… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

14 de dezembro de 1586 • Georg Calixto, um reconciliador entre Irmãos

14 de dezembro de 1586 Georg Calixto, 
 
um reconciliador entre Irmãos

Georg Calixto, o mais influente continuador da teologia de Melanchthon no século XVII e o porta-voz do denominado sincretismo na Alemanha naquele tempo, nasceu em Medelbye, Schleswig, neste dia, 14 de dezembro de 1586.



O pai de Georg Calixto foi pastor na sua terra natal e aluno de Melanchthon, e desejava educar o seu filho segundo os seus princípios, e, para isso, depois da devida preparação, enviou-o para a universidade de Helmstädt, onde os amigos de Melanchthon, como o humanista Caselio, ainda ensinavam.



De 1603 a 1607 Georg Calixto estudou filologia e filosofia, depois teologia, dando especial atenção à patrística.



De 1609 a 1613 viajou pela Alemanha, Bélgica, Inglaterra e França, ampliando os seus conhecimentos e entrando em contacto com a realidade das Igrejas Reformada e Católica, comparando-as com a Igreja Luterana a que ele pertencia. Desse modo desenvolveu uma tendência irenista que manteve durante toda a sua vida. Em 1614 foi designado professor de teologia em Helmstädt, Brunswick, onde permaneceria até sua morte em 19 de março de 1656.



Um memorial na sua casa, naquela pequena cidade do ducado de Brunswick, comemora a atividade desta mente ilustrada. A sua vida teve como pano de fundo a Contra-reforma e a Guerra dos Trinta Anos, quando o ódio mútuo das confissões Cristãs tinha alcançado o seu auge. O principal esforço deste teólogo esteve inspirado pela ideia de que a teologia tem como primeiro objectivo não tanto a pureza da doutrina, mas a própria vida cristã. Daí que fosse o criador de uma ética teológica como disciplina teológica específica, marcando indubitavelmente uma época no progresso da teologia. A maioria dos filósofos morais ainda o seguem nesse princípio formal. Mas o perigo no qual se pode incorrer é o de separar a ética da dogmática, deixando a primeira sem o necessário fundamento religioso. Em segundo lugar, entregou-se a procurar a união de todas as Igrejas cristãs, tomando o Credo dos Apóstolos e o consenso dos cinco primeiros séculos como norma suficiente no campo da dogmática e da eclesiologia. Por este motivo tomou parte na conferência de Thorn em 1645, onde ele concluiu que os luteranos não colaborariam com ele, já que segundo Calixto a Reforma teria perdido a sua importância essencial, o que desembocaria no indiferentismo religioso.



Não foi por acidente que, durante o século XVII, muitos príncipes deixaram a Igreja Luterana e se uniram-se à Igreja Católica (João Federico de Hanôver, Cristina da Suécia, a filha de Gustavo Adolfo, e alguns outros). Por outro lado os ortodoxos dedicaram-se a manter o conteúdo religioso da Reforma, sendo este o seu mérito contra o sincretismo.



Finalmente, Calixto é relevante no dogmática científica ao introduzir o método analítico. Depois da sua morte as controvérsias sincretistas continuaram até que perderam a sua força, com o aparecimento do movimento pietista.



Entre os seus numerosos escritos os de maior interesse encontram-se “Orationes selectæ” (Helmstädt, 1660); os seus escritos exegéticos “Expositiones and Lucubrationtes” sobre livros do Antigo e do Novo Testamento e “Judicium de controversiis theologicis quæ inter Lutheranos et Reformatos agitantur, et de mútua partium fraternitate atque tolerantia propter consensum in fundamentis” (1650).



O seu filho e sucessor, Friedrich Ulrich Calixto (1622-1701) tentou continuar a obra de seu pai, mas não encontrou aprovação entre os luteranos, que pelo contrário, tentaram suplantar o sincretismo com uma nova confissão ortodoxa a “Consensus repetitus fidei vere Lutheranæ”, mas esta confissão que devolveu uma escola ortodoxa à Igreja não foi finalmente aceite.



A controvérsia sincretista permaneceu ativa durante muito tempo, com tal intensidade, pelo que não se prestou grande interesse aos princípios pietistas que por aquele tempo começaram a surgir.


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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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