… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 21 de janeiro de 2017

21 de janeiro de 1525 • Os Anabaptistas deram um passo de bebé


21 de janeiro de 1525 Os Anabatistas deram um passo de bebé
Anabatistas reunidos em segredo na barca de Peter Piersz. Ilustração de Jan Luyken.
Por causa de um bebé, a Igreja mudou neste dia, 21 de janeiro de 1525. Ninguém à primeira vista se percebeu disso.

A Reforma Protestante na Europa trouxe novas interpretações da Bíblia. Quando os Reformadores ganharam o controle dos governos, substituíram a Igreja Católica Romana por Igrejas Reformadas. Da maior parte da população esperava-se que cada um dentro da sua jurisdição pertencesse à nova fé, tal como já tinha pertencido à antiga. Os recém-nascidos eram baptizados na Igreja Reformada e tornavam-se membros dela simplesmente por terem nascido na sua comunidade, tal como uma pessoa se torna cidadã de Portugal por ter nascido lá.

A Reforma também chegou a Zurique, cantão de fala alemã, na Suíça, sob o ensino de Ulrich Zwingli centrado na Bíblia. O Conselho Municipal de Zurique e a maior parte dos cristãos da cidade apoiava as Reformas. Contudo, quando um grupo de adeptos mais zelosos de Zwingli estudaram a Bíblia, encontraram uma grande diferença entre as Igrejas Primitivas do primeiro século e as Igrejas de estado do século XVI.

Eles convenceram-se de que a Igreja não tinha de incluir toda a agente, mas apenas aquelas pessoas que realmente queriam seguir Cristo. Como pode um bebé juntar-se a uma Igreja, perguntavam eles, quando ele não sabe de nada, senão chorar e comer? Estes cristãos criam que o batismo só é verdadeiro quando se é suficientemente maduro para se entender cabalmente o seu significado. Entre eles estavam Georg Blaurock, Conrad Grebel e Félix Manz.

Quando a esposa de Grebel teve um bebé, o casal decidiu não baptizar o seu filho, ainda que as autoridades de Zurique dissessem que tinham de fazê-lo. Outras famílias imitaram o exemplo dos Grebels. O Conselho Municipal de Zurique tratou esta desobediência civil da mesma forma como teria lidado com um apelo para recolher o lixo ou para tratar da construção de uma nova ponte. Por causa deste assunto, no dia 17 de janeiro de 1525 realizou-se um debate público sobre esta questão. Os representantes do povo escutaram ambos os lados e votaram pelo baptismo dos bebés. O Conselho determinou que os “radicais” não se deviam reunir mais, nem ensinar as suas opiniões a outros e que todas as famílias deviam baptizar os seus filhos dentro de oito dias ou então teriam de deixar Zurique.

Com o prazo a esgotar-se, os Anabatistas tinham de fazer alguma coisa. Arrastando-se ao vento e à neve naquela noite fria de 21 de janeiro de 1525, eles reuniram-se na casa de Felix Manz para decidir o seu curso de acção. O encontro foi “ilegal”, é claro, mas duma coisa o pequeno grupo tinha a certeza, os governos não têm o direito de ditar as crenças religiosas. Esta era também uma ideia radical então. Apenas uma vez o grupo conciliou o que fazer e decidiu avançar, não havia como voltar atrás.

Eles conversaram e preocupados oram de joelhos. Quando eles se levantaram depois da oração, Georg Blaurock tinha feito a sua decisão. Ele pediu a Conrad Grebel que o baptizasse à maneira apostólica, sob confissão de fé. Grebel fê-lo, e depois Blaurock baptizou todos os outros que estavam dispostos a fazê-lo. Por essa acção, o “Movimento Anabaptista” nasceu. “Anabaptista” significa “rebaptizar.” Foi o nome que os seus inimigos lhe deram por escárnio.

Os Anabaptistas obedeceram ao conselho de Zurique e saíram da cidade. Eles começaram a sua própria igreja, completamente livre dos laços do Estado, e pregavam a outros. Para as autoridades de Zurique isto parecia-lhes ser rebelião e prenderam os transgressores. Quando eram soltos, estes homens pregavam novamente.

No decorrer do tempo, Manz, Blaurock e muitos outros líderes anabaptistas foram executados. A posição corajosa destes homens mudou toda a Igreja, mas só depois de oceanos de sangue terem sido derramados por tentarem controlar a fé das outras pessoas.

Menonitas, Hutteritas e Amish são descendentes diretos do “Movimento Anabaptista”. Os Baptistas e muitos outros grupos cristãos baptizam uma pessoa se ele ou ela tiverem idade suficiente para compreenderem o significado do acto e para fazerem conscientemente uma confissão de Cristo. Mas todos nós temos beneficiado da decisão dos Grebels de não terem baptizado seu o bebé. Graças ao seu testemunho, a maioria das denominações cristãs agora age sobre o princípio da separação entre a Igreja e o Estado, apesar de por todo o mundo os governos civis ainda tentarem impor a sua marca na Igreja de Cristo.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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