… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 11 de dezembro de 2016

11 de dezembro de 1792 • Joseph Mohr compõe o hino de Natal “Stille Nacht”


11 de dezembro de 1792 Joseph Mohr

   compõe o hino de Natal “Stille Nacht”


Os estudantes de História lembram-se de que em 1792, o rei Luís XVI, da França, foi julgado por traição perante a Convenção Revolucionária, que havia substituído a Assembleia Nacional francesa. A sua cabeça iria rolar em janeiro do ano seguinte. Mas neste dia, 11 de dezembro deste mesmo ano de 1792, poucos dias antes do Natal, no mesmo dia, na verdade, em que o rei francês enfrentou os seus cruéis juízes, um evento muito mais silencioso ocorreu. Joseph Mohr nasceu em Salzburgo. O seu nome será sempre associado à época natalícia.

Na época do seu nascimento, mais parecia que o seu nome estaria para sempre ligado com mais nada, senão com desgraça. Ele era filho ilegítimo, o terceiro da sua mãe. O seu pai era um soldado que se hospedara na casa da família. Quando Franz Joseph Mohr soube que ele tinha engravidado Ann Schoiber fugiu de casa e abandonou o exército, deixando a mãe sozinha a enfrentar os problemas, até uma multa exorbitante. As autoridades de Salzburgo acharam que 3 filhos naturais eram demais. Ana Schoiber foi condenada a pagar uma multa de 9 florins. Devemos saber que um boi custava na época 12 florins. Daí, dá para compreender que a pobre costureira nunca iria arranjar tanto dinheiro para pagar a multa.

Tinha de pagar com a cadeia... Naquele momento surgiu a salvação na pessoa de Joseph Wohlmuth, um homem que afirmou querer pagar a multa de Ana Schoiber, se pudesse ser o padrinho do pequeno Joseph. Ele esperava que, fazendo isso, melhoraria a sua própria reputação. Visto que Wohlmuth era o carrasco oficial de Salzburgo, não podia entrar na igreja para participar na no baptismo da criança, e por isso mandou a sua cozinheira substituí-lo na cerimónia. Foi assim que começou a difícil vida do menino Joseph Mohr: sem pai, vivendo na miséria com a mãe e dois irmãos, tendo como padrinho o carrasco da cidade.

Mais ainda, à vida de Joseph ainda foi acrescentado um outro estigma: era o afilhado do temido e odiado carrasco. E como tal foi proibido de frequentar a escola ou de aprender uma profissão, ou mesmo de realizar um trabalho.

Joseph gostava de cantar. Enquanto dava os primeiros passos para ser frade num convento dos capuchinhos, estava ele cantando, quando foi ouvido por acaso, por Johann Nepomuk Hiernle, que era monge beneditino e chantre da catedral. Hiernle achou a voz do menino tão boa, que não poderia suportar vê-la perdida. Assim, encontrou-se com sua mãe, Ann Schoiber e arranjou as coisas para que Joseph fosse estudar com o seu grupo de alunos de elite.

A bondade demonstrada por Hiernle a Joseph Mohr não foi desperdiçada. Mohr provou ser um excelente aluno, dominando o órgão, o violino e o violão aos doze anos. Ele sempre esteve no quadro de honra da classe. A sua formação continuou e foi ordenado sacerdote Católico em 1815.

Durante a sua vida, Joseph Mohr foi exercendo funções sacerdotais em muitas cidades. Mas, foi quando ele era ainda um jovem coadjutor em Oberndorf, que ele ganhou a fama imorredoira. Ele escreveu a letra de uma nova canção de Natal e pediu ao organista da igreja, Franz Gruber, para a musicar. Na véspera do Natal de 1818, os dois cantaram o que desde então se tornou a mais popular canção de Natal de todos os tempos: a “Stille Nacht.”

“Stille Nacht” capta a humildade impressionante de um Deus que não só Se inclinou para o nível da Humanidade, mas desceu ainda ao nível mais baixo, nasceu entre os mansos animais e anunciado aos simples pastores.

Na sua paróquia, em Flachau, Mohr abriu uma escola para as crianças pobres. Deu praticamente todos os seus bens para este projecto e morreu tão pobre como nasceu. Contudo, deixou-nos a riqueza de “Stille Nacht”, que já foi traduzida em mais de 200 idiomas. Milhões de pessoas, que nunca se lembraram do rei Louis XVI, de França, cantam, em cada Natal, as palavras de Joseph Mohr.

Eis aqui uma versão em português:

Noite feliz! Noite feliz!
Ó Senhor, Deus de amor!
Pobrezinho nasceu em Belém;
Eis, na lapa, Jesus, nosso bem:
Dorme em paz, ó Jesus!
Dorme em paz, ó Jesus!

Noite feliz! Noite feliz!
Ó Jesus, Deus da luz!
Quão afável é teu coração
Que quiseste nascer nosso irmão
E a nós todos salvar!
E a nós todos salvar!

Noite feliz! Noite feliz!
Eis que, no ar, vêm cantar,
Aos pastores, os anjos do Céu,
Anunciando a chegada de Deus,
De Jesus Salvador!
De Jesus Salvador!

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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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