… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

13 de janeiro de 1635 • Philipp Jacob Spener, o Pai do Pietismo protestante


13 de janeiro de 1635  Philipp Jacob Spener, 

o Pai do Pietismo protestante

Philipp Jacob Spener ( na imagem) nasceu no dia de hoje, 13 de janeiro de 1635, em Rappoltsweiler, na Alta Alsácia, e morreu em Berlim, em 5 de fevereiro de 1705. É geralmente considerado o fundador do pietismo alemão, embora as suas ideias fossem uma combinação de pontos de vista adquiridos dos seus professores e dos reformadores do século XVI. Recebeu uma criação rígida e piedosa e educação universitária em Estrasburgo durante os anos de 1651 a 1659, onde concentrou a sua atenção nos idiomas bíblicos e nos estudos históricos. Os professores na universidade de Estrasburgo ressaltavam o novo nascimento espiritual e as preocupações éticas, e essas ênfases vieram a ser fatores importantes na pregação de Spener à medida que assumia cargos pastorais sucessivos em Estrasburgo, em 1663, em Frankfurt no ano de 1666, em Dresden, em 1686 e em Berlim, no ano de 1697. Spener também foi influenciado pelo calvinismo de Genebra, porque visitou aquela cidade em 1659 e ficou conhecendo Jean de Labadie (1610-1674), o pregador reformado místico. Labadie reforçou as crenças de Spener de que uma experiência de conversão (Wiedergeburt - "novo nascimento") é essencial na vida cristã e que o cristão verdadeiro deve aplicar a religião a todos os aspectos da vida.

Embora Spener desenfatizasse o dogmatismo teológico e as controvérsias dos escolásticos protestantes, o seu conceito da conversão e da sua necessária implementação era controvertível onde quer que pregasse. Os seus ataques contra a ignorância e a frouxidão moral dos clérigos não eram bem recebidas por aquele grupo, e o sistema de reforma que ele propôs era uma verdadeira ameaça às igrejas luteranas estabelecidas. Essas ideias foram publicadas pela primeira vez na sua obra “Pia Desideria”, no seu nome completo: “Desejos Profundamente Sinceros de que as Verdadeiras Igrejas Evangélicas Realizem uma Reforma Agradável a Deus”. A teologia exposta nesta obra ressaltava a união entre a fé e as obras, noção que sempre foi importante na teologia reformada. Em contraste, a teologia luterana do século XVII, especialmente no norte da Alemanha, ressaltava o dogma teológico, e não a vida purificada. Igualmente importante era o meio que Spener propôs para implementar a mudança — uma igreja dentro da igreja. Spener fundou grupos pequenos, os “collegia pietatis”, para promover a comunhão dos cristãos individuais com Deus, mediante orações, cânticos, leituras espirituais e debates. Ainda que todas essas atividades fossem consideradas boas em si mesmas, os grupos pequenos frequentemente desafiavam os sistemas eclesiásticos contemporâneos e geralmente eram considerados hipócritas e facciosos. Na realidade, os sucessores de Spener no pietismo alemão eram com frequência muito contenciosos, embora o próprio Spener tivesse ressaltado a cooperação e a tolerância.

Spener também fez um apelo em favor da reforma da educação nos seminários. Em vez da teologia sistemática, com a sua ênfase natural na exatidão dogmática, Spener queria que os seminaristas aumentassem a sua piedade mediante leituras espirituais. Além disso, enfatizava a ida direta às fontes bíblicas ao invés de confiar nas formulações teológicas dos comentadores bíblicos. O fruto dessa fase da obra de Spener é visto na faculdade de teologia estabelecida em Halle. Com a orientação de Spener e a organização de August Hermann Francke, Halle veio a ser o centro intelectual do pietismo alemão antigo; e o movimento espalhou-se com a fundação de grupos de “collegia pietatis” por todo o luteranismo alemão. Se bem que os alvos originais de Spener tenham sido modestos, o pietismo alemão influenciou o protestantismo em todo o mundo ocidental e o reavivamento espiritual e a controvérsia religiosa vieram a ser coisas corriqueiras nas comunidades protestantes.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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