Singh começou a espalhar-se pela Índia, e em 1916 foi publicado o primeiro, de vários livros, sobre ele. Onde quer que ele fosse na Índia, formavam-se multidões de cristãos e de não cristãos para o ver e ouvir. Em 1918 pregou também no Ceilão, em Burma, em Singapura, no Japão e na China. Em Penang, Malásia, Sadhu Sundar Singh foi convidado a pregar o Evangelho de Jesus num templo sikh. Em 1919 o seu pai recebeu-o afectuosamente e disse-lhe que estava disposto também a tornar-se cristão.

Sadhu Sundar Singh ouviu uma ordem de Deus para pregar na Inglaterra e o seu pai ofereceu-se para lhe pagar a viagem. Em fevereiro de 1920 ele chegou a Inglaterra e ficou, de início, numa comunidade de quacres. Depois foi hospedado na paróquia de Cowley, em Oxford, e pregou em várias faculdades e na Saint John’s Church.

De Oxford, Sadhu Sundar Singh foi para Londres, onde pregou para grandes multidões em várias das igrejas principais, inclusive na Baptist Metropolitan Tabernacle. Na Church House, em Westminster, ele pregou para setecentos clérigos anglicanos, para vários bispos e até para o Arcebispo de Canterbury. Ele anunciou também o Evangelho de Jesus Cristo no Trinity College, em Crambridge, e seguiu para Paris, onde também pregou o Evangelho. Depois foi para a Irlanda e Escócia, onde também pregou nas principais igrejas presbiterianas de Glasgow e Edimburgo.

Sadhu Sundar Singh não deixou que a popularidade internacional lhe subisse à cabeça. Ele dizia que o jumento sobre o qual Jesus entrou em Jerusalém teria sido muito tolo se pensasse que as flores e os ramos de palmeira que cobriam a estrada estavam lá em sua honra. Do mesmo modo, aqueles que levam Cristo às pessoas hoje seriam tolos se quisessem ter algum mérito pela boa recepção da mensagem.

Em maio Sadhu Sundar Singh cruzou o Atlântico e passou três meses pregando em Nova Iorque e São Francisco, e em muitas outras cidades dos Estados Unidos. Depois, foi e passou a pregar em Honolulu, e, em seguida, em vários lugares na Austrália. Ao contrário de outros oradores itinerantes da Índia daqueles dias, Sadhu Sundar Singh não buscava explicar e exaltar a sabedoria indiana; ele pregava unicamente o Evangelho de Jesus. Em conclusão, no final de setembro ele voltou para a Índia, entristecido com o materialismo ganancioso que vira no Ocidente. Observou que no Oriente muitas pessoas cultuavam ídolos, mas, no Ocidente as pessoas cultuam-se a si mesmas.

Em 1921 Sadhu Sundar Singh voltou a pregar no Tibete. Depois, no início de 1922, realizou um antigo sonho: viajou pela Palestina, refazendo os passos de Jesus. De lá foi pregar no Egipto, na França e na Suíça, onde pregou no auditório que é usado pela Liga das Nações. Na Alemanha, pregou na própria igreja de Martinho Lutero, em Wittenberg. Depois pregou na Suécia, na Noruega, na Dinamarca e na Holanda. De volta à Inglaterra, chegou muito cansado e pregou apenas na conferência de Keswick, em Gales. Naquele ano, recusou convites insistentes para pregar na Finlândia, na Rússia, na Grécia, na Roménia, na Sérvia, na Itália, em Portugal, nos Estados Unidos e na Nova Zelândia.

Apesar da fama e da bajulação que lhe eram dirigidas, Sadhu Sundar Singh permaneceu modesto e humilde. Dizia que não tinha vindo pregar, pois o mundo estava cheio de sermões, mas testemunhar do poder salvador de Jesus. O seu único interesse era aproximar-se mais e mais de Jesus, tornar-se cada vez mais semelhante a Ele e gastar a sua vida ao serviço dEle. E de facto, em toda parte por onde ele passava as pessoas ficavam impressionadas ao constatarem uma semelhança perceptível entre ele e Jesus.

Certa vez, na Inglaterra, prometeu visitar uma senhora, esposa de um homem ilustre. À hora marcada tocou a campainha da casa onde o esperavam. Atendeu-o uma empregada, que estava de novo neste trabalho. Sadhu Sundar Singh deu o seu nome e ela correu para avisar a sua patroa: “Está lá fora um homem. O nome é uma complicação que não se entende, mas o jeito dele faz pensar que bem pode ser o próprio Jesus!”

O interesse de certas pessoas por Sadhu Sundar Singh tinha a ver principalmente com os milagres e maravilhas na sua vida, mas ele, percebendo isso, passou a evitar falar deles. O que ele mais desejava enfatizar era a oração. “Oração, oração e mais oração” era o seu lema.

Sadhu Sundar Singh costumava visitar o Tibete em cada Verão. Em abril de 1929 Sadhu Sundar Singh partiu outra vez na sua arriscada jornada para o Tibete, apesar do seu problema de coração e da cegueira de um dos seus olhos. Depois de ter partido, nunca mais se teve notícias dele. Ainda que os seus amigos tenham saído em busca de informações, nunca encontraram nenhuma pista; ele havia simplesmente desaparecido.

Quatro anos depois, quando o governo da Índia anunciou que Sadhu Sundar Singh fora oficialmente dado como morto, alguns suspeitaram de que ele, na verdade, se tivesse retirado da civilização para se dedicar à meditação e à oração no sopé da cordilheira dos Himalaias. Porém, o mais provável é que Sadhu Sundar Singh tenha morrido pouco depois de partir na sua última viagem missionária. Como C. H. Spurgeon meditava no dia 17 de dezembro no “Livro de Cheques do Banco da Fé” «O cúmulo da minha ideia sobre o Céu é o estar para sempre com o Senhor. A glória para mim não são nem as harpas de ouro, nem as coroas imarcescíveis, nem a luz sem nuvens; porém, sim Jesus, o próprio Jesus, e eu para sempre com Ele na mais íntima e amorosa comunhão» assim também, durante muitos anos Sadhu Sundar Singh estivera desejoso de deixar este mundo e de estar no Céu, na glória, junto ao seu Amado Senhor!

Sadhu Sundar Singh viu aplicado com muita propriedade na sua vida o versículo escrito em Marcos 8:35, que diz: “Qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de Mim e do Evangelho, esse a salvará!”

****

Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: